Conselho iraniano aceita recontagem

O candidato reformista derrotado e principal líder da oposição no Irã, Mir Hossein Mousavi, pediu a seus partidários que não participem do protesto marcado contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, para “proteger vida’’

O candidato reformista derrotado e principal líder da oposição no Irã, Mir Hossein Mousavi, pediu a seus partidários que não participem do protesto marcado contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, para “proteger vidas’’.
O pedido, reportado por seu assessor, veio horas depois que o Conselho dos Guardiães, um corpo de 12 integrantes que é pilar da teocracia iraniana, rejeitou a anulação da votação, mas afirmou que está disposto a realizar uma recontagem parcial dos votos.
“Algumas pessoas no protesto de segunda-feira, falaram em realizar uma marcha. Esta base de campanha pede às pessoas que evitem a armadilha de confrontos planejados’’, afirma o assessor de Mousavi, Aboldfazl Fateh, em um comunicado.
“Mousavi pede que seus apoiadores não participem da manifestação para proteger suas vidas. A manifestação dos moderados foi cancelado’’, afirmou o porta-voz. O tom do discurso pode ser consequência da violência que marcou os protestos. Um manifestante foi morto a tiros pela milícia Basij, ligada à Guarda Revolucionária.
Ontem a rádio nacional iraniana Payam relatou que ao menos sete pessoas morreram na onda de violência e protestos no país, além de dezenas de feridos e detidos. “Um grupo de manifestantes quis atacar um posto militar e realizou diversos atos de vandalismo contra o patrimônio público na praça de Azadi. Infelizmente sete pessoas morreram e várias outras ficaram feridas’’, informou.
A Payam não especificou se os mortos eram seguidores de Mousavi ou milicianos Basij, ligados à Guarda Revolucionária. O Conselho de Guardiães apoiou a recontagem dos votos das urnas em que existam denúncias de irregularidades.
A declaração foi feita um dia após o pedido do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, de que o órgão investigasse as denúncias da oposição de fraude eleitoral na votação que reelegeu Mahmoud Ahmadinejad com ampla margem.

Governo expulsa jornalistas

O Ministério de Guia e Orientação Islâmica iraniano anulou todas as permissões de trabalho de jornalistas estrangeiros e agências de notícias estrangeiras e advertiu que não podem cobrir nenhum ato na rua que não conte com a autorização do órgão.
A medida de censura foi um passo além do governo, que costuma coibir “apenas’’ o registro de imagens de protestos contra o governo, para tentar conter os efeitos da onda de violência e manifestações em massa contra a reeleição do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, na eleição de sexta-feira passada.

Pró-Ahmadinejad também vão às ruas

Cerca de 10 mil pessoas saíram às ruas após uma convocação do regime de Teerã, em resposta à grande manifestação organizada na véspera contra a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad.
Imagens exibidas pela televisão estatal mostram a multidão de apoiadores do presidente, convocados pelo poder islâmico para confrontar os quatro dias consecutivos de protestos oposicionistas que ocuparam a capital iraniana.
O canal de TV oficial exibiu imagens sem mostrar o rosto dos participantes que, para a emissora, representam “todas as classes da sociedade’’.
Desde às 15h (7h30 no horário de Brasília), o canal exibe uma programação especial sobre o que chama de “marcha de unificação’’, que acontece na praça Vali Asr -mesmo local da manifestação marcada pela oposição.
“Como se pode ver, há pessoas de todas as classes aqui’’, afirmou um locutor que estava no local. As imagens permitiam apenas distinguir uma multidão de alguns milhares de pessoas. Analistas falaram do significado da manifestação, que “acabará com o complô e a insegurança’’ e desbaratará “os planos do inimigo” segundo o Conselho de Coordenação da Propaganda Islâmica, que convocou a contramanifestação.

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