Consumidor deve ganhar confiança para voltar a gastar em 2021

O consumo da família brasileira deve crescer e movimentar cerca de R $5,1 trilhões ainda este ano. Segundo estudo realizado pelo IPC Maps 2021, além de uma taxa positiva de 3,17% do PIB (Produto Interno Bruto), o número representa um aumento de 3,7% em relação a 2020. Na análise de especialistas, o otimismo é impulsionado pela leve recuperação da economia. Itens básico como habitação aparece em primeiro lugar como ordem de prioridade. Apesar da boa notícia, Região Norte ainda ocupa o último lugar no ranking de consumo atual com uma redução de 6,1%.

O levantamento detalha, as preferências dos consumidores na hora de gastar sua renda. Do total, 25,76% dos desembolsos destinam-se à habitação (incluindo aluguéis, impostos, luz, água e gás); 17,96% outras despesas (serviços em geral, reformas, seguros etc.); 14,11% vão para alimentação (no domicílio e fora); 13,06% a transportes e veículo próprio; 6,66% são medicamentos e saúde; 3,71% materiais de construção; 3,46% educação; 3,43% vestuário e calçados; 3,29% recreação, cultura e viagens; 3,29% em higiene pessoal; 1,52% móveis e artigos do lar; 1,49% eletroeletrônicos; 1,1% bebidas; 0,53% para artigos de limpeza; 0,45% fumo; e finalmente, 0,17% referem-se a joias, bijuterias e armarinhos. 

Segundo Marcos Pazzini, sócio da IPC Marketing Editora e responsável pela pesquisa, o crescimento esperado para este ano é satisfatório, já que as perdas registradas em 2020, em função do isolamento social imposto pela pandemia, vão demorar para ser esquecidas. “Aos poucos, os brasileiros tentam voltar à rotina normal, e é isso que estimulará o consumo em 2021”, disse. 

Na análise do economista Farid de Mendonça Júnior, a notícia é positiva, pois a economia vem se recuperando depois de um ano de grande impacto por causa do coronavírus, mas, ele destaca que é necessário levar em conta que este crescimento é uma recuperação sobre uma base que encolheu no ano de 2020.

“É importante ressaltar também que, apesar desta recuperação, o desemprego continua muito alto, ou seja, a população ainda não recuperou o nível de renda no cenário pré-pandemia. É possível ainda inferir que parte deste consumo se dá por meio da utilização de poupança”, explica.

A pesquisa mostra que, em momentos de crise, como a do ano passado, ocasionado pela pandemia da Covid-19, os mercados já consolidados tendem a reagir com maior facilidade e a se recuperar mais rapidamente do que os menores ou fora dos grandes centros. É por esse motivo que, as 27 capitais, após seguidas perdas, passarão a conquistar espaço no consumo nacional, respondendo por 29,3% do total de gastos. Assim, enquanto o interior também avançará, com 54,9%, a participação das regiões metropolitanas deverá cair para 15,8% neste ano. 

Mercados com potenciais

Dentro do mercado com potencial, mesmo com um bom desempenho, na produção industrial nos últimos meses, Manaus caiu para a 10ª posição. O desempenho dos 50 maiores municípios brasileiros equivale a R$ 2,011 trilhão, ou 39,6% de tudo o que é consumido no território nacional. No ranking dos municípios, os principais mercados permanecem sendo, em ordem decrescente, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte. 

Segundo Farid, uma das explicações da queda da capital amazonense no ranking pode estar relacionada à renda média da população que pode ter caído mais, com maior proporção de desempregados. “Só Goiânia que passou Manaus. Goiânia é forte no agronegócio, o Estado. A indústria sofreu mais que o agronegócio”, disse.

Seguindo a mesma lógica, outro destaque fica por conta da Região Sul que, depois de 13 anos, retomará a vice-liderança no ranking de consumo entre as regiões brasileiras.

Para Pazzini, a “forte produção industrial local, o agronegócio e a melhor distribuição da sua pirâmide social” podem explicar tal alavancada na economia sulista.  

De acordo com Farid, o agronegócio é um dos setores menos impactados pela pandemia, e destacou que ainda  é preciso crescer mais e contar com o apoio do Estado, principalmente por meio da promoção dos produtos produzidos no Brazil pelo mundo.

“Apesar do desarranjo das cadeias produtivas, principalmente em 2020, e o aumento dos preços dos alimentos, o setor se mostra favorável, principalmente em relação às exportações, haja vista o atual cenário de alta das commodities no mundo todo”, explica.

“O agronegócio industrial, que nada mais do que a agregação de valor aos produtos primários, vem crescendo nos últimos anos, o que estrategicamente é muito importante para o país, haja vista o histórico papel de mero exportação de produtos primários”, finaliza.

Perfil básico 

Na base consumidora, assim como no ano anterior, a classe B2 ( renda média de R$ 2.674) lidera o cenário de consumo, representando mais de R$ 1,161 trilhão dos gastos. Junto à B1 (renda mensal de R$ 5.241), pertencem a 21,3% dos domicílios, assumindo 39,6% (R$ 1,866 trilhão) de tudo que será desembolsado pelas famílias brasileiras. Presentes em quase metade das residências (47,9%), C1 (renda de R$ 1.685) e C2 (Renda de C2 R$ 1.147) totalizam R$ 1,752 trilhão (37,2% ante 35,6% em 2020) dos recursos gastos. Já o grupo D/E, que ocupa 28,6% das moradias, consome cerca de R$ 505,8 bilhões (10,7%). Mais enxuta, caracterizando apenas 2,2% das famílias, a classe A tem seus gastos em R$ 587,5 bilhões (12,5% em 2021 contra 12,8% do ano passado). 

Segundo Farid,  consumo de médio e longo prazo sustentado em parte por poupança não tem como se manter. “Poupança advém de renda, ou seja, para que a população tenha mais poupança é preciso criar mais empregos. O fôlego pode não ser tão longo.No cenário de recuperação e de melhores expectativas, as famílias começam a gastar mais, utilizando recursos que estavam sendo poupados. Mas, como disse, isso não se sustenta no longo prazo”, explica.

Foto/Destaque: Divulgação

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