Confiança do consumidor de Manaus derrete em fevereiro

A segunda onda de covid-19 e as consequentes restrições sanitárias ao funcionamento dos estabelecimentos comerciais ajudaram a derreter ainda mais a confiança do consumidor de Manaus, em fevereiro. O índice de ICF (Intenção de Consumo das Famílias) caiu 3,2%, seguindo a média nacional com mais intensidade. A insatisfação é puxada pela percepção sobre renda atual e perspectivas de consumo, em um panorama ainda sem políticas anticíclicas federais. Os dados são da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

O ICF de Manaus passou de 58,5 para 56,6 pontos, entre janeiro e fevereiro, além de ficar novamente bem aquém do patamar de 12 meses antes (105,9 pontos). Pela décima vez seguida, desde abril, a pontuação se situou na zona de insatisfação (até 100 pontos), sendo a nona em que não supera os 60 pontos. Na média brasileira, o indicador (74,2 pontos) caiu 0,6% após o ajuste sazonal, interrompendo uma sequência de cinco altas mensais consecutivas, registrando o pior fevereiro da série histórica. No comparativo anual, o recuo foi ainda maior (-25,3%).

Quatro dos sete componentes do ICF caíram em Manaus, na variação mensal, sendo que todos permaneceram abaixo do patamar de insatisfação. As retrações foram puxadas pelas perspectivas, tanto de consumo (-9,5%), quanto profissionais (-6,8%), com a consequente queda na compra a prazo (-8%), mas a satisfação com a renda atual também encolheu (-3,3%). Houve incremento significativo para a visão do consumidor local para o “momento para duráveis” (+8,9%), mas as percepções sobre emprego atual (+0,1%) e nível de consumo atual (+0,2%) praticamente estagnaram.

Em termos absolutos, as intenções de compras do manauense foram refreadas novamente pelo consumo atual, o pior dado da lista (21,3 pontos). Nada menos do que 86,6% relataram estar comprando menos do que no ano passado –e esse percentual sobe para 88,9% entre os que recebem mais do que dez salários mínimos. Apenas 7,9% dizem que estão comprando mais –com predomínio dos que ganham menos (8,3%) –e 5,5% afirmam que está tudo na mesma.

Os gastos são refreados também pelas perspectivas de consumo das famílias da capital amazonense (39 pontos). Em torno de 76,6% consideram que seus dispêndios serão menores nos próximos meses, em relação a 2020, com maior pessimismo entre os que ganham menos de dez mínimos (77%). Uma parcela de 15,6% aposta que ainda será maior e outros 6,9% avaliam que seguirá igual. 

Emprego e crédito

A situação atual do emprego (85,1 pontos) piorou na comparação com janeiro (84,9 pontos), mas também continuou aquém do nível de satisfação. A maioria ainda se sente “menos segura” (29,9%) ou simplesmente está desempregada (27,1%), enquanto apenas 15% estão “mais seguros”. O mesmo se deu nas perspectivas profissionais (65,2 pontos), onde a percepção majoritária (66,2%) é negativa, em detrimento dos otimistas (31,4%). O pessimismo é maior para as famílias que ganham mais no primeiro caso, e para as que ganham menos, no segundo.

Em relação ao crédito, a insatisfação foi reforçada entre janeiro (95,3 pontos) e fevereiro (87,7 pontos). Para 40%, o acesso ainda está mais fácil, enquanto 52,5% já dizem que ficou mais difícil – contra os 44,3% e 49% registrados em janeiro. O cenário de piora se reflete na perspectiva de aquisição de bens duráveis (56,6 pontos): 71,7% das famílias garantem que este não é o momento adequado para isso e apenas 28,2% acham que sim. Há mais cautela entre os que têm renda maior, no crédito, e para os que ganham menos, na disposição de encarar prestações.

“Momento pior”

O presidente em exercício da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, observa que todos os níveis de satisfação do consumidor vêm caindo no âmbito nacional, desde abril de 2015. Lembra ainda que, no começo da pandemia, a percepção do consumidor estava aquém do “patamar da normalidade”, descendo a níveis ainda mais baixos, no mês passado. Para o dirigente, isso se deve principalmente à segunda onda e à nova rodada de restrições ao comércio, fazendo com que os números sejam piores em Manaus.

“Isso acontece porque a população está mais temerosa e cautelosa em seus ímpetos de compra, em virtude das paralisações na atividade comercial e na ameaça de desemprego proveniente dessa situação. No tocante a emprego, as perspectivas mostram uma queda no sentimento de segurança e, no Amazonas, o grau de oscilação é mais forte. (…) Atravessamos dois meses de muitas dificuldades. Muitas empresas fecharam suas portas e muitos empregos também sumiram. E era só o Estado que estava vivenciando esse momento pior da pandemia”, justificou. 

Mercado de trabalho

Em texto distribuído à imprensa, a economista da CNC responsável pela pesquisa, Catarina Carneiro da Silva, pondera que, mesmo com o recuo no indicador geral, a percepção das famílias brasileiras em relação ao nível de consumo continuou em alta. “O principal fator de influência para o resultado negativo foi o mercado de trabalho. Tanto as incertezas sobre a manutenção do emprego atual, quanto as perspectivas de mudança de emprego e melhora da renda, podem ter impactado essa percepção das famílias”, analisou.

No mesmo texto, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, avalia que os brasileiros estão mais cautelosos na hora de comprar, especialmente diante das incertezas econômicas. “Mesmo assim, as famílias não têm deixado de consumir enquanto têm sua renda garantida ou complementada com algum subsídio. Mais uma vez, estamos em um momento decisivo, em que os brasileiros olham para o mercado de trabalho e para as ações do governo diariamente antes de tomar as suas decisões”, concluiu.

Foto/Destaque: Divulgação

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