Construção civil vive baixo desempenho

O mercado da construção civil viveu bons momentos em Manaus. Com o crescimento do mercado imobiliário e grandes obras públicas ocorrendo em virtude da Copa do Mundo de 2014 o desempenho nos últimos anos foi satisfatório e aumentou a competitividade do mercado. No entanto, com o fim dessas obras se aproximando e a alta da taxa de juros anunciada pelo Banco Central, a expectativa do mercado é de que o desempenho seja reduzido se comparado com os últimos anos.
Segundo o presidente interino da Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Amazonas), Frank do Carmo, o crescimento em 2011 foi de 6% e em 2012, com a crise da economia e do PIM, de 3%. A expectativa para esse ano é de que se atinja no máximo 2% de crescimento, ficando atrás do ano passado. “Ainda podemos dizer que o mercado está estabilizado, mas está sofrendo baixas. O mercado sente a retração da economia e a alta no preço dos produtos básicos que vem ocorrendo em 2013”. Frank explica que com a alta do preço dos alimentos, por exemplo, o consumidor acaba tendo menos dinheiro para investir na área da construção civil.
Questionado sobre as grandes obras que ocorrem e ocorrerão na cidade, como a construção do Shopping Ponta Negra e do Shopping Manaus Vianorte e as reformas do Aeroporto Eduardo Gomes e da Arena da Amazônia, Frank do Carmo explica que boa parte dessas obras já estão em fase final e o mercado depende muito da questão imobiliária. “Obras como aeroporto e estádio já são obras que se encaminham para o seu final, o consumo nelas já diminuiu. Ou seja, a expectativa é mais de baixa quando essas obras acabarem do que de crescimento pelo início das novas obras”, explicou.
O fim de boa parte das obras da Copa não atinge só o Amazonas. A Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção) divulgou ontem que o desempenho de vendas do setor de material de construção sofreu retração de 5% em maio. Apesar do decréscimo no mês, as vendas no ano, que englobam os meses onde as obras dos estádios e aeroportos que participarão da Copa das Confederações ainda estavam sendo construídas, ainda é positivo, com um crescimento de 3%.
Alta da taxa de juros
Outro fato que tende a contribuir para a queda no crescimento da construção civil em Manaus são as medidas tomada pelo Banco Central que colocaram a taxa de juros Selic(Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) em 8%. A taxa que vinha sofrendo decréscimo desde julho de 2011, voltou a crescer 0,25% em abril e mais 0,5% em maio, atingindo seu maior valor desde julho de 2012. “O valor dos juros influencia muito nessa área. Com o crescimento a tendência é que a construção civil sinta os reflexos”, explica Frank do Carmo, presidente interino do Sinduscon.
Para o presidente da Anamaco, Cláudio Conz, uma das causas da queda de desempenho do setor e de diminuição do otimismo com relação ao governo é a baixa oferta de crédito. “O Banco do Brasil lançou um ambicioso programa de crédito no final do ano passado, mas ainda não conseguiu aplicar os R$ 10 bilhões disponíveis. Fora isso, a Caixa Econômica Federal também vem perdendo terreno com o Construcard, por liberar a linha de financiamento para o consumidor e depois voltar atrás, cancelando a operação com as lojas quando o tomador fica inadimplente. Esta ação equivocada do banco está ocasionando uma diminuição no número de lojas que operam a linha Construcard”, completa Conz.

Baixo desempenho

A baixa expectativa do mercado ainda não afetou os empregos gerados na construção civil. O vice-presidente do Sintracomec (Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil), Cícero Custódio, afirma que os empregos em 2013 se mantém instáveis e apresentam até um ligeiro crescimento em relação ao ano passado. Segundo Cícero há pelo menos 90 mil pessoas trabalhando na área em Manaus, em maio do ano passado haviam cerca de 80 mil empregos preenchidos na área.
“Estádio e aeroporto geram em torno de 2 mil empregos. É pouco se formos ver o número total de trabalhadores. Nós dependemos mais do mercado imobiliário e pelo menos por enquanto ele tem cumprido seu papel”, comenta. Ele afirma que entre os trabalhadores há boas expectativas de crescimento. Cícero Custódio também afirma que os profissionais estão buscando se qualificar mais em 2013 e isso é visto como um fator positivo pelo sindicato. “O número de profissionais qualificados também tende a crescer, em 2015, 2016 teremos um número muito maior de profissionais qualificados no mercado, conclui.

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