19 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

‘Consolidamos nossa expansão no AM’

Wlandemir Figueiredo, diretor-executivo da Tvlar

MARCELO PERES

Com 58 anos de atuação no Amazonas, o grupo TV Lar reúne hoje pelo menos 77 lojas com mais de 1.100 colaboradores diretos, dez concessionárias de motocicletas e um shopping. Ao longo de sua trajetória, tornou-se muito bem conhecida na região. E consolida mais as suas atividades com a inauguração de um complexo comercial em Humaitá, município estratégico que fica na porta de entrada da rodovia BR-319, ligando o Amazonas ao resto do país.

A empresa mantém ainda a filosofia de seu fundador (já falecido), José Azevedo, grande empreendedor, que deixou um legado para muitas gerações, impulsionando o raio de ação do grupo. São valores que possibilitaram enfrentar a crise gerada durante as fases mais agudas da pandemia, mas que proporcionaram um sentimento de equipe e comprometimento, expandindo os negócios para as áreas mais distantes do Estado, segundo Wlandemir Figueiredo, seu diretor-executivo.

“Humaitá consolida o nosso projeto de expansão no Amazonas que começou em 2017, uma estratégia de interiorização, promovendo desenvolvimento e oportunizando empregos e renda às populações ribeirinhas”, ressalta ele.

Figueiredo afirma que o complexo instalado em Humaitá oferece todo o mix de produtos e serviços da empresa, possibilitando aos clientes não precisarem se deslocar até Manaus, onde opera sua matriz, para comprar uma diversificada linha de produtos disponibilizados no mercado, desde eletrodomésticos, televisores, telefones a motocicletas Yamaha. A empresa mantém uma parceria de 40 anos consecutivos com a fábrica japonesa, vendendo ainda motores de popa da marca.

Só no ano passado, a TV Lar abriu 29 novas lojas nos municípios, apesar das intempéries geradas pela pandemia, que afetou as atividades econômicas e a vida das pessoas como um todo. “Mesmo assim, nosso time continuou coeso no firme propósito de levarmos as atividades para outras praças no interior”, acrescenta o diretor-executivo. “Nossas atividades não são apenas comerciais, mas também promovemos cidadania com impactos socioeconômicos na região”.

A TV Lar também não se esqueceu dos canais digitais, algo que manteve a economia funcionando na pandemia, segundo Figueiredo. Porém, a empresa admite que o principal gargalo para o fortalecimento do e-commerce é a baixa conectividade nas cidades ribeirinhas. “Colocamos todo o nosso sistema operacional para disponibilizar aos clientes o mix de produtos, apesar das dificuldades das conexões pela internet”, diz.

Agora, o grupo tem um desafio ainda maior –expandir suas atividades para outros Estados da região Norte. Segundo o diretor-executivo, até 2026 a empresa espera aumentar suas vendas online em 30%.

Wlandemir Figueiredo participou da live ‘JC às 15h’, comandada pelo jornalista Fred Novaes, diretor de redação do Jornal do Commercio.

Jornal do Commercio – O grupo TV Lar consolida o seu raio de ação no interior com a inauguração de uma unidade em Humaitá. Pode nos falar sobre essa expansão que vem desde 2017?

Wlandemir Figueiredo – A expansão do grupo TV Lar, que tem hoje 58 anos, começou em 2017. Foi o primeiro movimento que fizemos indo para outro Estado, em Roraima. Fomos adquirir a operação das lojas Ricardo Eletro aqui na região Norte do país.

De lá para cá, a gente tem conseguido fazer uma expansão muito forte, principalmente para o interior do Amazonas, onde abrimos quase 50 lojas no interior. E Humaitá coroa esse projeto expansionista em uma região muito distante da capital

Em Humaitá, nós entregamos nossa loja atual mais moderna que vem realmente consolidar todo esse projeto de expansão que começou lá em 2017. Dessa forma, a TV Lar passa a estar presente em mais de 70% dos municípios. E estamos à disposição para mais de 90% da população amazonense.

Então, praticamente consolidamos a participação do grupo no Estado do Amazonas. Pode ser que alguma oportunidade venha mais na frente, mas bem pontual.

