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Confiança do consumidor de Manaus sofreu primeira queda em fevereiro, após 19 meses de altas

A confiança do consumidor de Manaus sofreu sua primeira queda em fevereiro, após 19 meses de altas consecutivas. Os dados locais da CNC (Confederação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) para a ICF (Intenção de Consumo das Famílias) revelam que a capital amazonense seguiu a média nacional. Em sintonia com o aperto sazonal nas contas de começo do ano, as percepções sobre renda, consumo, emprego e acesso a crédito derreteram, contaminando as expectativas e a intenção de comprar bens duráveis. A piora se deu principalmente entre as famílias com renda de até dez salários mínimos.

O ICF de Manaus marcou 102,1 pontos em fevereiro, e ainda está na zona de satisfação (acima dos 100 pontos), para onde voltou há três meses. Houve decréscimo de 3,1% ante janeiro (105,3 pontos), mas o indicador se manteve 50,15% acima do patamar de 12 meses atrás (68 pontos). O otimismo das famílias de renda mais baixa (99,4 pontos), que vinha sustentando a trajetória crescente do indicador em meses mais recentes, regrediu 3,3% e voltou à zona vermelha. Já os consumidores mais abastados (129,4 pontos) diminuíram a confiança em 1,5%, mas se mantiveram confiantes. 

Manaus acompanhou o movimento da média nacional, que registrou sua terceira retração mensal consecutiva. O ICF brasileiro caiu 0,5% em fevereiro, em relação ao mês anterior, mas se manteve no quadrante positivo de confiança (105,7 pontos) pelo sétimo mês consecutivo. O indicador mensal da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, entretanto, escalou 10,4% sobre fevereiro de 2023, e apresentou seu maior valor para o mês na série histórica da entidade, desde 2015.

A nova alta do ICF de Manaus ocorre um mês após a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), medida pela mesma entidade, sofrer repique, com 80,3% (529.820) das famílias de Manaus embarreiradas por contas a pagar, e 48% (316.962) delas inadimplentes. Em paralelo, o Icec (Índice de Confiança do Empresário Comercial), também da CNC, registrou um segundo mês de alta e marcou 112,9 pontos. Os lojistas melhoraram a percepção sobre a economia e expectativas de investir. Mas, o entusiasmo é menor do que o de um ano atrás, e a intenção de contratar arrefeceu.

Renda e emprego

O ICF de Manaus caiu em todos os seus sete componentes, na variação mensal. Três deles continuam no patamar de insatisfação. A piora mais significativa vêm da intenção de comprar bens duráveis (-9,6%), em sintonia com as quedas acentuadas no acesso ao crédito (-3%) e as perspectivas profissionais (-3,3%). O recuo na confiança se estendeu também à percepção sobre emprego atual (-2,6%), nível de consumo atual (-2,4%), perspectivas de consumo (-1,4%) e renda atual (-0,7%).

Apesar da queda lenta e gradual dos juros, o segundo escore mais baixo veio novamente da situação atual do crédito (76,6 pontos): 49,91% consideram que o acesso a financiamentos está mais difícil do que no ano passado. Apenas 26,5% apontam que ficou mais fácil e 17,9% dizem que empatou. O pior número passou a ser o do subindicador de “momento de aquisição de bens duráveis” (76,3 pontos), sendo que 55,6% consideram que esta não é a melhor hora para se endividar com compras. Em ambos os casos, a insatisfação é a regra entre as famílias mais pobres.

O nível de consumo atual já deixou de ser um dos fatores que puxavam a média de Manaus para baixo e, pouco a pouco, se aproxima da zona de satisfação. Mas, mesmo com os aumentos anteriores, o subindicador tem o terceiro pior escore da lista (93,3 pontos). Famílias com renda acima de dez mínimos contam com pontuação muito maior (117,1 pontos), apesar de terem reduzido o otimismo. A fatia de manauenses que estão indo menos às compras (39,7 pontos) sofreu repique e segue majoritária. Em torno de 33,1% dizem que estão consumindo mais, enquanto 24,9 não veem diferença. 

A avaliação sobre a renda familiar atual (113,5 pontos) e a perspectiva de consumo (117,1 pontos) se mantiveram além da linha divisória da satisfação. Uma minoria de 26,6% dos entrevistados em Manaus diz que a renda familiar piorou em relação ao cenário de econômico de 12 meses atrás, ao passo que uma parcela crescente de 40% enxerga melhora e 31,7% consideram que está igual. Em paralelo, 44% das famílias de Manaus esperam compras maiores nos próximos meses, enquanto 27% apostam em um cenário adverso e 25,5% aguardam estabilidade.

A perspectiva profissional (128,4 pontos) ainda contabiliza o maior escore da lista, mas o subindicador de situação atual do emprego (112 pontos) perdeu posições. A maioria absoluta dos consumidores (55,2%) prevê melhora nos próximos seis meses, praticamente o dobro do grupo dos que têm opinião contrária (26,8%). O percentual de indecisos (18%) também continua significativo. Ao mesmo tempo, os que se dizem “mais seguros” profissionalmente (31,9%) superam os “menos seguros” (22,8%), mas 23,4% não enxergam mudanças, e a cota de desempregados estabilizou em 21,4%.

“Nada alarmante”

Em entrevistas recentes à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, lembrou que as famílias de Manaus registraram um “pequeno” e “nada alarmante” aumento no nível de endividamento em 2024, por conta das festas de fim de ano. “Apesar das vendas de dezembro terem crescido, os custos e a inadimplência do consumidor repercutem na economia. Ainda não atingimos nem a metade do endividamento focado pelo programa Desenrola. Mas, o primeiro semestre é inferior em movimento ao segundo. Esperamos que 2024 seja um ano mais positivo”, ponderou.

Em comunicado à imprensa, a CNC avaliou que os dados do ICF nacional apontam para uma recuperação  em relação aos anos anteriores, dada a variação positiva anual do indicador. “Sabemos que a preocupação das famílias em honrar suas dívidas é uma questão central nos lares brasileiros, sobretudo aqueles de média e baixa rendas. Mesmo assim, fevereiro trouxe ganhos importantes para a economia brasileira, mostrando que há condições favoráveis ao consumo”, frisou o presidente da entidade, José Roberto Tadros.

No mesmo texto, o economista-chefe da entidade, Felipe Tavares, destaca que o subindicador de intenção de compra de bens duráveis também marcou o menor escore da pesquisa, e que o componente relativo ao acesso ao crédito também teve taxa mensal negativa, a despeito do crescimento anual. A conclusão é que a percepção do efeito positivo da redução dos juros vem se esgotando no aquecimento do consumo.

“Observando também, a redução da inadimplência, podemos concluir que as famílias estão aproveitando o crédito mais barato para ajustar seus orçamentos em vez de fazer novos compromissos”, analisou. “A atenção com o planejamento financeiro vem mostrando resultado no mercado de crédito e, apesar de enfraquecer o consumo, a intenção de compra permanece melhor do que em anos anteriores”, arrematou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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