Copa do Mundo provoca estabilidade no IPCA de junho

A inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ficou estável em junho, em 0,0%, após ter subido 0,43% em maio, de acordo com o que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Foi a menor taxa mensal para o índice desde junho de 2006. O resultado veio abaixo do piso das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções (0,05% a 0,18%), com mediana de 0,11%. Na avaliação da coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, o resultado do mês passado está diretamente relacionado à realização da Copa do Mundo.
Ela mostrou uma série histórica que comprova que, desde o Plano Real, em anos de Copa do Mundo a inflação cai nos meses de realização do evento ou naqueles que imediatamente o antecedem. “Em período de Copa, os brasileiros, que são muito apaixonados por futebol, deslocam o consumo para produtos que têm relação com a Copa, como camisas temáticas e vuvuzelas. Parte do orçamento e das atenções se voltam para esses produtos, reduzindo a demanda por outros, como alimentos e automóveis, o que leva a promoções no comércio e a queda de preços”, afirmou.
Eulina lembrou também que, por causa da Copa, houve vários “feriados” não programados em junho, o que também ajudou a conter a demanda e os preços. A série apresentada por Eulina mostra que, em 1998, a inflação de junho, de 0,02%, foi a menor taxa mensal para o primeiro semestre, refletindo a realização da Copa. Já em 2002, quando a Copa foi realizada mais cedo, a partir de 31 de maio, a menor taxa do primeiro semestre foi registrada em maio (0,21%). Em 2006, quando o evento voltou a ocorrer a partir de junho, houve deflação de 0,21% e, em 2010, o fenômeno se repetiu, com variação zero no mês.
De acordo com o IBGE, a forte desaceleração ocorrida na inflação medida pelo IPCA reflete a deflação apurada nos preços dos alimentos, de que maio para junho passaram de alta de 0,28% para queda de 0,90%. Em junho, os alimentos contribuíram com -0,20 ponto porcentual para a taxa do IPCA, ante uma contribuição positiva de 0,06 ponto porcentual em maio. O destaque de queda entre os alimentos em junho ficou com a batata inglesa, com redução de 23,97% nos preços e a principal contribuição individual (-0,09 ponto porcentual) para a desaceleração da taxa
Já o grupo dos produtos não alimentícios desacelerou a alta no período, de 0,48% para alta de 0,27%. A desaceleração refletiu, especialmente, o resultado do grupo transporte, com deflação de 0,21% ante alta de 0,09%, na mesma base de comparação. Houve ainda queda nos preços do álcool (-5,41%) e da gasolina (-0,76%), além dos automóveis novos (-0,37%) e automóveis usados (-1,21%), no mesmo período. Por outro lado, ainda nos não alimentícios, os destaques de alta em junho ficaram com as passagens aéreas (12,57%) e os cigarros (3,70%) em relação a maio.
O IBGE também divulgou que o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que mede a inflação para a camada de renda mais baixa da população, registrou deflação de 0,11% em junho, ante uma alta de 0,43% em maio. A taxa do mês passado representou a menor variação mensal para o indicador desde junho de 2005, quando caiu iguais 0,11%. No acumulado do primeiro semestre deste ano, o INPC tem alta de 3,38%, enquanto nos últimos 12 meses encerrados em junho, registra variação positiva de 4,76%. O INPC refere-se às famílias com rendimento entre um e seis salários mínimos, enquanto o IPCA aborda rendimentos familiares de um a 40 salários mínimos.

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