10 de abril de 2021

Consumo em restaurantes do AM tem queda, mostra pesquisa

Era de se esperar que a crise sanitária apontasse um diagnóstico dos efeitos da pandemia no segmento de restaurantes. No Amazonas o setor contabiliza uma queda brusca de 70% nos número de receita, de empregos e de estabelecimentos que encerraram as atividades em definitivo. Os prejuízos potencializados pela sequência de vários decretos durante a pandemia do Coronavírus levou a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), em parceria com a Alelo, bandeira especializada em benefícios, incentivos e gestão de despesas corporativas, realizarem um pesquisa sobre a queda no consumo em restaurantes, bares, lanchonetes e padarias no mês de janeiro.

No primeiro mês de 2021, as consequências nesses estabelecimentos fizeram o valor gasto nesses estabelecimentos chegar a 47,4%, já o consumo nos estabelecimentos do Estado foi 58,0% inferior em volume. 

Outros dados relevantes dos ICR (Índices de Consumo em Restaurantes) mostram ainda que houve uma grande redução no volume de transações, que registraram baixa de 58%.  Além disso, o número de estabelecimentos que realizaram operações foi 28,5% inferior. 

O presidente da Alelo explica que o agravamento da situação sanitária no Estado do Amazonas e a implantação de medidas restritivas têm impactado diretamente os estabelecimentos desse segmento. “Ao analisarmos os números de dezembro de 2020, valor gasto (-24,8%), volume das transações (-33,2%) e número de estabelecimentos que realizaram alguma venda no período (-14,1%), quando comparados ao mesmo período de 2019, observamos que em janeiro houve uma queda significativa nos três indicadores”.

Movimento fraco

Embora o setor tenha retomado as atividades por meio do decreto estadual e o número de demandas por aplicativos tenha tido um aumento, um levantamento realizado pela a Abrasel-AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Amazonas), revelou que apenas 55% dos empresários diziam estar conseguindo trabalhar após a flexibilização do novo decreto. 

Conforme o presidente da entidade, Fábio Cunha, as  medidas não contemplaram todos os nichos do setor e ao menos 45%  de portas fechadas porque os serviços são oferecidos exclusivamente à noite. “Está mais direcionado aos restaurantes que oferecem almoço. O decreto possibilita a extensão do horário até às 20h, mas nem todos estabelecimentos que funcionam durante a noite optaram por essa retomada”, afirma o presidente da Abrasel-AM, Fábio Cunha. 

Ele lembra ainda que na semana de reabertura os empresários que conseguiram retomar as atividades, cerca de 84% registraram ocupação abaixo dos 50% estabelecidos pelo decreto governamental 

Segundo Cunha, o movimento ainda está muito fraco e a retração ainda é grande, e atribuiu três fatores responsáveis pelos prejuízos econômicos: o medo das pessoas, a política do  trabalho home office e a ausência de ajuda por meio do auxílio emergencial. “A economia ainda está retraída e segue a queda no consumo”. 

Outros dados

Segundo o levantamento, o parâmetro, o valor gasto em restaurantes, indica que as regiões mais impactadas em janeiro foram a Norte (-33,9%) e a Sudeste (-28,1%), e as menos afetadas foram as regiões Sul (-22,7%) e Nordeste (-22,7%).  

Em relação aos ICS (Índices de Consumo em Supermercados), os dados de janeiro, quando comparados ao mesmo período de 2019, indicam que o segmento teve um aumento de 7,7% no valor gasto, ao passo que o volume de transações foi 7,6% inferior. Adicionalmente, o número de estabelecimentos que efetivaram transações encerrou o mês 0,4% abaixo do patamar registrado em janeiro de 2019. 

Vale destacar que os ICS acompanham as transações realizadas em estabelecimentos como supermercados, quitandas, mercearias, hortifrútis, sacolões, entre outros; e os Índices de Consumo em Restaurantes apontam a evolução do consumo de refeições prontas em estabelecimentos como restaurantes, bares, lanchonetes, padarias, além de serviços de entrega (delivery) e retirada em balcão/para viagem (pick-up). Ambos são calculados com base nas operações realizadas a partir da utilização dos cartões Alelo Alimentação e Alelo Refeição, em todo território nacional. Além disso, é importante notar que a escolha do ano de 2019 para o cálculo dos impactos do consumo se dá pelo fato de que esse ano foi a última referência completa de um período dentro da normalidade da atividade econômica, que ocorreu antes da pandemia.  

Metodologia  

Todos os índices foram elaborados e depurados com base em critérios estatísticos para garantir a focalização, a consistência e a interpretação dos resultados ao longo do tempo:  

Em relação às amostras todos os índices são calculados a partir de dados diários de transações realizadas em estabelecimentos comerciais distribuídos por todo o território nacional, entre 1º de janeiro de 2018 e 31 de janeiro de 2020. 

Nos valores atípicos: para evitar oscilações nos índices decorrentes de eventuais entradas ou saídas de empregadores de grande porte na base de dados, observações associadas a empresas que se enquadram nesses critérios foram desconsideradas nos cálculos. 

Foram adotados ainda os seguintes procedimentos para mitigar a influência de fatores sazonais: (i) cálculo de média móvel de 7 dias (dados do dia observado e dos 6 dias anteriores a ele), eliminando assim os efeitos dos dias úteis e finais de semana sobre as séries; (ii) identificação e filtragem de fatores sazonais relacionados ao comportamento das séries em dias específicos dentro de cada mês (1º dia, 5º dia, 10º dia…), por conta do calendário de recarga e distribuição temporal do uso dos benefícios nos estabelecimentos no período. 

Todos os índices são apresentados com frequência diária para todo o período disponível da amostra, tendo por referência inicial (base 100) a média diária em janeiro de 2018. Os impactos calculados estão disponíveis para todos os dias, quinzenas e meses de 2020. 

Foto/Destaque: Divulgação

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