Convênio possibilita microcrédito a agricultores

Promover e ampliar o acesso da população rural de baixa renda a serviços financeiros é o objetivo do convênio de cooperação técnica e financeira, que será assinado amanhã, 6, entre Sebrae, MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) e Ancosol (Associação Nacional do Cooperativismo de Crédito de Economia Familiar e Solidária). O evento de assinatura será às 14h (hora local) no Hotel Nacional em Brasília.
O convênio é formado pelo projeto ‘Expansão do Cooperativismo de Economia Familiar e Solidária no Brasil’, que busca implantar e fomentar um programa de microfinanças solidárias no meio rural brasileiro, tendo como agentes operadores as cooperativas de crédito vinculadas à Ancosol. O projeto contará com o montante de R$ 3,1 milhões, investidos pelo Sebrae, MDA e Ancosol.
Os beneficiários do projeto são agricultores familiares sem acesso a serviços financeiros por falta de títulos de terra, garantias, demanda para microcréditos e agricultores familiares que vivem próximos à linha de pobreza. Nos 16 estados (Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe) onde o projeto vai atuar existem 3.429.193 estabelecimentos de agricultura familiar com até 100 hectares.
“Hoje, a maior parte desse público encontra-se marginal às instituições financeiras convencionais. Seu acesso a serviços financeiros se dá em cooperativas de economia solidária, instituições de microfinanças, organizações não-governamentais. Queremos, por meio do cooperativismo, estimular o acesso dessas famílias aos serviços financeiros”, explicou o analista da Unidade de Acesso a Serviços Financeiros do Sebrae, Robson Vitor.
Entre as ações previstas no projeto está a ampliação da oferta de crédito para os pequenos negócios solidários e agronegócio familiar, nos primeiros três anos, em cerca de R$ 750 milhões com recursos próprios e repasses. A estratégia é instrumento de inclusão social e de fortalecimento das cooperativas de crédito e economia solidária.
Também está prevista a constituição de 125 novas cooperativas e 25 bases regionais de serviços em todas as regiões, para garantir a sustentabilidade futura, ampliando respectivamente para 299 e 41 o número de cooperativas e bases de serviços; além de aumentar em mais 625 o número de funcionários dos sistemas filiados, que é de 848 atualmente, mantendo a capacitação de no mínimo 710 funcionários das cooperativas e das bases de serviço. Por fim, está previsto dar assistência técnica para os diretores e funcionários que trabalham nas cooperativas de crédito e Bases Regionais de Serviços.
Além do apoio financeiro, o Sebrae e o MDA ficarão responsáveis por dar o suporte técnico, por meio de capacitação e formação dos agentes envolvidos nas cooperativas (caixas, gerentes). O Sebrae fará as capacitações in loco e o MDA, simultaneamente, fará o mesmo trabalho, em sala de aula.

Associação é formada por sistemas de cooperativas

Hoje, a Ancosol é formada por sete sistemas de cooperativas de crédito de economia solidária e agricultura familiar, com aproximadamente 163 mil associados integrados em 174 cooperativas de crédito e 106 PACs (Postos de Atendimento Cooperativo), localizados em 15 estados do país.
O sistema de cooperativas surgiu em 2004, com pretensão de articular, integrar e representar as organizações do cooperativismo de crédito de economia familiar e solidária do Brasil, identificadas com processos de desenvolvimento local sustentável. Hoje, as cooperativas da Ancosol estão atendendo 162.983 famílias. Segundo estimativa da associação, nos próximos anos, este número deve duplicar, oferecendo cada vez mais produtos financeiros para as pessoas de baixa renda da área rural.
Apesar de o Brasil não ser um país com deficiências bancárias em termos da presença de pontos de atendimento, a disparidade de números de pontos entre bairros em uma cidade e entre regiões no País chega a ser significativa. De acordo com o estudo World Bank 2005, somente 60 dos 176 milhões de brasileiros têm conta-corrente, ou seja, um terço.
Um levantamento comparativo de microfinanças feito com 99 países coloca o Brasil no 71º lugar, atendendo apenas 915 mil tomadores de microcrédito, menos do que 0,5% da população e menos de 2,5% dos 40 milhões de pobres no Brasil. Na área rural, 41% da população (11 milhões de pessoas) são considerados pobres; certamente o acesso deste público a serviços financeiros é praticamente inexistente.

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