Confiança retomada gradativamente

Confirmando as projeções feitas pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) sobre a confiança do consumidor, representantes do segmento comercial amazonense estimam melhores resultados nas vendas no último trimestre do ano, em relação a igual período de 2016. O otimismo apontado pelo levantamento está ligado ao cenário macroeconômico, reforçado pela liberação dos recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), queda na taxa de juros e menores índices inflacionários.

De acordo com o presidente da assembleia geral e do conselho superior da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ismael Bicharra, a economia sinaliza recuperação gradativa no país e no Estado. Segundo ele, a liberação de pagamentos como o FGTS inativo e o PIS/Pasep incentivam o consumo e possibilitam o impulso de melhores resultados na economia como um todo.

Segundo Bicharra a melhora na economia possibilita a previsão de criação de novos postos de trabalho no setor comercial de Manaus. Ele informou que nos próximos meses há expectativa de criação de aproximadamente duas mil vagas temporárias no comércio, número que segundo ele, é expressivo quando comparado ao volume de contratados em igual período do ano anterior.

“No ano passado tivemos poucos contratos temporários. Acreditamos que devido ao incentivo dado pelo governo federal ao consumo, por meio dos recursos liberados durante o ano, os resultados comecem e alavancar e tenhamos crescimento de até 5% nas vendas do comércio em relação a 2016”, disse. “A economia é um ciclo e todos os subsetores inclusos no comércio acompanham o crescimento. Um exemplo é o mercado imobiliário, que também aquece junto ao comércio porque quanto mais renda em circulação mais serviços são contratados”, completou.

O vice-presidente da Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas), Aderson Frota, comenta que a queda da inflação, a redução das taxas de juros e a sinalização de retomada no volume de mão de obra gerou boas expectativas e elevou a confiança do consumidor amazonense. Para o empresário, o maior entrave para o crescimento econômico nacional está nos problemas políticos decorrentes de escândalos de corrupção, o que segundo ele, afeta tanto o consumidor quanto o empresário que se sente receoso em fazer novos investimentos.

“Notícias de queda na inflação, redução nas taxas de juros e sinais de retomada do emprego mexem com o entusiasmo das pessoas e resulta na retomada da confiança do consumidor. O grande problema é que não se consegue desatrelar a economia da conturbação política. É preciso reanimar a economia para que os empregos voltem a crescer e consequentemente, o consumo”, disse. “Todos os segmentos começam a viver melhores momentos também decorrentes do melhor acesso ao crédito”, completou.

Sondagem do Consumidor
Conforme os números da FGV, o ICC (Índice de Confiança do Consumidor), no país, subiu 1,4 ponto neste mês, alcançando 83,7 pontos, o maior resultado desde maio de 2017, quando os números foram de 84,2. Em relação ao mesmo período no ano anterior, o índice avançou 3,9 pontos. Na análise da coordenadora da Sondagem do Consumidor, Viviane Seda, o melhor desempenho da economia nacional pode ser atribuído à liberação dos recursos do FGTS inativo, somado à menor taxa de juros.

“A recuperação mais consistente da economia fez com que a confiança do consumidor retornasse ao nível anterior à crise política. Na comparação com indicadores empresariais, no entanto, a confiança do consumidor ainda é baixa, sinalizando cautela diante dos níveis elevados de incerteza. Os resultados sugerem que a melhora do consumo nos últimos meses tem sido sustentada mais pela liberação de recursos do FGTS, queda dos juros e depreciação de bens duráveis que pelo otimismo do consumidor”, afirma.

Segundo o levantamento, em outubro, os consumidores avaliaram mais favoravelmente tanto a situação atual quanto as perspectivas futuras. O ISA (Índice de Situação Atual) subiu pelo terceiro mês consecutivo e, ao avançar 2,3 pontos atingiu 73,2 pontos, o melhor resultado desde junho de 2015 (74,9). O IE (Índice de Expectativas) avançou pelo segundo mês ao subir 0,7 ponto, para 91,8, nível próximo ao de junho desse ano (91,7).

Os consumidores se mostraram menos insatisfeitos com a situação econômica em geral. Os indicadores que medem as avaliações sobre a situação econômica no momento e no futuro próximo avançaram 2,7 pontos, exercendo influência positiva no índice de confiança deste mês.

Há um aumento da satisfação também em relação às finanças familiares. O indicador que mede as avaliações no momento aumentou 2,0 pontos, para 67,1 pontos, o maior patamar desde agosto de 2015 (70,5). E a despeito de perspectivas mais favoráveis com relação à situação financeira das famílias nos próximos meses, os consumidores continuam cautelosos na hora de planejar suas compras. O indicador que mede a intenção de compras de bens duráveis recuou pelo quinto mês consecutivo, para 71,3 pontos, nível próximo ao de abril passado (71,1).

Em outubro, a confiança avançou em três das quatro faixas de renda pesquisadas. A maior alta foi registrada nas famílias com renda entre R$ 4.800,01 e R$ 9.600,00. Para estas, houve melhora tanto da satisfação com a situação atual quanto das expectativas para o futuro próximo. Entre as famílias com renda acima de R$ 9.600,00, o nível de confiança recuou 2,2 pontos, influenciado pelas expectativas negativas em relação ao futuro. A edição de outubro de 2017 coletou informações de 20 domicílios entre os dias 2 e 21 de outubro.

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