Consumidor gasta mais com supermercados, aponta Serasa

O setor supermercadista, que responde por 52% do faturamento realizado através de meios eletrônicos de pagamento (débito e crédito), tem sido o responsável pela maior parte das dívidas por meio de pagamento nos cartões. Os dados são da pesquisa “Perfil e Comportamento do Endividamento Brasileiro 2023”, divulgada pela Serasa, revelou que a maior parte das dívidas (59%) de cartão de crédito entre os brasileiros é referente a compras em supermercados.

Conforme a Serasa, no Norte, 56% das dívidas de cartão de crédito são de compras em supermercados. A título de comparação, caso queira acrescentar no Sudeste o percentual é 61%, Nordeste 59%, Centro-Oeste 57% e Sul 56%.

No mesmo compasso, uma outra pesquisa realizada pelo Nepe (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Economia), da UEA (Universidade do Estado do Amazonas), aponta que um trabalhador que recebe um salário mínimo de R$1.221, já com os descontos da previdência social, tem cerca de 50,39% da sua renda mensal comprometida para a cesta básica.

O preço médio da cesta básica em Manaus no mês de outubro de 2023 foi de R$ 615,26. Houve um aumento de aproximadamente 6,56% com relação ao valor da cesta de setembro de 2023 (R$577,39) e um aumento de 3,5% de outubro de 2022 para o mês outubro de 2023 calculada por esta mesma pesquisa.

Em relação ao valor da cesta básica por zona, a Sul da capital, lidera a média do valor da cesta básica com R$ 643,27; zona Centro-Sul com R$ 626,02; zona Norte com R$ 618,83; zona Centro-Oeste com R$ 603,14; zona Leste com R$ 583,92 e zona Oeste com R$ 580,14. Além disso, as zonas Norte, Centro-Sul, Sul e Centro-Oeste tiveram uma variação percentual crescente de 0,8%, 5,12%, 6,81% e 7%, enquanto as zonas Leste e Oeste apresentaram uma redução percentual de 2,56% e 10,85% respectivamente em relação ao mês de setembro.

A última vez que o Dieese apresentou o cálculo da cesta básica na cidade de Manaus foi em agosto de 2018, neste momento a mesma custava R$ 360,17. Atualmente a média da cesta de Manaus é de R$ 615,26. Comparando o preço da cesta de outubro de 2023 e agosto de 2018, obtemos um crescimento de aproximadamente 70,8% no valor do conjunto dos alimentos básicos em Manaus no período de 5 anos, sendo bem maior que a inflação acumulada que foi de 32,8% de acordo com a variação do IPCA durante o mesmo período de tempo.

Segundo o  coordenador do Nepe, Neuler André Soares de Almeida, no mês de outubro os preços da cesta básica subiram consideravelmente, visto que ela vinha caindo desde junho em Manaus. “Todos os itens, com exceção da manteiga, subiram de preço. Os consumidores de renda mais baixa serão os mais afetados. Dentre os produtos pesquisados, o que mais subiu de preço foi a banana prata. A cesta básica está custando 50,39% do salário mínimo de um trabalhador”. 

Para a economista Elis Taveira está mais do que provada a essencialidade do setor. “Por exemplo, a gente observa que o  poder de compra do salário mínimo em relação ao valor da cesta básica além de aumentar significativamente, ainda aponta que o valor médio não é suficiente para atender às necessidades de uma família”, lembrou

Ela disse ainda que o valor do mínimo,  tem um reflexo maior, principalmente no custo de vida das pessoas de renda mais baixa. “Essa população gasta a maior parte do seu salário em bens e serviços essenciais, estes com maiores aumentos de preços do que itens não essenciais”, exemplificou. 

Para o presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Marcus Evangelista,  o estudo do Nepe  só comprova que boa parte do salário mínimo já fica comprometida com os alimentos, “forçando ” a utilização do cartão de crédito para complementar a renda. 

“Infelizmente isso é um indutor natural para o endividamento, fato comprovado nos altos índices de endividamento das famílias brasileiras . O ideal é que as pessoas não se utilizem de cartão de crédito para compra dos alimentos e se programem para comprar à vista , dentro da sua capacidade de pagamento”. 

De acordo com Marcus Evangelista, o uso do cartão de crédito como meio de pagamento de contas rotineiras (rancho , açougue , padaria , combustível , etc ) é um risco.  A utilização corriqueira do cartão tende a potencializar a perda do controle dos gastos, fazendo com que a fatura chegue num valor muito acima da capacidade de pagamento do usuário do cartão. “Muitos cartões oferecem limites bem acima do salário da pessoa, levando a uma falsa impressão de poder aquisitivo aumentado. É preciso nivelar os limites para que fiquem condizentes com a realidade financeira da pessoa”, alertou. 

Outros números Serasa

De acordo com o levantamento, que ouviu em outubro 11.541 pessoas de todas as regiões do país, o segundo maior responsável pelo endividamento com cartão são as compras de produtos como roupas, calçados e eletrodomésticos (46%), e em seguida, gastos com remédios e tratamentos médicos, com 37%.

As dívidas de cartão de crédito impactam 55% dos brasileiros endividados em 2023. Em 2022, o percentual era de 53% dos usuários de cartão.

O estudo também identificou que o brasileiro mantém a esperança de honrar com as dívidas, apesar das dificuldades econômicas.

Segundo a Serasa, as compras em supermercados/hipermercados aparecem como principal motivo dos gastos na região Norte, apontada por 32% dos entrevistados. 

Por ser um crédito mais acessível aos brasileiros, o cartão de crédito muitas vezes é utilizado como uma extensão da renda, seja por necessidade, falta de controle ou educação financeira. “O cartão pode ser uma excelente ferramenta para a realização de planos, mas é muito importante que haja consciência e educação financeira”. 

O levantamento aponta também que 56% dos consumidores da região Norte revelam que utilizam o cartão de crédito para a compra de mantimentos e alimentos em supermercados –o principal tipo de despesa apontada pela região. Por outro lado, 26,3% das dívidas dos inadimplentes do Estado são com cartão.

Por conta disso, o órgão reforça que o uso do cartão de crédito deve sempre ser consciente e o consumidor não pode perder de vista o pagamento daquela fatura que deverá ser realizado em alguns dias.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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