5 de março de 2021

‘Continuam usando protocolo da morte’ afirma Luiz Alberto Nicolau

Idealizada pelo setor de fisioterapia da Samel, a cápsula Vanessa conseguiu salvar pelo menos 5 mil pessoas acometidas pela Covid-19 no Amazonas, segundo Luiz Alberto Nicolau, diretor-presidente do grupo empresarial. Isso na fase mais aguda da crise na saúde do Estado, entre março, abril e maio deste ano.

Firme e ousado em suas declarações, Nicolau afirma que não existe mais pandemia no Amazonas. E que não é necessário mais o uso de máscaras, até mesmo em situações com aglomerações de pessoas. 

Nicolau demonstra ser um crítico contumaz do alarde que certas mídias, como o Jornal Nacional, fazem sobre a doença, espalhando hoje o pânico entre a população.

Aliada a uma ventilação não invasiva, a nova ferramenta quebrou todos os protocolos de tratamento preconizados pela OMS (Organização Mundial de Saúde) durante a pandemia do novo coronavírus, que até hoje recomenda a intubação orotraqueal de pacientes ainda na forma precoce da doença -um procedimento que funciona, na realidade, como uma antessala da morte, alerta Nicolau. “É um crime”, acrescenta.

Independente das críticas (prós e contras), a Samel decidiu ir a fundo na utilização da cápsula. Processou a OMS no Tribunal de Haia. Questionou as medidas do Estado em tratar doentes com a ventilação mecânica, um método muito invasivo que, em geral, acaba em mortes.

Mesmo assim, foi ignorado pelo governo do Amazonas nessa empreitada que tinha como objetivo só salvar vidas, sem ônus nenhum para as contas públicas, de forma gratuita.  Segundo Nicolau, a voz da Samel nesse sentido foi longe, ecoou em todo o mundo, ao declarar que o protocolo da OMS está errado.

“Na realidade, é um protocolo da morte. Ao contrário, nós decidimos aplicar o protocolo da vida, usando a cápsula Vanessa e adotando a ventilação não invasiva. Um recurso muito eficaz no tratamento dos doentes e que também protege os profissionais de saúde”, afirma. 

Ele relata que a cápsula Vanessa é uma criação do fisioterapeuta Manoel Amorim, chefe do setor de fisioterapia da Samel. E foi batizada com o nome da primeira paciente a chegar ao hospital com covid-19 e que se recuperou.

Posteriormente, o equipamento foi aperfeiçoado pelo Instituto Transire, que vem sendo um parceiro importante na difusão desse conhecimento nos outros Estados e até no exterior.

A cápsula já é hoje utilizada em São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso e em outros Estados do país, além dos Estados Unidos e da Bolívia.

Luiz Alberto Nicolau falou com exclusividade ao Jornal do Commercio.

Jornal do Commercio – Pode-se dizer que o sucesso no combate à covid-19 no Amazonas é atribuído a todos os profissionais de saúde, principalmente fisioterapeutas, de onde veio a ideia de criar a cápsula Vanessa?

Luiz Alberto Nicolau – Com certeza. A cápsula Vanessa surgiu de uma ideia do fisioterapeuta Manoel Amorim, chefe desse setor na Samel, sendo inclusive reconhecida pelo IPT (Instituto de Pesquisa Tecnológica). Em março e abril, em uma das fases mais agudas da covid-19 no Estado, conseguimos provar que a ferramenta é mais eficiente que um quadro de impressão negativa. E tem custo de apenas R$ 420, milhares de vezes menor que equipamentos muito sofisticados.

E conseguimos popularizar o uso da cápsula, que tem o nome da primeira paciente a chegar ao hospital da Samel e que se recuperou. Vimos que a intubação orotraqueal ainda na fase inicial da doença, como preconiza a OMS, é um procedimento muito  invasivo que mata os pacientes. É um crime contra a humanidade.

JC – E como é usada a cápsula?

Luiz Alberto – O método utiliza a ventilação não invasiva, protegendo tanto os pacientes como médicos, enfermeiros e seus auxiliares. De 1.500 profissionais que trabalharam no tratamento de doentes, não perdemos nenhum deles. A cápsula foi aperfeiçoada pelo Instituto Transire que produziu 200 unidades e disponibilizou para vários municípios do Amazonas e Estados como Acre, Maranhão, Mato Grosso, Santa Catarina. E até para a Bolívia e Estados Unidos.

