Conheça 5 entraves da Bioeconomia na Amazônia

Por Wilson Périco(*) [email protected]

Nesta segunda-feira, em mais uma rodada de debates dos diálogos Amazônia, estaremos conversando com o ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente. Trata-se de uma oportunidade única de esclarecimento e de disposição para juntar forças em favor da ampliação do desenvolvimento regional nos padrões que regem a rotina de 54 anos da Zona Franca de Manaus. A nós, que aqui ajudamos a gerar emprego, tributos e oportunidades, caberá a manifestação de defesa da ZFM, nosso programa de desenvolvimento, sua diversificação e agendamento. Não iremos compor quem nos subtrair os direitos constitucionais que sustentam essa jornada – está fora da pauta substituição do Polo Industrial de Manaus. Pretendemos adensar com novas modulações econômicas, com destaque para a Bieconomia, que precisa sair do discurso para ação como forma de equacionar seus gargalos, entre os quais iremos aqui listar os cinco mais desafiadores.

1.     Precisamos aplicar as riquezas geradas no Polo Industrial de Manaus – fundos, contribuições e parte de nossos lucros em P&D&I – na Bioeconomia, Piscicultura, Silvicultura, Fruticultura, Mineração e Turismo destinados ao desenvolvimento regional para remover os constrangedores IDHs de nossa gente, criar emprego, proteção florestal e um novo ciclo de pujança para ajudar o Brasil.

Ano após ano, vemos  a riqueza produzida no Amazonas se destina a colocar este estado, geograficamente isolado e socialmente empobrecido, no absurdo ranking de um dos cinco estados que mais recolhe recursos para a Receita. Como diversificar nossa economia e interiorizar seus benefícios sem os recursos que podem inaugurar uma nova era de prosperidade e superar essa vergonhosa vulnerabilidade social de tantos excluídos. Somos proporcionalmente o estado que menos recursos recebe da União Federal e o quinto que mais contribui, a despeito da Lei mandar que essa dinheirama seja usada na região.

2.     Como gerar Bioeconomia e outras atividades econômicas sem infraestrutura adequada de transportes, energia e comunicação, a despeito de recolhermos, a partir da riqueza aqui construída,  R$ 110,9 bilhões de impostos aos cofres federais, de 2001 a 2018, deixando apenas R$ 38,3bilhões para o propósito de redução das desigualdades regionais. Isso é constatado nos portais da Receita Federal e Esradual.

Há um equívoco, constatado recentemente por estudos de uma instituição paulista, paga pelo setor financeiro principalmente, de que a remoção da indústria instalada em Manaus poderia dar lugar à Bioeconomia, gerando em torno de 250 mil empregos. Remover o Polo Industrial de Manaus significaria remover de cara 500 mil empregos aqui conquistados, segundo o IBGE e a RAIS, o Relatório Anual de Informações Sociais. Nenhuma outra modelagem econômica poderia gerar, ao mesmo tempo, tantos benefícios sociais e tantos impostos para o Custo Brasil que nos empurrou para este programa regional de acertos no coração da Amazônia .

3.     Aqui não fabricamos bicicletas em lugar de Bioeconomia. Fabricamos bicicleta para gerar alternativas sustentáveis a partir da diversidade biológica. Os recursos, entretanto, são repassados para outros fins, sabe-se lá quais são. Somos campeões em fazer leis para zombar delas. E voltamos esclarecer: aqui não há bolsa empresário, não há um centavo sequer de dinheiro público nos diversos polos de produção de benefícios para a sociedade e tributos em profusão para o poder público. 

Bioeconomia é a imitação das soluções inovadoras que a Ciência descobre na biodiversidade para resolver problemas do homem em sociedade dentro do saudável critério da sustentabilidade. Isto supõe a indústria do conhecimento e não o proibicionismo perverso e a burocracia raivosa que nos impede a sair do lugar.

4.     Os órgãos públicos costumam olhar o empreendedor como um meliante a priori, um marginal da Lei que vem para destruir e subornar. A legislação não nos motiva a empreender, e desanima quem quer aprender a gerar riqueza com responsabilidade como fazemos no programa ZFM das indústrias sem chaminés e do reaproveitamento de resíduos industriais.

 Sem responsabilidade não teremos um futuro com prosperidade, entretanto, essa postura do proibicionismo é o sepulcro do pioneirismo empreendedor na Amazônia. Qualquer país desenvolvido, desses que tudo a daria para chamar de seu o bioma Amazônia, investiria um milhão de vezes mais pois iria produzir proteína de peixes, princípios ativos de oleaginosas (açaí, buriti, dendê) para alimento, cosmético e fármacos para toda a humanidade.

5.     Finalmente, como é possível consolidar a Bioeconomia sustentável se instituições como o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia que já foi a maior referência em Ciência Tropical, receba apenas US$ 9 milhões/ano para fazer pesquisa, desenvolvimento e inovação a partir da diversidade biológica?

Aqui habitam as soluções miraculosas para essas demandas globais. Com um detalhe, é insano desmatar, queimar e fazer pasto desse almoxarifado genético de valor incalculável. Temos direito a manejar 20% da floresta, mantemos intacta no Amazonas mais de 95% da cobertura florestal. Podemos manejar uma pequena parcela disso, dentro de critérios de geração de emprego e renda associado ao fortalecimento florestal, como determina o passo-a-passo do MFS, Manejo Florestal Sustentável. Ou como faz a gloriosa Embrapa em seus programa sustentável ILPF, Integração Lavoura Pecuária floresta, que revolucionou para melhor o Agronegócio.

(*) Wilson é economista, empresário e presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas
Foto/Destaque: Divulgação

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