10 de abril de 2021

Controle de atributos de subprodutos

Um atributo é uma característica diferenciadora de um objeto de outro. Isso significa, portanto, que um objeto A é diferente de B devido aos seus atributos que, ainda que sejam os mesmos, diferem entre si. Vejamos o caso do ser humano masculino e feminino. O ser é o mesmo, humano, mas o que vai diferenciar um do outro é o gênero. Quando o gênero for masculino, tem-se o ser humano homem, quando o gênero for feminino, tem-se o ser humano mulher. Esse mesmo esquema lógico vale também para as tecnologias inovadoras. Elas se caracterizam e se diferenciam pelos seus atributos, de maneira que todo processo de inovação, na verdade, é a incorporação a determinado artefato de determinados atributos que vão gerar, por sua vez, os benefícios e resultados esperados. Por essa razão, todos os atributos previstos para os subprodutos precisam ser controlados, sob pena do produto tecnológico não apresentar os benefícios por ele esperado.

O processo de monitoramento do produto começa com o controle necessário sobre cada um dos seus subprocessos de produção. Geralmente as tecnologias inovadoras são a sucessão de vários processos de produção convergentes, de maneira que cada um deles é responsável pela materialização de uma parte do produto final. Nesse esquema lógico, cada subprocesso gera um subproduto e todos os subprodutos compõem o produto final desejado. Neste sentido, uma ferramenta da qualidade tem muito a colaborar com os cientistas nos seus esforços de inovação tecnológica: o diagrama de Ishikawa ou espinha de peixe. Esses nomes são devidos ao seu inventor, no primeiro caso, e ao formato que a ferramenta toma, depois de utilizada.

Cada desconformidade é tomada como um problema ou defeito. O desafio, para o uso do diagrama de Ishikawa, é o entendimento das relações diversas de causa-efeito que geraram a desconformidade do subproduto. Há seis possíveis causas: mão-de-obra, máquinas/ferramentas, método de produção, matéria-prima, meios de medição e meio ambiente. Isso significa que toda desconformidade apresenta pelo menos uma causa que, por sua vez, vai se enquadrar dentre esses seis agrupamentos de causas da ferramenta. É por essa razão que ela também é chamada de diagrama de causa-e-efeito. Evidentemente que outras ferramentas existem para auxiliar no controle dos atributos do produto, mas o diagrama de Ishikawa parece ser o mais potente para os esforços de inovação.

As causas decorrentes da mão-de-obra quase sempre dizem respeito às habilidades e destrezas de cada membro da equipe para fazer o que tem que ser feito. É preciso conhecer cada atividade a ser desenvolvida, a sequência delas ao longo do processo de inovação, o uso das máquinas, equipamentos e ferramentas, o manuseio da matéria-prima e assim por diante. Além disso, é fundamental que o relacionamento entre os membros da equipe seja satisfatório, assim como com os membros de outras equipes, de outras unidades organizacionais e do ambiente externo.

Os atributos dos subprodutos são afetados pelas máquinas e equipamentos utilizados e, por extensão, todo o aparato tecnológico à disposição da equipe de produção. Se inadequadas, provavelmente gerarão subprodutos inadequados, a não ser que a equipa tenha capacidade de complementar aquilo que as máquinas e equipamentos forem capazes de fazer.

Também o método de produção provoca alterações altamente significativa na produção tecnológica. Como quase sempre não existe um esquema definitivo predeterminado para gerar a inovação, o método é construído pari passu ao sucesso alcançado. Quando o insucesso acontece, nova rota metodológica é desenhada e testada. Se for aprovada, é incorporada ao método de produção.

A matéria-prima talvez seja o elemento mais sensível dentre todas as causas de alterações dos atributos dos subprodutos. Ela sofre a consequência de todas as demais causas. Por essa razão, além de a matéria-prima ter seus próprios atributos e conformidades, precisa ter esquema de previsão de possíveis falhas em decorrência de seus relacionamentos com as outras cinco causas.

O processo de controle tem nos esquemas de mensuração uma de suas bases de sustentação. É preciso medir constantemente o que foi feito para que seja comparado com o padrão, que são os atributos, características de conformidade e desconformidade do subproduto. Os meios de medição, portanto, precisam de um protocolo de mensuração conhecidos por todos. Além disso, é necessário que os membros da equipe consigam ler e interpretar os resultados das diferentes mensurações, para que saibam como proceder, especialmente no efeito corretivo das desconformidades.

Finalmente, mas não o menos importante, o ambiente de produção precisa ser o mais propício possível em dois sentidos. Primeiro, em relação aos recursos necessários para que a inovação aconteça, o que inclui os fatores físicos, como máquinas e equipamentos, e extrafísicos, como os conhecimentos e motivações para tal; e segundo em relação ao comportamento dos membros da equipa, conformando o que se chama de ambiente de trabalho adequado, como a qualidade de vida no trabalho e clima organizacional elevado.

O controle dos atributos dos subprodutos não envolve apenas esquemas físicos, tangíveis. Adentra esferas extrafísicas, produtos das interações entre as pessoas da equipe e de toda a organização. Um subproduto, e por extensão todo produto, é consequência de recursos físicos e extrafísicos adequados, para que seus atributos não sejam alterados de forma a comprometer a eficácia desejada da tecnologia em processo de geração. Essas forças e recursos físicos e extrafísicos agem favorecendo ou descaracterizando aos poucos a conformidade de cada atributo. Por essa razão, precisa da atenção adequada para que seja detectada em tempo de evitar problemas maiores. Essa estratégia microoperacional precisa se adequar à estratégia em nível de produto, como será mostrado no próximo artigo.

*Daniel Nascimento-e-Silva é Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)

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