Cooperativismo no Amazonas

Este estudo se ocupa da abordagem sobre o desenvolvimento do cooperativismo na nossa região.
As cooperativas são organizações regidas “pelo princípio democrático em que cada pessoa tem direito ao voto (…).É uma associação voluntária de no mínimo 20 pessoas, sem fins lucrativos, porém com fins econômicos, que exercem uma mesma atividade para realizar objetivos comuns.
A tutela das cooperativas pelo Estado não é salutar porque além de cristalizar o clientelismo mantém as pessoas sob dependência e à espera que alguém resolva os seus problemas, ficando imobilizadas e dependente dos políticos.

A democracia política é necessária para que um povo não seja governado despoticamente. A democracia que os trabalhadores buscam na cooperativa não visa apenas a participação política do voto na sua diretoria.
Visa estabelecer uma prática ética entre os cidadãos, pautada na solidariedade e na partilha dos bens; busca incluir os sujeitos sociais no processo produtivo, procurando defender antes de tudo o direito ao trabalho mais do que o direito ao emprego.

O Estado como uma instância política que se estabelece no meio do povo para administrar a ‘res publica’, concentra maiores poderes. É caracterizado por relações de subordinação entre governantes e governados, entre detentores do poder de comando e destinatários do dever de obediência. Ainda que o Estado seja autoritário. O paternalismo assume formas veladas de um tipo de autoritarismo pernicioso e vil para com as classes trabalhadoras.

No Amazonas, o mandonismo tem rosto bem moldado na investidura governamental de cada governante que se alterna no poder, numa combinação entre grupos oligárquicos. Aqui as cooperativas de crédito caminharam na mesma direção paternal das cooperativas agrícolas e de habitação.

O lado positivo e a novidade que apresentam é o fato de elas serem controladas pelo Banco Central. Mas também foram tuteladas pelo poder público e pelo empresariado amazonense. Esse atrelamento das cooperativas colocou-se como o principal obstáculo no campo da organização política deste modelo de trabalho.

A organização da vida na esfera pública deve ser entendida como um espaço onde todos podem se colocar como sujeitos. Trata-se de um espaço contraditório que reúne desde os interesses do capital, passando pela ação mediadora do Estado até as várias formas de organização da sociedade civil, numa dinamicidade das relações sociais que inclui, exclui e gera riquezas.

Os sujeitos sociais são os protagonistas dos processos sociais, eles vão se fazendo nesses processos como seres individuais e coletivos. Os sujeitos sociais não são massas atomizadas manobradas pelo Estado, eles vão se colocando na esfera pública como uma classe social antagônica aos interesses dominantes.

Embora a política paternalista insista em se estabelecer numa determinada sociedade, surgem posições de classe contrárias a essa prática. A perspectiva de classe como relação histórica evidenciada por Thompson (1987) é, certamente, uma formulação promissora para estabelecermos conexões com a organização sindical no Amazonas. Com isso queremos mostrar o quanto é dificil o cooperativismo em nossa região.

Celso Torres é economista, mestre em Sociologia do Trabalho pela Ufam. E-mail: [email protected]

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