Copa 2014 não será boa para o setor

Com desempenho abaixo do esperado neste ano, o Polo de Duas Rodas mantém expectativas em baixa para 2014. A falta de perspectivas de mudanças no cenário macroeconômico, como a abertura de crédito nos bancos, alinhados a fatores extraordinários como eleições, e principalmente, a realização da Copa do Mundo da Fifa, fazem o presidente da Abraciclo (Associação Brasileira de Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), Marcos Fermanian, admitir que as empresas terão de fazer “esforços excepcionais para, pelo menos, manterem os números de 2013”.
Em reunião realizada na manhã de ontem, no Ceasar Business Hotel, para apresentar os resultados do setor no ano, Marcos Fermanian confirmou que as expectativas para o ano não se concretizaram. “Pelo contrário, ficaram bem abaixo. Tínhamos uma expectativa muito grande de crescimento no segundo semestre e ele acabou sendo pior que o primeiro. Com exceção de novembro, nenhum mês conseguiu atingir a média 6 mil unidades vendidas em um dia”, lamentou.
Marcos reforça que há um comprometimento das indústrias de realizar altos investimentos em marketing para tentar segurar os números nos mesmos patamares de 2013. “A copa, embora seja um evento esperado, impacta negativamente no comércio em geral, com exceção dos produtos que lucram diretamente com ela, as vendas no período caem. Haverá um esforço das áreas de marketing ainda maior em 2014 para buscar suprir isso”, afirmou.
As eleições e a inflação também foram colocados como fatores primordiais para falta de perspectivas do setor. “A inflação prejudica o poder de consumo da população. As eleições criam dúvidas que inibem as pessoas a investirem em produtos que são adquiridos através de financiamentos em consórcios”. Apesar dos vários desafios, Marcos se negou a admitir que os números devem cair, acreditando que as empresas farão investimentos para manutenção da produção e vendas.
O editor sênior de relações institucionais da Honda, Paulo Takeuchi, garante que mesmo com a redução de mercado os investimentos se mantém. “A política de PPBs do PIM exige investimentos para abarcar o conteúdo local e nacional; com isso, todos têm que investir. Alem disso houve novas leis regulando a emissão de poluentes. A partir de 2014 isso será exigido, tem que estar compatíveis e isso por si só exige novos investimentos”, garante.

Região Norte amplia participação

Enquanto as vendas no varejo apresentam redução de -8,3% em 2013, com 127 mil motos vendidas a menos em todo país, na região Norte as vendas cresceram 3%. Números que devem se repetir em 2014. O crescimento coloca a região Norte como 3º principal consumidora do país, representando 13% do mercado nacional. A região foi a única a apresentar crescimento nas vendas em 2013, indo de 172.991 unidades em 2012 para 178.490 neste ano.
Principal mercado do país, a região sudeste teve redução de 1,2 ponto percentual em sua participação no mercado, caindo de 32,% para 30,8%. De olho nesse crescimento da região Norte, o diretor-superintendente Industrial da Harley-Davidson do Brasil, Celso Ganeko, anunciou que a empresa pretende montar uma concessionária em Manaus ainda antes da Copa do Mundo. “Hoje temos 16 concessionárias no país. Ano que vem pretendemos ampliar para 20 e Manaus está na lista por ser um mercado em crescimento”. A expectativa é que o investimento feito pela empresa responsável pela concessionária fique entre R$ 4 milhões e R$10 milhões.

Caloi pretende aumentar produção

Apesar de reconhecer o mal momento do setor de Duas Rodas, as expectativas para o mercado de bicicletas são diferentes, pelo menos segundo o presidente da Caloi, Eduardo Musa. Eduardo explica que há uma tendência de crescimento na utilização de bicicletas para passeio e esporte. “As pessoas estão voltando a utilizar por fazer bem a saúde, para melhorar a mobilidade urbana”. A expectativa da empresa é de trazer a fabricação de produtos feitos na China para o polo de Manaus. “É uma estimativa de adensamento da produção. Estamos no aguardo da regulamentação de bicicletas elétricas, por exemplo, que é um fenômeno mundial e temos a intenção de fabricar aqui”, conta.
Há uma expectativa do setor que entre em vigor os PPBs relacionados às bicicletas que podem vir a reduzir em até 20% o custo das bicicletas fabricadas aqui. “É uma inveja que temos dos fabricantes de motocicleta, o adensamento do setor todo é um uma coisa que as bicicletas têm inveja das motocicletas de trazer todos os componentes para cá,” conta. Segundo Eduardo há um potencial que investimentos sejam feitos apenas com a normatização das bicicletas elétricas. “Estamos trabalhando ativamente com o governo tentando normatizar a bicicleta elétrica. Á medida que normatiza saberemos o mercado, mas ainda não há nada concreto”.

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