Não tínhamos fins lucrativos. Nosso objetivo sempre foi salvar vidas. Por isso, o instituto agiu com uma visão de quebrar patente para permitir que esse novo método fosse levado gratuitamente para outras regiões. Então, acreditamos que pelo menos 5 mil pessoas foram salvas da covid-19 graças à cápsula e à ventilação não invasiva.

JC – Como surgiu essa ideia?

Luiz Alberto – O projeto surgiu de uma ideia do fisioterapeuta Manoel Amorim, chefe desse setor na Samel. E os pacientes muito se beneficiaram da estratégia de ventilação não  invasiva, tudo ao contrário do que recomenda a Organização Mundial de Saúde.

JC – Observa-se muitos equívocos no combate à covid-19, como o uso ou não da cloroquina, da dexametasona etc, principalmente oriundos de um organismo internacional como a OMS. Quando vocês perceberam que não deveriam seguir essas recomendações preconizadas?

Luiz Alberto – Nós inclusive nos posicionamos firmemente contra a OMS. Movemos um processo no Tribunal de Haia contra o que consideramos um genocídio, como o uso da ventilação mecânica ainda na fase inicial da doença. E que o paciente só deve buscar ajuda médica quando manifestar todos os sintomas do novo coronavírus. Tudo errado.

É um crime contra a humanidade. A OMS deve explicações ao mundo. Até o governo do Amazonas embarcou nessa história. Desde março, falamos do tratamento precoce sem ventilação não invasiva com a cápsula Vanessa, mas fomos ignorados pelas autoridades de saúde do Estado. O nosso posicionamento continua sendo o mesmo.

JC – E a pandemia está controlada no Amazonas?

Luiz Alberto – Continuamos afirmando que a pandemia acabou em Manaus. Na fase mais aguda, chegamos a ter 159 pessoas internadas e a fazer 50 por dia, em média. Não são dados de gabinete, aquela coisa de síndrome de paletó vazio, em que a pessoa fica só em escritórios. São números de quem fica 24 horas dentro do hospital, nas UTIs, enfermarias, prontos-socorros.

E garantimos –a situação de pandemia, como se apresentava antes, muito exacerbada, acabou em Manaus. Hoje, fazemos, em média, duas internações diárias. E tem dia que não tem nenhuma. Todas essas informações estão no Samel Health Tech, que é uma parceria com o Instituto Transire. Temos um grande ‘big deatch’ (próximas mortes) que podemos projetar para o futuro.

Fico admirado com universidades, como a UEA e a Ufam, falando sobre o risco de uma segunda onda da pandemia, bem maior que a primeira. Elas deveriam ter a hombridade moral e vir a público dizer que erraram.

JC – Com a reabertura do comércio e das atividades, isso não causa nenhum tipo de problema, não possibilitaria o surgimento de uma segunda onda?

Luiz Alberto – Pelo tempo, já deveria ter acontecido. Mas, na prática, essa segunda onda não vai acontecer. Podemos ter casos isolados, pode vir até no ano que vem, mas agora, abrimos o comércio em primeiro de junho e não teve impacto nenhum.

Na verdade, Manaus não teve lockdown e não é exemplo para o Brasil, exceto o nosso tratamento com a cápsula Vanessa, ventilação não invasiva. Essa possível ameaça interessa mais para a mídia, que faz alarde, com o Jornal Nacional, da Rede Globo. Muita gente lucrou com a doença, empresários, gestores, e a própria imprensa.

JC – Já que os protocolos da OMS estão errados, então é necessário ainda continuar usando máscara, manter distanciamento, evitar aglomerações, além de outros métodos de prevenção?

Luiz Alberto – Acho ainda interessante o uso de máscara. Agora, evitar aglomerações, honestamente, não vejo necessidade. Você passa pela BR-174, Ponta Negra, e vê  centenas de pessoas aglomeradas. Acho uma hipocrisia o que acontece em São Paulo, que restringe o horário de funcionamento de shoppings. É melhor liberar tudo de uma vez só, pois só assim se evitaria aglomerações. O público ficaria diluído.

Acho que já está acontecendo no Amazonas a imunidade de rebanho, pois muita gente já adquiriu anticorpos. Minhas orientações seriam levar uma vida normal em Manaus, com funcionamento de tudo. Quando mais se precisou de máscara, na fase mais agressiva da Covid-19, ninguém usou. Era uma vida louca na cidade. É fora de propósito continuar usando álcool em gel.  

JC – A pandemia mostrou uma falência do sistema público de saúde ou até mesmo da iniciativa privada no Amazonas?

