2 de julho de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Contratação habitacional bate recorde

O metalúrgico Mauro Costa já não mora mais em um apartamento alugado na periferia de Manaus. Ele é um dos 3.252 amazonenses que, nos últimos oito meses, tornaram realidade o sonho de adquirir a casa própria na capital

O metalúrgico Mauro Costa já não mora mais em um apartamento alugado na periferia de Manaus. Ele é um dos 3.252 amazonenses que, nos últimos oito meses, tornaram realidade o sonho de adquirir a casa própria na capital. A dívida contraída para o financiamento será amortizada nos próximos 30 anos a uma taxa de juros anual de 8,2% e 11,5% ao ano. Mesmo assim, Mauro se diz muito feliz. Razões não faltam, já que, há pouco mais de três anos, antes de o governo brasileiro mudar as regras de financiamento de imóveis, o metalúrgico sequer podia imaginar que um dia teria em mãos as chaves de sua casa.
A história de Mauro é um exemplo da nova realidade por que passa o mercado imobiliário amazonense desde meados de 2008. Com o retorno da estabilidade pós-crise e a retomada do ritmo de crescimento da economia industrial, Manaus vem registrando índices favoráveis no acumulado do ano, de acordo com dados divulgados pela Caixa Econômica Federal no início da semana.
A superintendente regional da Caixa no Amazonas, Noêmia de Sousa Jacob, revelou que o banco, no acumulado dos oito primeiros meses, obteve recorde de contratação habitacional no Estado, superando todo o volume emprestado em 2008. Segundo a executiva, os créditos no mês de agosto somaram R$ 184,7 milhões, ante os R$ 49,4 milhões realizados em igual período no ano passado, recursos que beneficiaram 3.252 famílias. “Esse incremento observado é reflexo da política de redução das taxas de juros, extensão do prazo de pagamento e dos contratos firmados com o governo do Estado que financiou imóveis para famílias com renda de até três salários mínimos”, analisou.

Recursos do FGTS

Os dados divulgados pela Caixa apontam ainda que, em comparação com o mesmo período do ano passado, o crescimento durante os oito primeiros meses do ano foi de 273% ou cerca de R$ 135 milhões em Manaus. O crédito imobiliário até o mês de agosto já superou em 57,86% o total observado em 2008, quando foram aplicados R$ 117 milhões.
Noêmia Jacob afirmou ainda que a maior parte dos financiamentos (2.209 contratos) utilizou recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), somando R$ 79 milhões. Já os empréstimos com recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) alcançaram a marca de R$ 105,4 milhões em 1.043 contratos. “Se observar a dinâmica imobiliária da capital, o feirão da Caixa serviu de indutor do mercado imobiliário, uma vez que os investimentos no setor da construção civil no Amazonas no período garantiram a geração de mais de 17 mil empregos, beneficiando mais de 13 mil pessoas”, explicou.

Menor tempo

Essas novas regras de redução dos juros nos empréstimos habitacionais com recursos do SBPE, que fizeram as prestações aprovadas pela Caixa caírem até 10,58% foram alguns dos fatores que levaram a psicóloga Maria das Graças Medeiros a optar pela forma de investimento. Com casa quitada após 12 anos no conjunto Colina do Aleixo (zona leste), a médica foi uma das beneficiadas pelo acordo feito pelos mutuários e a Caixa, onde ficou estabelecido menor tempo para o pagamento do imóvel. “Esse foi o melhor dos benefícios, já que os juros ficaram mais atrativos e o valor das prestações foram se reduzindo. Valeu a pena, porque é um investimento seguro e não há uma política nebulosa com relação aos acordos com mutuários”, refletiu.

Flexibilização das regras incentivou o segmento

Para a economista Cláudia Marcília Benzecry, ao estender os prazos de financiamento e flexibilizar regras de comprovação de renda do mutuário, o setor financeiro incentivou o aumento do financiamento imobiliário. No entendimento da especialista, com as condições de pagamento mais estáveis, a Caixa reduziu o nível de exigência no tocante à comprovação de renda, facilitando que trabalhadores autônomos e pequenos empresários pudessem obter financiamento de acordo com as condições oferecidas pelo governo estadual.
Apesar do cenário de crescimento, principalmente do mercado da casa própria, Cláudia Marcília avalia que ainda não se pode definir o fenômeno como ‘boom’. “Os amazonenses sem casa estão pensando em comprar em vez de alugar. Antes não podiam fazê-lo porque não tinham acesso ao crédito. Houve uma democratização no mercado financeiro, sem dúvida, mas ainda é cedo para se afirmar se a tendência será mantida até o fim do ano”, observou.
O economista Álvaro Smont mantém a mesma linha de pensamento, ao dizer que nem todas as classes sociais do Estado estão desfrutando da maior oferta de imóvel próprio. Em nota ao Jornal do Commercio, o especialista explicou que, apesar de as medidas do governo destinarem recursos específicos para as classes média e baixa, os maiores beneficiados do momento excelente por que passa esse mercado são os compradores das classes média e alta. “Para esses segmentos, a oferta de imóveis continua alta, o que gera uma forte concorrência entre os vendedores que flexibilizam as oportunidades de negócios. Por outro lado, mesmo com financiamentos específicos para a classe baixa, uma parte muito grande da população local nesse segmento não tem poder aquisitivo para assumir um financiamento”, finalizou o economista.

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