Contrapartida para auxílio ao governo no combate ao Covid-19

A indústria incentivada de Manaus deve entrar com sua expertise e capacidade produtiva para fabricar respiradores mecânicos, material de IPI e álcool gel, ajudando o Estado no combate à Covid-19. O governo estadual, por sua vez, acenou com o parcelamento de débitos de ICMS e revalidação de certidões negativas de débito, entre outras medidas para aliviar o caixa das empresas. Não foi desta vez, contudo, que comércio e serviços conseguiram uma flexibilização para o funcionamento de atividades não essenciais.

Em linhas gerais, este foi o saldo das medidas econômicas acertadas na reunião do governador Wilson Lima com lideranças do comércio, serviços e indústria, bem como representantes dos poderes Legislativo e Judiciário, e de órgãos de controle e da sociedade civil amazonense. O estafe estadual foi reforçado ainda pela presença do vice e chefe da Casa Civil, Carlos Almeida, e pelos secretários de Fazenda, Alex Del Giglio, de Saúde, Rodrigo Tobias, e de Comunicação, Daniela Assayag.

“Foi uma reunião muito proveitosa e mostrou que todos estão cientes da necessidade de encontrar soluções que aliem a garanta do achatamento da curva do coronavírus com a necessidade de sustentação da economia, evitando que as vidas que salvemos agora se percam depois, em decorrência dos efeitos do desemprego e da miséria”, asseverou ou o presidente do Codese (Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico) Manaus, Romero Reis.

Para o dirigente, o momento atua se assemelha ao de uma guerra e justifica o esforço concentrado de toda a sociedade, dado que governo estadual e prefeitura de Manaus também estão fazendo sua parte para conter a crise do Covid-19, preparando-se para aumentar o número de leitos e de profissionais de saúde na capital. Ele informou que o Codese, inclusive, deve lançar nesta semana a campanha “Manaus mais humana”, para arrecadar 10 mil cesta básicas e fazer um cadastro de trabalhadores voluntários para quando a “máquina de guerra estiver muito sobrecarregada”.

“O governo também deve ajudar com a liberação de R$ 40 milhões a R$ 50 milhões, pela Afeam, no sentido de reforçar o crédito para o capital de giro das pequenas e microempresas afetadas pela crise. Vale lembrar que todo mundo está muito preocupado também com a possibilidade de saques em suas lojas. A polícia vai ter que ir para a rua”, afiançou.

Esforço concentrado

O vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo, lembrou ao Jornal do Commercio que diversas empresas associadas estão colaborando no esforço concentrado anti-coronavírus, a exemplo da Aten, Recofarma – ambas estão produzindo álcool em gel –  e Tutiplast – está viabilizando a produção de máscaras para equipar os profissionais de saúde. Ciema e FPF, por outro lado, estão montando um protótipo de ventilador pulmonar que será testado na Sammel e, após essa fase, ser produzido nos Senais de todo o país.

“Estamos fazendo todo o esforço possível para viabilizar estas ações e outras. E acredito que o governo pode ajudar as empresas também com a postergação e parcelamento do ICMS, nesse período de crise. Saúde e economia são interdependentes. Você não pode abandonar uma em benefício da outra. De nossa parte, também não temos notícias de contaminação nas indústrias, pois estamos tendo todo o cuidado”, afiançou.

“Sem carreatas”

Procurado pelo Jornal do Commercio, o presidente FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ezra Azury, e da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, preferiram não entrar em detalhes sobre a reunião. Azury informou apenas que a reabertura do setor ficou para ser reavaliada após o término de validade do atual decreto 42.106/2020, no dia 7 de abril. 

“Infelizmente, nosso pleito não foi aceito. O governador nos disse que os casos de coronavírus estão aumentando na cidade e que acha temerário fazer a abertura do comércio enquanto não tivermos uma situação de controle, na qual as pessoas se sintam seguras para comprar. Entendo a ansiedade de todos nós para isso. Mas, temos que entender também que de nada adianta abri as lojas e não ter para quem vender”, lamentou o presidente da FCDL-AM, em vídeo distribuído aos associados da entidade e fornecido ao Jornal do Commercio.

No mesmo vídeo, o dirigente também fez um apelo a seus associados para que estes não entrem “nessa onda de fazer protestos e carreatas”, porque isso não ajudaria em nada o setor, dada a fraqueza de movimento de público percebida nas lojas e segmentos onde o funcionamento foi permitido. “É muito mais fácil que nos juntemos nesse momento e esperar por dias melhores, do que abrir de forma desorganizada, aumentar a curva do Covid-19, e não conseguir vendas. É mais fácil mantermos a ordem porque, se as coisas ficarem mais difíceis lá na frente, vamos precisar muito da polícia do nosso lado”, arrematou. 

Lista de chamada

Foram convidados para participar da reunião de ontem representantes da ALE-AM (Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas), do TJAM (Tribunal de Justiça do Amazonas), dos ministérios públicos Estadual e Federal (MPE e MPR), da DPE-AM (Defensoria Pública), do TCE-AM (Tribunal de Contas do Estado do Amazonas) e do MPT (Ministério Público do Trabalho). 

Do lado dos empresários, comparecerem lideranças da ACA (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes; Associação Comercial do Amazonas), da Associação de Empresários do Vieiralves, da Associação dos Notários e Registradores do Estado do Amazonas, da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas, da CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus), do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), do Codese, FCDL-AM, Fecomercio-AM, Fieam e Rede das Imobiliárias de Manaus.

Fonte: Marco Dassori

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