Consumidor tenta se adaptar ao novo valor da cesta básica

O incremento na cesta básica começa refletir no comportamento do consumidor. Muitas famílias estão refazendo a lista de supermercado com a missão de escolher produtos mais baratos. A tendência é que essa atitude prospere durante os próximos meses. 

A dona de casa, Raimunda Oliveira, 57, diz que ainda não observou uma alta tão relevante nos preços dos alimentos, mas sente que alguns produtos tendem a sofrer aumento devido a escassez e a grande demanda. E que se prepara para substituir, se necessário, alguns itens da cesta. “O preço do arroz disparou em algumas regiões. Aqui em Manaus ainda estamos encontrando de R$ 3,89 para mais. Eu espero que não chegue a custar R$ 40 como em outros lugares”. 

Alberto Santos, representante do grupo Nova Era, afirma que o reflexo no preço dos alimentos, de fato, começou esta semana, porém  ainda não deu para perceber as mudanças no hábito de consumo das pessoas. Mas que os efeitos com certeza serão sentidos. “A tendência é mudar o comportamento sim, pois itens commodities vão sofrer grandes impactos nos custos.Já estamos tendo reflexo no preço nas lojas”.

De acordo com o representante do grupo, entre os itens que sofreram alta estão:  o óleo de soja, açúcar, arroz, margarina, massas e o trigo, além do feijão que aumentou o custo fortemente. “As alterações serão fortes em tudo. Está faltando matéria prima. A exportação aquecida”.

Na semana passada, o vice-presidente da Amase (Associação Amazonense dos Supermercados), Ralph Assayag, informou que de junho até setembro houve um acréscimo de 30% no óleo de soja, no feijão 40% e no arroz 25%. Ele justificou que a alta em relação aos grãos como feijão, arroz e farinha está relacionada a escassez dos itens no mercado, além das altas temperaturas atrelado a diminuição da safra. 

A carne bovina, uma das proteínas que faz parte da mesa do brasileiro, está entre as vilãs do carrinho do consumidor que mais aumentou. O proprietário do Baratão da Carne, Edilson Rufino, confirma a alta e diz que a Alcatra, por exemplo, está custando em média R$ 35. A pá com osso, R$ 25. Ele lembra que no início do ano a alcatra custava em torno de R$ 22. 

Quem confirma a diferença no valor da carne é a professora Lia Simplício, 32. Ela já adotou a substituição da carne pelo frango. “O frango nessas horas é sempre o nosso aliado. Eu também estou substituindo a carne vermelha pela linguiça de frango que custa em torno de R$ 15 o quilo. Não tem jeito. Esse tipo de inflação afeta em cheio o nosso bolso. Vamos nos adequando”. 

Geralda Freitas, 51, conta que vai tentar balancear o famoso PF (prato feito) que ela vende para os clientes. Sobre esse equilíbrio, ela diz que pretende tirar do cardápio algumas opções e investir na proteína animal como a carne suína e o frango e diversificar as saladas aumentando as porções.

Em conversa com o Jornal do Commercio, Ralph Assayag, reiterou que existe aqui na região alguns produtos que entram na cesta básica que tiveram aumento porque o calor excessivo diminui a safra e ressaltou que infelizmente vai ser um período que vai atrapalhar e mudar os hábitos em relação ao consumo de alguns produtos fora da cesta básica. 

Por dentro

No mês de agosto, a  inflação oficial do país, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), ficou em 0,24%, alimentos e gasolina foram os grandes responsáveis pelo resultado. Apesar da retração em relação a julho 0,36%, o levantamento divulgado hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), é considerado o mais alto do país em quatro anos.

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