Consumo de ovos no Amazonas cresce na pandemia

Cresce no Amazonas o consumo de ovos de galinha durante a pandemia. O alto preço de outros produtos que costumavam figurar na mesa das famílias levou grande parte da população a optar pelo item no cardápio diariamente.  A grave crise sanitária e o impacto na vida econômica obrigaram muita gente a se reinventar para sobreviver. O custo de vida dispara e poucas pessoas têm condições de enfrentar as adversidades por conta do dinheiro cada vez mais minguado.

Só no ano passado, o Estado produziu mais de 63 milhões de dúzias de ovos de galinha, mas mesmo assim a quantidade não é suficiente para atender à demanda do mercado consumidor local que cresce assustadoramente nesse período, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas).

O Amazonas lidera o ranking de produção de ovos na Região Norte. E é  o 12º do País entre os Estados produtores do item, rico em proteínas e essencial na mesa do brasileiro. “Essa proteína não tem restrição de horários e pode ser consumida por qualquer faixa etária”, afirma a nutricionista Lívia Andrade. “Mas os portadores de insuficiência renal e de outras patologias devem consultar um médico para avaliar os níveis de consumo”,  acrescenta ela.

Nunca o amazonense comeu tantos ovos de múltiplas formas – cozido, frito ou adicionado a outros alimentos básicos. No ano passado, cada brasileiro consumiu até 260 unidades, de acordo com os dados do IBGE,

Com o preço da carne vermelha (de boi) nas alturas, o amazonense optou mesmo pelo consumo de ovos, de fácil acesso e mais democrático. O frango vem como segunda opção, mas continiua ‘salgado’ para muitos que vivem só com um salário mínimo.

“As crianças gostam muito. Levamos sempre ovo pra casa”, diz Gideão Oliveira, ministro religioso. Vicente Gomes, outro grande consumidor do item, afirm que a família consome, em média, quatro cartelas do produto por mês – uma por semana. “Faz muito bem à saúde, além de ser muito gostoso e nutritivo”, afirma.

Empresária do ramo de alimentos já prontos para o consumo, Maria Peixoto oferece mais de 50 itens que têm como principal ingrediente o ovo de galinha. E fez até parceria com uma grande de Manaus para não deixar faltar o produto em sua empresa devido à alta demanda no mercado. Com foco em várias iguarias, seus negócios prosperaram na capital.

“O ovo serve pra tudo. para o preparo de uma infinidade de produtos. É mais democrático e qualquer pessoa pode pagar, consumi-lo”, afirma a empresária.  

O consumo de ovos a tingiu um volume recorde. Há 20 anos, cada brasileiro comia 94 unidades por ano. Dez anos atrás, esse número subiu para 148 ovos.

No mundo

Hoje, o brasileiro come mais ovos que a média do cidadão mundial, que é de 230 ovos por ano. O alimento, que até poucos anos atrás figurava entre os vilões da saúde, condenado pelo teor de colesterol, migrou para as páginas da alimentação saudável.

A indústria e as galinhas fizeram sua parte, com nada menos que 1.500 ovos por segundo produzidos no Brasil. As chamadas ‘poedeiras’, como são conhecidas as galinhas nas granjas, entregaram 53 bilhões de ovos em 2020. Neste ano, a produção deve chegar a 56 bilhões de unidades, segundo produtores.

Com o volume recorde de consumo e alta de preços nas gôndolas do supermercado, tudo indicaria que a vida do produtor nacional de ovos já está ganha. Mas a coisa não é bem assim. Ironicamente, a indústria de ovos vive, atualmente, entre a cruz e a espada, devido ao preço do milho e do farelo de soja, a ração dos animais, insumo que responde por mais de 81% do custo de produção da proteína.

Em abril de 2020, uma saca de 60 quilos de milho era comprada, no Paraná, por R$ 46. Hoje, essa mesma saca custa R$ 98. São 110% de aumento. Nesse mesmo intervalo, o preço do ovo praticado pelo produtor registrou alta de 19%. É o “efeito China”, que tem determinado o preço do ovo frito que chega ao prato feito do cidadão.

“Vivemos realmente uma fase recorde de consumo e isso é bom. Mais de 50% da população brasileira reconhece o ovo como o segundo melhor alimento, depois do leite materno. Fomos declarados como serviço essencial para não deixar faltar comida na mesa da população. Mas houve um salto especulativo dos insumos que está prejudicando muita gente”, diz Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Em 2020, o valor bruto de produção de ovos chegou a R$ 19,1 bilhões. A previsão é de que haja um aumento de 5,2% neste ano, com movimento de R$ 20,1 bilhões, estima a Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq) da Universidade de São Paulo acompanha a evolução do mercado de ovos no País, desde 2013.

Foto/Destaque: Divulgação

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