Consórcio de frutas aumenta produções

Se depender da agricultora Eliana Medeiros, o município de Manacapuru poderá se tornar um pólo produtor de guaraná. Desde 2018 ela planta esse arbusto amazônico na sua fazenda Manancial, de 25 hectares, e a colheita só tem crescido. Em 2019 foram 50 kg de sementes; em 2020, 200 kg; e a previsão para este ano é dobrar essa quantidade. Mas o que também chama a atenção na produção de Eliana é a agricultura consorciada. Na mesma área onde ela planta os pés de guaraná, 2.500 pés de mamoeiro dividem o espaço harmoniosamente.

O consórcio de plantas é caracterizado pelo cultivo de duas ou mais culturas em uma mesma área e ao mesmo tempo. Essa prática é extremamente importante para a produção de hortaliças, grãos, frutas e outras culturas, pois tem inúmeras vantagens econômicas e ambientais, entre elas maiores opções de alimentos, eficiência do uso da terra e conservação do solo, e aproveitamento de resíduos de fertilizantes.

Eliana traz no sangue o DNA de agricultora. Apesar de ser técnica contábil e ter cursado gestão pública, ela optou por seguir os passos do pai, Teodoro Leal, que foi um dos grandes produtores de juta e malva, em Manacapuru, na época em que essas duas fibras ajudavam a alavancar a economia daquele município e do Estado, principalmente entre as décadas de 1960, 70 e 80.

Em 2006, querendo voltar às suas raízes, pois desde criança começou a ajudar o pai na lida com a juta e a malva, Eliana adquiriu um terreno e começou na agricultura, plantando maracujá. Nasceu ali a fazenda Manancial.

A vez dos mamões

Entre 2011 e 2012 Eliana iniciou a diversificação de suas plantações, passando a cultivar melancias, além dos maracujás, começando timidamente com o guaraná. Nessa época ela já presidia a Coomapem (Cooperativa Mista Agropecuária de Manacapuru), que chegou a reunir 240 cooperados, e ficou famosa após um sinistro que ocorreu no seu depósito de juta, em 2013. Naquele ano um incêndio, além de destruir o depósito, incinerou cerca de 700 toneladas de juta, causando um prejuízo calculado em R$ 1,4 milhão aos juticultores, que até hoje se reflete nas contas da cooperativa, pois o produto não estava no seguro.

Ainda assim, no ano seguinte, Eliana investiu num novo produto, que desde então se tornou o carro-chefe de suas vendas: o mamão, com três variedades, Bela Nova, Baby Gold e Calimosa.

Parecido com a variedade Formosa, o híbrido Bela Nova inaugurou um novo segmento no país por apresentar excelente desempenho em firmeza, sabor e produtividade. Sua cavidade interna é menor do que a do Formosa, dando-lhe mais peso e massa. O Baby Gold leva esse nome devido ao pequeno tamanho. Já o Calimosa tem o formato alongado e sabor muito adocicado.

“O mamoeiro dá frutos durante praticamente o ano inteiro. A única diferença é que durante a época de chuvas a produção reduz, mas na época do verão chegamos a colher de 800 kg a uma tonelada de frutos por semana, abastecendo o mercado de Manaus”, revelou.

Em 2015/16, depois de conversar com técnicos da Embrapa, Eliana resolveu investir no consórcio do mamão com o guaraná, mais especificamente a variedade BRS Amazonas, uma das cinco cultivares mais recomendadas entre as 18 cultivares desenvolvidas pela Embrapa Amazônia Ocidental por apresentar tolerância à antracnose, principal doença da cultura do guaranazeiro, e ter alta produtividade, em torno de 1,49kg/planta/ano.

“A proposta do consórcio foi oferecida aos demais cooperativados, mas eles não quiseram investir, então me tornei a pioneira no processo, em Manacapuru”, disse.

Jardim clonal   

Assim como acontece com a produção de mamões de Eliana, toda adquirida pelos supermercados Vitória, as sementes da incipiente plantação de guaranás já têm destino certo, a Sabores Vegetais do Brasil, empresa brasileira produtora de aromas, concentrados e extratos para indústria de bebidas e alimentos, localizada no Polo Industrial de Manaus.

“O objetivo é dobrar a quantidade de sementes a cada safra, com variedades cada vez mais resistentes às pragas. A Embrapa criou em meio hectare do meu terreno um jardim clonal. No jardim serão produzidas hastes contendo gemas axilares para enxertia dos porta-enxertos de matrizes de plantas geneticamente superiores. Segundo os técnicos da Embrapa este é o primeiro jardim clonal de guaraná do mundo”, explicou.

Junto com o marido André, Eliana é uma das milhares de agricultoras familiares que ajudam a alimentar o Amazonas, mas principalmente Manaus. Dados do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas), de 2019, mostram que existiam mais de 33 mil agricultores familiares no Amazonas.

Na fazenda Manancial o casal planta, em menor escala, melancia, milho, abóbora, macaxeira, pimenta de cheiro, couve, pimentão.

“A meta é consorciar outros produtos e aumentar a produção num mesmo espaço do terreno”, finalizou.  

Foto/Destaque: Divulgação

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