JC – Sabemos que o Amazonas é um Estado continental, com suas peculiaridades, que tem uma posição estratégica muito grande para o Brasil. O que Humaitá trouxe para a expertise do grupo em relação ao varejo no interior do Estado, com essa megaloja?

WF – Estamos em todo o Estado do Amazonas.  Desde Tabatinga até Parintins, São Gabriel da Cachoeira a Humaitá, de Guajará a Nhamundá. A loja em Humaitá faz parte de um complexo comercial que tem uma unidade do segmento de eletromóveis, uma concessionária de motocicletas da Yamaha.

Esse complexo vem trazer para o sul do Estado uma estrutura para atender melhor aos clientes. Incluindo várias cidades próximas, como Guajará-Mirim, Ipixuna, Envira e Apuí, futuramente.

Então, a loja vem diminuir a distância que tem o consumidor em relação à capital, oferecendo velocidade nas entregas, bom atendimento e desenvolvimento.

JC – Humaitá é uma cidade estratégica que tem uma situação privilegiada, pelo fato de estar ali próxima da via rodoviária para o resto do país. De alguma forma, isso mexe com a logística de vocês?

WF – Sem dúvida. Na verdade, Humaitá é a porta da BR-319 no Estado, muito próxima a Rondônia, onde sofre mais influência que do próprio Amazonas. E tem toda a oportunidade para desenvolver aquela região.

E a logística, sem dúvida, é um diferencial nesse processo de expansão no interior.

JC – Entendemos a complexidade que envolve a Amazônia. O grupo tem todo um diferencial que é a marca de sua atuação. Como foi trabalhar nos outros municípios, onde cada cidade apresenta sua peculiaridade, mantendo esse padrão num universo tão diferente?

WF – Temos a felicidade de trabalhar uma marca que já é bem conhecida no Estado do Amazonas. Isso é um legado deixado pelo nosso fundador, José Azevedo. Todo o interior já conhecia nossa atuação.

Tivemos um desafio que foi minimizado pelo cliente já conhecer a nossa marca. Eles sempre almejavam que estivéssemos próximos deles. Foi de forma bem positiva a aceitação de nossa marca no interior por toda essa história de 58 anos.

JC – Hoje, vemos uma concorrência em relação às vendas pela internet, que facilita mais a vida do consumidor. De alguma forma, isso também é um desafio para atender pessoas que buscam essa nova opção de comércio?

WF – Sem dúvida. No interior, o nosso principal desafio é a conectividade. O cliente  precisa estar bem conectado para usufruir de todas essas oportunidades de comprar pelo e-commerce.

A partir do momento que você está presente ali, você proporciona através da nossa conectividade a inserção dos clientes daquela região aos meios de compra virtuais.

JC – Outro movimento que a gente percebe nos grandes grupos varejistas é a diversificação do mix de produtos e de serviços. O grupo tem investido nessa direção?

WF – Na verdade, estamos sempre atentos para as demandas do mercado, buscando atender ao consumidor naquilo que ele precisa.

O nosso carro-chefe são eletrodomésticos, telefonia, móveis, televisores, mas de toda forma precisamos estar sempre atentos às demandas e ter em cada loja um mix adequado para aquela praça.

A loja de Humaitá é uma das maiores que temos no grupo. Comporta todo o mix que nós oferecemos, coisa que não é possível em outras cidades do interior, onde as lojas são menores.

Mas não impede que o cliente tenha acesso para comprar os nossos produtos em cidades menores. Temos a comunicação do sistema que possibilita essa opção para comprar qualquer produto.

JC – O sr. falou do legado do empreendedor José Azevedo, que é realmente um símbolo, deixando uma marca muito grande. Como essa forma tão peculiar de fazer negócios se mantém até hoje, qual é o carro-chefe de apresentação do grupo TV Lar?

WF – O sr. José Azevedo deixou uma coisa muito forte que são os valores da empresa. É o pilar do nosso trabalho, do desenvolvimento. E tudo aquilo que ele pregou, principalmente baseado nos valores, é o que a gente tem feito.

Então, é muito trabalho, muita disciplina, muita organização. Ele passou isso de geração para geração. Realmente, por mais que o fundador não esteja mais presente, esse legado se propagou no grupo todo.

JC – Se fôssemos fazer um desenho do grupo, ele seria quantas lojas, quantos colaboradores….?

