Conselheiro aprova fusão

A fusão entre Sadia e Perdigão foi aprovada ontem por quatro votos a favor e um contra no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) em sessão de julgamento que terminou no início da tarde desta quarta-feira. O conse‑ lheiro Ricardo Ruiz foi o primeiro a ler seu voto, de aprovação, nos termos do acordo entre a autarquia e a BRF – Brasil Foods, companhia que reúne Sadia e Perdigão. O relator Carlos Ragazzo manteve seu voto contra.
Após uma hora de atraso do início da sessão de julgamento, antes marcada para às 10h, o conselheiro Ruiz começou a leitura de seu voto, no qual citou os principais pontos do TCD (Termo de Compromisso de Desempenho).
Sob esse termo, a capacidade total de produção para venda a um outro concorrente precisa ser de 730 mil toneladas por ano. No TCD estão previstas a venda em conjunto de todos os bens e direitos das marcas e ativos correspondentes de Rezende, Wilson, Escolha Saudável, Delicata e Doriana, entre outros. Além disso, alienação em conjunto de 10 fábricas, duas unidades fabris de suínos e duas de frango, quatro fábricas de ração, entre outros. “Com isso temos as 730 mil toneladas/ano e estamos falando de 80% de escala de produção da Perdigão no mercado interno para uma nova empresa e reproduzindo uma empresa similar à BRF em termos operacionais”, declarou Ruiz.
O acordo prevê suspensão da marca Perdigão por três anos em mercados de maior concentração da empresa como presunto, suínos, lombo congelado, palheta, pernil, presunto tender, linguiça e paio, entre outros. Pelo período de quatro anos, a marca Perdigão será suspensa em salames e, por cinco anos, em lasanhas, pizzas congeladas, almôndegas e frios, entre outros. Já a marca Batavo não será mais uma processadora de carnes por quatro anos, mas pode seguir normalmente em produtos lácteos, conforme explicou Ruiz. A suspensão é válida somente em território nacional.
“Suspender a marca Perdigão nesses prazos e nesses mercados foi a única possibilidade crível para uma solução negociada. Dessa forma, a marca Sadia ficará mais desprotegida e reduzimos a barreira para uma nova entrante”, completou.
Segundo Ruiz, para ser atingida a solução negociada entre a BRF e a autarquia sobre a fusão houve a necessidade de mais diálogo entre as partes. “Acordamos que o voto do relator, com as suas principais preocupações, seria o ponto de partida para as novas negociações”, disse Ruiz. “Sem o voto do relator, não seria possível a redação de um Termo de Compromisso de Desempenho (TCD) em prazo tão curto”, disse. O acordo deve ser assinado entre as partes.
O conselheiro citou os principais pontos de preocupação de Ragazzo e a solução sugerida pela empresa, que para a elaboração do novo TCD partiria de venda de ativos e marcas. “Começamos as reuniões porque as empresas mudaram radicalmente de posicionamento”, declarou Ruiz. “Para rivalizar com BRF é necessário uma empresa com escala e escopo em todos os elos da cadeia em âmbito nacional”.
Ainda nos termos do acordo, a empresa não poderá readquirir os negócios a serem alienados por um prazo de 10 anos da data de assinatura do TCD, além de garantir a manutenção de empregos por seis meses.
Já na fase de transição, a BRF deverá impedir a degradação dos ativos tangíveis e intangíveis da empresa e também em participação de mercado, e manter o funcionamento das unidades da empresa em níveis não inferiores aos de hoje. Os investimentos em marketing deverão permanecer em níveis equivalentes aos de 2010.

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