Consumo de alimentos na região Norte mudou na última década

A região Norte ainda é a que mais consome peixe e farinha, mas o hábito vem sendo reduzido ao longo dos anos, segundo o IBGE. Em uma década, a frequência regional de consumo de peixe foi de 21% (2008-2009) para 16,6% (2017-2018). No caso da farinha, o percentual retrocedeu de 47,5% para 40,6%, no mesmo período. Ainda assim, a região Norte ficou bem à frente do Nordeste (8,2% e 20,1%, respectivamente), o segundo colocado no ranking.

O Norte também foi a região onde o consumo de alimentos fora de casas mais caiu – de 42,6% (2008-2009) para 30,5% (2017-2018) –, sendo que os itens mais procurados fora do domicilio foram cerveja (78,1%), destilados (72,4%) e vinho (61,6%). Em uma lista de 101 itens, o feijão foi o que perdeu demanda, ao mesmo tempo em que aumentou o consumo de óleos e gorduras, assim como o de sanduíches. Os dados estão na Pesquisa de Orçamentos Familiares, compilada e divulgada pelo IBGE.

Considerando a lista investigada pelo IBGE, de 2008-2009 para 2017-2018, a frequência de consumo caiu para alimentos tradicionais, como feijão (de 57,7% para 44,1%), o arroz (76,9% para 73%), farinha de mandioca (47,5% para 40,6%), pão de sal (53,4% para 52,3%), carne bovina (47,4% para 39%) e peixe fresco (21% para 16,6%). O mesmo pode ser dito para os ovos (16% para 10,9%), leite integral (11,2% para 3,4%), salgados fritos e assados (13,4% para 9,2%), refrigerantes (19,7% para 12,3%) e queijos (6,1% para 3,3%).

Se todos esses alimentos comuns na mesa do amazonense sofreram quedas na frequência do consumo, outros tiveram alta. É o caso das aves, onde foi detectado um aumento de 26,8% para 29,2%. Na sequência, vieram óleos e gorduras (36,5% para 46,7%), açaí (9% para 12,4%), café (82,8% para 83,3%), preparações à base de leite (5,9% para 8%) e sanduíches (5,5% para 9,3%).

Café e arroz 

Considerando a quantidade de alimento consumida diariamente por cada pessoa de 10 anos ou mais de idade (consumo diário per capita), o IBGE concluiu que o café (135,3 gramas/dia) e o arroz (130,2 gramas/dia) lideraram as preferências na região Norte, em 2017-2018. Os sucos industrializados vinham em terceiro lugar (120,2 g/dia per capita), seguidos pelo feijão (105,4 g/dia) e as sopas e caldos (64,7 g/dia per capita, em média).

Carne bovina (58,6 g/dia), o pão de sal (53,5 g/dia), aves (51,8 g/dia), refrigerantes (48,3 g/dia) e peixe fresco (45,0 g/dia) mantiveram números significativos – assim como itens regionais, a exemplo do açaí (45,4 g/dia) e da farinha (38 g/dia). Na outra ponta, chuchu (0,1%), repolho (0,2%), cenoura e pepino (ambos com 0,3%) foram os menos demandados, além de terem sofrido queda em relação a 2008-2009 – 0,2%, 0,5%,0,7% e 0,6%, respectivamente.

Bebidas alcoólicas

Entre 2008 e 2018, a Região Norte, dentre as demais, apresentou a redução mais expressiva do percentual de pessoas que consumiam alimentos fora de casa. O percentual passou de 42,6% da população de 10 anos ou mais de idade para 30,5%, nesse período. De modo geral, houve redução da prevalência de consumo alimentar fora do domicílio no Brasil como um todo (de 40,2% em 2008-2009 para 36,5% em 2017-2018).

Os três alimentos mais consumidos fora de casa na Região Norte eram bebidas alcoólicas: cerveja (78,1%, em relação ao total consumido), bebidas destiladas (72,4%) e vinho (61,6%). Em seguida vieram “outras bebidas não alcoólicas” (50,1%), seguida por categoria de alimentos sólidos, como “outros doces” (46,2%), salgadinhos chips (45,5%), sorvete/picolé (38,9%), salgados fritos e assados (38,8%), pizzas (35,2%) e refrigerantes (31,2%).

Fatores para mudança

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, destaca que, entre a penúltima e a última pesquisa, os dados apontam para uma queda significativa na frequência do consumo de alimentos tradicionais. Outro dado que chama a atenção, segundo o pesquisador, é o fato de que a maior parte dos habitantes da região Norte sai de casa mais para beber do que para comer.

“Há diversos fatores que podem estar influenciando o comportamento: maior diversidade de alimentos, mudança de costume alimentar, melhoria da renda, queda da renda, e até mesmo a acessibilidade ao produto. No entanto, ainda há alimentos que continuaram subindo na preferência das pessoas, e até mesmo outros que entraram no grupo, nos últimos anos. Já no consumo per capita, ainda prevalecem os alimentos tradicionais. A pesquisa também mostra a pouca preferência do nortista por verduras e legumes”, concluiu.

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