Cooperativas driblam spread dos bancos

No mês de abril, com a exceção das taxas de juros do cartão de crédito para a pessoa física que ficou inalterada (10,68% ao mês e 237,93% ao ano), todas as demais taxas de juros das operações de crédito foram reduzidas. A informação divulgada no início desta semana pela Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) apontou que foi a terceira redução consecutiva das taxas.
Em Manaus, a expansão das operações de crédito tem acompanhado o cenário de crescimento econômico do país e a tendência de aumento da renda das pequenas e microempresas.
Em nota, a Anefac apontou que a taxa de juros média geral para pessoa física apresentou uma redução de 0,06 ponto percentual, passando de 7,39% ao mês (135,27% ao ano) em março para 7,33% ao mês (133,70% ao ano) em abril. De acordo com a entidade, esta foi a redução mais acentuada da taxa de juros média desde maio do ano passado. “Este fato pode ser atribuído tanto pela redução da taxa básica de juros que foi reduzida novamente em abril de 2009, bem como pela certeza que o mercado financeiro tem de que o Banco Central vai continuar reduzindo a Selic”, traz a nota.
Já nas operações de crédito para as empresas (pessoas jurídicas), a Anefac apontou que essa redução foi de 4,20 pontos percentuais, fazendo a taxa média anual de 68,23% cair para 64,03% ao ano na comparação a igual período do ano passado e “ficando evidente que não foram repassadas integralmente todas as quedas da taxa básica de juros”.

Resultados da turbulência

O presidente da Cre­dempresas (Cooperativa de Crédito dos Empresários de Manaus), Enock Lunière Alves, apontou como uma das principais consequências dessa turbulência no mercado, que fez empresários buscarem formas de driblar o spread bancário e a política de juros altos na tomada de empréstimos, o avanço das cooperativas de crédito empresarial na região. Segundo o executivo, menos conhecidas que os bancos, mas funcionando com todos os produtos inerentes a uma agência bancária, as cooperativas tem acesso a um capital próprio mais barato através dos recursos dos próprios associados, o que representa um grande atrativo. “Em tempos de crise financeira mundial, juros menores nos empréstimos é outro fator que chama atenção dos empresários que se interessam pelo cooperativismo financeiro”, explicou.
A meta da Credempresas é atingir R$ 5 milhões em ativos nos próximos dois anos, por meio da capitalização mensal constante e do ingresso de novos associados, número que deve chegar a 400 neste mesmo período. A cooperativa atuará como um banco,
oferecendo produtos de financiamento, crédito em geral, cheque especial, além de desconto de títulos, produto muito utilizado pelos empresários, além de
aplicações financeiras.

Desafio é estimular a aplicação na poupança

O presidente da Coopmed (Cooperativa de Médicos de Manaus), Domício Coutinho, concordou que a principal necessidade dos empreendedores associados a uma cooperativa é justamente a facilidade na oferta de empréstimos para aporte de capital de giro. Segundo o médico, o BC (Banco Central) fiscaliza e legisla as operações dessas instituições financeiras, que não podem conceder crédito superior ao montante de capital investido pelos associados.
“Por isso, um dos desafios das cooperativas em Manaus é estimular a aplicação em poupança por parte dos empresários”, revelou.
Na opinião do economista Jânio José Ferreira Lima, na hora de aplicar o dinheiro, a cooperativa mostra também um diferencial em relação ao sistema financeiro tradicional. Na maioria das cooperativas, explicou o especialista, o associado tem de aportar um valor inicial e depois mensal no capital da instituição, constituindo o capital contínuo. “Isso não é gasto, é capital, que pode render, em alguns casos, 1% ao mês. Ora, se pensarmos que a rentabilidade de 1% ao mês é superior ao pago na caderneta de poupança e na maioria dos fundos de investimento dos bancos de varejo, que possuem taxas de administração mais elevadas, então temos a razão do sucesso das cooperativas de crédito em Manaus”, finalizou.

Sobre as cooperativas

As cooperativas de crédito, entidades sem finalidades lucrativas e com grande natureza social, funcionam como contraponto aos bancos que oferecem financiamento aos seus clientes com taxas de juros extremamente elevadas e, com essa conduta, além da burocracia, inviabilizam o consumo e o investimento.
Os números consolidados pela OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) confirmam a tendência setorial de crescimento do contingente de associados comparativamente ao de cooperativas. De um lado, o faturamento das cooperativas alcançou cerca de R$83 bilhões em 2008, o que corresponde a um crescimento próximo de 15% sobre os R$ 72 bilhões registrados em 2007. Na outra vertente, o setor fechou 2008 com 7.682 cooperativas e 7,88 milhões de associados.
A expectativa para este ano, segundo a OCB é de que ocorra um avanço de pelo menos 5% na atividade e 2,5% no faturamento.

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