6 de maio de 2021

Consumidor sinaliza ser mais seletivo nas compras

O reaquecimento do último trimestre do ano impulsionou a gradual retomada do otimismo do consumidor, que voltou a crescer neste mês. Mas, o medo da inflação e do desemprego mantém a confiança em níveis historicamente mais baixos. Em sintonia, dois em cada três brasileiros avaliam que o país vai levar mais de um ano para sair da crise da covid-19 e um contingente significativo sinaliza poupar mais e comprar menos. Confrontadas pelos números, lideranças do varejo e da indústria amazonense dizem aguardar um 2021 melhor e que tudo vai depender da vacina e da evolução da pandemia. 

Os dados estão em duas pesquisas da CNI (Confederação Nacional da Indústria). O INEC (Índice Nacional de Expectativa do Consumidor) subiu para 43,8 pontos em dezembro, mas ficou abaixo da marca de 12 meses atrás (47,3 pontos) – sendo que valores abaixo de 50 pontos indicam falta de confiança. O estudo Retratos da Sociedade Brasileira, por outro lado, aponta que 25% querem economizando após a pandemia e que 49% dos beneficiados pelo auxílio emergencial – que termina neste mês – usaram o dinheiro para comprar bens de consumo. 

De acordo com o INEC, apesar da retomada, os brasileiros avaliam que o desemprego e a inflação continuarão em alta em 2021. O índice de expectativa do desemprego avançou para 66,6 pontos, assim com o da inflação para 71,9 pontos. “Ambos os índices seguem muito acima do que era observado em dezembro de 2019, marcando a deterioração das expectativas dos consumidores para essas variáveis econômicas no ano de 2020″, assinala o texto da sondagem. Os consumidores, no entanto, manifestam expectativa de aumento da própria renda (47,5 pontos) e da compra de bens de maior valor (55,8), com incrementos respectivos de 3,1 p.p. e de 1,4 p.p.

Brasileiros que ganham entre um e cinco salários mínimos são os mais confiantes, enquanto os que se situam nos extremos indicaram estabilidade na confiança. “Cabe também ressaltar que as pessoas cuja renda familiar é maior que cinco salários mínimos foram as que tiveram a pior deterioração no índice de expectativa do consumidor em relação a dezembro de 2019”, assinalou o texto da pesquisa do INEC.

O otimismo é maior nas regiões Norte e Centro-Oeste (47,1 pontos), com alta de 1,8 p.p. entre setembro e dezembro e baixa de 1,7 p.p. ante dezembro de 2019. Na sequência estão as regiões Sul (44,7), Nordeste (44,4) e Sudeste (42,1). Pessoas com ensino superior completo (44,2 pontos) estão mais otimistas, em detrimento dos que têm ensino médio e fundamental completos (43,6) ou dos que cursaram até a 4ª série do fundamental (44).

‘Novo normal’

Já o levantamento Retratos da Sociedade Brasileira revelou que 43% perderam renda durante a pandemia e que, diante do cenário de crise e incerteza, 35% pretendem reduzir o consumo de bens e serviços, em 2021, na comparação com o pré-pandemia – embora 41% afirmem que irão manter. “Consegui economizar durante a pandemia e quero continuar economizando”: foi o principal motivo para 25% dos entrevistados que manifestaram o desejo de reduzir o consumo, seguido por “pretendo mudar certos hábitos depois da pandemia” (24%) e “Minha renda ou de minha família caiu/ deve cair” (21%). 

O levantamento sinaliza que algumas das mudanças no consumo tendem a se estender para 2021, no ‘novo normal’ surgido com a crise da covid-19. Alimentos no supermercado (32%), produtos de limpeza (30%) e de higiene pessoal (29%) concentram as maiores perspectivas de consumo para os próximos 12 meses. Em contrapartida, um em cada quatro entrevistados diz que comprará mais roupas, bolsas, acessórios e calçados no próximo ano.

Pelo menos 32% afirmam que conseguiram guardar mais dinheiro ou gastar menos do que antes da pandemia – com participação maior entre os homens (36%) e os jovens de 16 a 24 anos (44%). Para 56%, o principal motivo para tanto está associado aos riscos e incertezas trazidos pela pandemia. Em sintonia, 59% pretendem poupar mais em 2021 do que poupavam antes da pandemia e 54% justificam isso pela vontade de ter recursos para usar em uma emergência.

“Recuperação dos prejuízos”

O presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva, lembra que ambas as pesquisas são de opinião e demonstram tendências – que podem se confirmar ou não. O dirigente destaca que a INEC aponta elevado índice de confiança para os consumidores da região, sinalizando perspectiva de melhora que, “compreensivelmente”, é menor do que 2019, quando não havia pandemia. 

“Quanto à recuperação da economia, é um assunto que requer um pouco de conhecimento econômico e, infelizmente, nem todos têm. As variáveis que são avaliadas pelos especialistas sugerem que, em 2021 seria possível haver recuperação da economia brasileira, visto que alguns segmentos até conseguiram reposição das perdas – senão na totalidade, mas em aproximadamente 80%. Embora outros segmentos tenham tido um pouco mais de dificuldade, é esperado pelos entendidos que alcancem no próximo ano a recuperação dos prejuízos de 2020”, afiançou.

Sem lockdown

Na mesma linha, embora mais veemente, o presidente da CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag, informa que a maior parte dos comerciantes locais já conseguiu repor as perdas impostas pelo fechamento de abril/maio, com crescimento médio de 3% a 4% para o setor, e sinalização de alta de 4% a 5% para o Natal. O dirigente avalia que a tendência de recuperação sinaliza manutenção em 2021, apesar do fim do auxílio emergencial, mas se diz apreensivo em relação aos dados da saúde. 

“A retirada do benefício está sendo compensada por novos empreendimentos e criação de empregos, o que gera mais consumo. É verdade que tivemos o encerramento de 1.500 empresas pequenas, na metade do ano. Mas, só em dezembro, já tivemos a abertura de 28 novas lojas. Há aquecimento e o resultado de vendas é aceitável, sendo que alguns estão crescendo até 40%. Se tivermos a vacina em fevereiro, sem sobressaltos, podemos esperar aumento de investimento e consumo. O problema está na falta de cuidado da população e no aumento de casos e de internações. Esperamos não passar pelo mesmo que a Inglaterra [que fez um novo lockdown]”, concluiu. 

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