Luiz Alberto – Mostrou principalmente na rede pública de saúde. A Covid-19 veio para mostrar que não temos a menor estrutura para enfrentar uma pandemia. Desde o início do coronavírus, o governo do Amazonas falava que 90% das UTIs estavam em situação de colapso, mas na realidade foram 100%. É uma mentira descarada, pois ninguém conseguia um leito de UTI.

JC – E a situação no interior?

Luiz Alberto – Por ironia do destino, foi bom para o interior não contar com UTIs, pois a ausência de intubação orotraqueal permitiu, felizmente, que centenas de pessoas não morressem. É um revés positivo que beneficiou muita gente.

Então, o que é uma deficiência na saúde do Amazonas, acabou se tornando um mal necessário. Só corrobora com a nossa tese de que a intubação orotraqueal precoce mata. E quando você fala em vidas, podemos falar em famílias. Tivemos relatos de que, de sete pessoas de uma mesma família, cinco, seis morreram com a doença. Mas o governo do Amazonas ainda insiste no erro de usar o protocolo da OMS.

JC –De alguma forma, vocês estão disseminando esses conhecimentos, trabalhos científicos, com base nos dados desenvolvidos no enfrentamento à pandemia?

Luiz Alberto – Desde o início da pandemia, concluímos que não era hora de se fazer trabalho científico, mas sim de salvar vidas. Mas de dois meses para cá, conseguimos achatar essa curva, aliviar o trabalho do hospital. Agora, sim, vamos fazer trabalho científico.

Em parceria com o Instituto Transire, o primeiro trabalho da Samel nesse sentido foi publicado numa revista norte-americana. E também com a ajuda do IPT, mostramos que a cápsula Vanessa é mais potente do que um  quarto de impressão negativa, custando mil vezes menos que outros métodos.

O Instituto Transire produziu 2.200 cápsulas que foram distribuídas em vários municípios da nossa região. A Samel deu treinamento, inclusive, indo presencialmente em outros Estados e outros países, sem cobrar nada.

Nenhuma palestra e cápsula foram vendidas para salvarmos milhares de vida. Agora, esperamos salvar milhões de pessoas.

JC – Os indígenas são mais vulneráveis à covid-19. Existe algum projeto para levar atendimento a essa população, como em São Gabriel da Cachoeira, considerado o município mais indígena do Brasil?

Luiz Alberto – Em Manaus, tratamos 29 indígenas e, graças a Deus, nenhum morreu. Instalamos o nosso protocolo em São Gabriel, Tabatinga, Boa Vista, Venezuela. Não temos ainda dados oficiais, mas acreditamos ter salvo dezenas de vidas nessas localidades. Em Boa vista, de 100 internados, 25% são de várias etnias indígenas.

JC – Qual o legado deixado pela pandemia em termos de aprendizado para profissionais e também a gestores de saúde do Amazonas?

Luiz Alberto – Nosso principal legado é termos salvo milhares de vida. E a maior parceria foi com o instituto Transire, com a Justiça Federal, para que se pudesse alocar recursos em P&D, pesquisa e desenvolvimento. Conseguimos produzir a cápsula Vanessa em escala industrial e possibilitamos sua distribuição gratuitamente.

E ainda permitindo que o protocolo da Samel chegasse a outros municípios e a outras regiões além da área de abrangência do Amazonas.

Não restringimos o tratamento apenas aos nossos 100 mil usuários. Falamos para o mundo inteiro que a OMS está errada, mas poucas pessoas nos deram atenção. O Instituto Transire decidiu investir nessa prática, que é bem-sucedida, conseguindo salvar milhares de vidas.

JC – O Instituto Transire pode ser uma grande escola em Manaus, espalhando todo esse conhecimento tecnológico?

Luiz Alberto – Já está nos planos do Instituto Transire fazer isso. É a instituição que mais tem ciência aplicada. Tem uma parceria muito grande com a UEA e outras universidades. Eles têm muito mais condições de ensinar do que a Samel. É um  lugar de resultados e um orgulho para o Estado do Amazonas. Vale a pena todo mundo conhecer. É uma instituição que gera patentes.

JC – Quando vocês devem inaugurar o novo hospital?

Luiz Alberto – A inauguração estava prevista para 26 de novembro deste ano, mas foi postergada. Deve acontecer no ano que vem. Iniciaremos com 80 leitos e, posteriormente, serão 240, que devem ocupar o prédio de 16 andares. Já com robótica e equipamentos de alta complexidade.

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