WF – Nosso grupo é representado por 77 lojas de TV Lar, temos mais dez concessionárias de motocicletas da Yamaha e o Plaza Shopping. Então, estamos falando de mil a 1.100 colaboradores diretos.

JC – A relação com a Yamaha, uma marca tão forte, fortalece ainda mais o grupo.  O que agregou essa parceria?

WF – A TV Lar é a única sócia da Yamaha Motos no Brasil. A empresa proporcionou a inauguração da fábrica no Amazonas. É uma parceria de quase 40 anos. Nós vendemos motocicletas e motores de popa, que são instrumentos muito fundamentais para quem mora no Amazonas. E queremos continuar por muitos anos parceiros da marca.

JC – As motocicletas e motores são muito importantes para o interior….

WF – Hoje, o interior anda sobre duas rodas. Em todo o Estado, a vocação por motocicletas é muito grande. O acesso fluvial também possibilita a exploração e o comércio de motores. Então, são dois produtos aderentes à realidade.

JC – Você falou sobre a consolidação com o grande mix em Humaitá. Mas sabemos que o empreendedor é movido por desafios. Qual a próxima empreitada do grupo TV Lar?

WF – A expansão não pode parar. O varejo está sempre se movimentando. Mas dentro do nosso planejamento estratégico a gente consolida essa primeira jornada de expansão. Então, fortalecemos o projeto rapidamente, principalmente no ano passado, em época de pandemia,

Temos o dever de casa que é consolidar essa expansão, nos fortalecendo e futuramente pensar, quem sabe, em outros Estados da região Norte.

JC – Vemos grupos investindo em logísticas próprias. Vocês também têm pensado nessa questão?

WF – Sim. Uma parte de nossa logística é própria e a outra terceirizada. Entendemos que a cadeia de suprimentos com a pandemia foi comprometida, principalmente no que se refere à aquisição de produtos nacionais, e hoje é uma dificuldade.

Até essa cadeia voltar a ficar mais fortalecida e normalizada vai demorar um pouquinho. Com relação ao atendimento no interior, sem dúvida, é um grande desafio, mas a TV Lar por estar há 58 anos presente no Amazonas, podemos considerar que já temos expertise para superar essas dificuldades e minimizar os impactos que porventura possam ter nas operações.

JC – Vivemos dois anos de uma grande pandemia que impactou a economia, enfim, a vida das pessoas. Há uma visão de que os heróis da época foram o pessoal da área de saúde. De alguma forma, os empreendedores também contribuíram muito nessa questão. O que esse período trouxe de aprendizado para o grupo TV Lar?

WF – O espírito de equipe foi muito forte no nosso time. Passamos por um período terrível de pandemia. Todos realmente foram afetados. Então, com o comprometimento do time, liderado pelo nosso presidente, e focando no planejamento estratégico que estava bem definido, entendíamos que a pandemia ia passar.

Então, o nosso envolvimento, a nossa rede de proteção aos colaboradores e ao meio em que TV Lar estava inserida, tudo isso fortaleceu muito o processo de expansão. A empresa saiu um pouco ferida, mas muito mais fortalecida.

Um time bem engajado e comprometido. E proporcionou, por mais que essa pandemia tenha afetado a todos, a expansão para o interior. Creio que a empresa foi colocada à prova e nós realmente conseguimos chegar ao outro lado da margem vivos e fortes, mantendo um espírito de equipe.

E tocamos um belo projeto de expansão. No ano passado, nós abrimos 29 lojas. E todas elas no interior. E isso não seria possível se não houvesse uma equipe bem engajada, vendo que essa missão era necessária.

Hoje, com a retomada da pandemia, já estamos com uma estrutura de expansão consolidada. Agora é continuar crescendo.

JC – Vocês também estão focando nos canais digitais….? Pensam alcançar um público além dos clientes presenciais?

WF – O consumidor mudou o seu hábito. E nós não podemos ficar parados. Antes da pandemia, as nossas vendas pelos canais digitais eram pequenas. Durante a crise, houve realmente oportunidades para todos reverem seus processos. E nós queremos chegar a 30% das nossas vendas pela internet em pouco tempo.

JC – Isso até quando?WF – Até 2026.

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