7 de março de 2021

Confiança do consumidor avança em Manaus

A confiança do consumidor de Manaus avançou 4,4% na passagem de julho para agosto, segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), embora ainda se mantenha bem abaixo de um ano atrás. O desempenho foi melhor do que o da média nacional, mas a alta local do índice de ICF (Intenção de Consumo das Famílias) ainda não foi suficiente tirar a capital amazonense do patamar da insatisfação, em função das perspectivas negativas para as compras e as incertezas quanto ao emprego. 

O ICF de Manaus subiu para 58,9 pontos, pouco acima das marcas de junho e julho (ambas em 56,5 pontos) e bem abaixo do patamar registrado em julho de 2019 (102,5). Pela quarta vez seguida, o número se situou na zona de insatisfação (até 100 pontos). Na média brasileira, o indicador caiu pela quinta vez consecutiva (-0,2%) e chegou aos 66,2 pontos, o pior número para o mês desde o início da série histórica, em janeiro de 2010. No confronto com o mesmo mês de 2019, o recuo foi de 27,6%.

Assim como no mês anterior, apenas dois dos sete componentes do ICF ficaram em Manaus –Nível de Consumo Atual (-6,5%) e Perspectiva de Consumo (-27,3%). Em julho as reduções haviam sido de -9,6% e -7%, respectivamente. O destaque positivo veio, novamente, de Momento para Duráveis (+45,2%). Compra a Prazo/Acesso ao Crédito (+32,1%), Renda Atual (+24,3%), Perspectiva Profissional (+5,4%) e Emprego Atual (+3,2%) vieram na sequência.  

Apesar do leve incremento, as intenções de compras das famílias de Manaus foram refreadas pelas percepções negativas sobre o consumo atual (21,1 pontos). Nada menos do que 87,3% dos entrevistados relatou estar comprando menos do que no ano passado – e esse percentual sobe para 88,2%, entre os que recebem menos do que dez salários mínimos. Apenas 8,5% dizem que estão comprando mais e 3,9% afirmam que está tudo na mesma.

Outro dado negativo que inibe a capacidade do consumidor de Manaus vem de suas perspectivas de consumo (78,5 pontos), o subíndice a registrar a maior queda no mês. Em torno de 58,7% das famílias considera que seus dispêndios serão menores nos próximos meses. Uma parcela de 37,1% aposta que ainda será maior e outros 38,4% avaliam que seguirá igual. O consumidor que ganha mais de dez mínimos (74,7 pontos) é o mais pessimista, neste caso.

Emprego e crédito

Outro fator que limita as intenções de consumo vem da situação atual do emprego (89,3 pontos). A maioria ainda se sente menos segura (29%) ou está desempregada (32,8%), enquanto apenas 18,4% estão mais seguros. O mesmo se deu nas perspectivas profissionais (47 pontos), onde a percepção majoritária (74,3%) é negativa em relação a alguma possível melhora, em detrimento dos otimistas (16,2%). A insegurança presente é maior para os que ganham mais, mas as perspectivas são piores para os que recebe menos. 

A percepção dos manauenses em relação ao crédito (105,6 pontos), no entanto, se inverteu em relação ao mês anterior. Para 49,3% dos entrevistados, o acesso está mais fácil e outros 43,6% acreditam que ficou mais difícil –contra os 54,3% que diziam o mesmo, em julho. Em contrapartida, 83,9% das famílias ouvidas pela CNC garantem que este não é o momento adequado para aquisição de bens duráveis (31,6 pontos). As dificuldades para financiamento se dão mais entre os que ganham mais e o inverso ocorre no caso das perspectivas de endividamento futuro.

Crescimento gradual

Na avaliação do assessor econômico da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), José Fernando Pereira da Silva, os números da CNC indica que uma parcela muito grande das famílias de Manaus ainda demonstra grau consideravelmente elevado de desconfiança em relação ao desempenho da economia, em da crise da covid-19. O economista ressalva, entretanto, que a tendência do índice é de melhora gradual.

“A pandemia engessou toda a atividade econômica e essa baixa confiança mostra claramente esse efeito deletério em nossa atividade, que vinha em trajetória de alta desde 2019. O dado positivo é que a situação parou de piorar e os indicadores de desempenho de comércio e serviços já vem apresentando crescimentos. Por isso, estamos confiantes que, entre setembro e outubro, devemos ter uma melhora nesse quadro”, ponderou. 

Otimismo cauteloso

Em texto distribuído à imprensa, a economista da CNC responsável pela pesquisa, Catarina Carneiro da Silva, avalia que o aumento da expectativa de consumir nos números nacionais do indicador revelam que, apesar de as famílias ainda demonstrarem percepção negativa sobre o consumo atual, já se mostram mais otimistas. “Percebe-se que a renda das famílias continua sendo afetada pela crise da covid-19, apesar de dar sinais de uma recuperação gradual. Além disso, os brasileiros demonstraram percepções menos negativas em relação ao mercado de trabalho”, ponderou.

No mesmo texto, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, assinala que os resultados de agosto mostram que os brasileiros permanecem conscientes da importância da sua renda, embora ainda cautelosos em relação ao nível de consumo. “O momento atual permanece incerto e exige cautela das famílias. Contudo, os resultados negativos já demonstram desaceleração”, finalizou.

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