Confiança de lojistas de Manaus diminui em maio

A confiança dos lojistas de Manaus despencou pelo terceiro mês seguido, em maio. A retração nas expectativas seguiu a trajetória da média nacional, embora com mais força. A insatisfação foi puxada pela percepção sobre a situação atual da economia a brasileira e das intenções de contratar, embora as projeções de investimento tenham registrado melhora. Os dados são do Icec (Índice de Confiança do Empresário do Comércio), medido pela CNC (Confederação Nacional do Comércio). 

Neste mês, o indicador registrou 99,6 pontos na capital amazonense, recuando 3,2% em relação à marca de abril (102,6 pontos), além de ficar 5,8% abaixo do patamar de maio do ano passado (105,5 pontos) – mês em que a primeira onda da pandemia ainda não havia acabado no Amazonas. Em todo o Brasil, o índice da CNC recuou 1,2% na variação mensal e 3,3 na base acumulada, atingindo 91,3 pontos, na sexta variação negativa consecutiva.

Apurado entre os tomadores de decisão das companhias comerciais, o levantamento avalia condições atuais, expectativas de curto prazo e intenções de investimento. Pontuações abaixo de 100 representam insatisfação, enquanto marcações de 100 até 200 são consideradas de satisfação. A Confederação Nacional do Comércio sondou 6.000 empresas de todas as capitais do país – 164 delas, em Manaus. 

Oito dos nove subíndices do Icec voltaram a sofrer retração mensal, sendo que o único dado positivo veio do nível de investimento das empresas/NIE (+8,5%), embora este se mantenha em patamar abaixo da satisfação (92,2 pontos). Os subindicadores relativos à contratação de funcionários/IC (-9,8% e 100,7 pontos) e às condições atuais da economia brasileira/CAE (-8% e 75,9 pontos), por outro lado puxaram os números globais para baixo. 

A percepção sobre as condições atuais do comércio/CAC (-4,9% e 91 pontos) e das empresas comerciais/CAEC (-4,7% e 103,5 pontos) também seguiu negativa, assim como as expectativas da economia brasileira/EEB (-3,4% e 121,4 pontos), das empresas comerciais/EEC (-1,4% e 137,3 pontos) e do comércio/EC (-1,4% e 134,8 pontos) e a satisfação com a situação atual dos estoques/SAE (-1,2% e 92,8 pontos). 

Contratações e investimentos

A maioria dos comerciantes de Manaus (41,9%) considera que a situação atual da economia brasileira “piorou um pouco”. São seguidos pelos que dizem que “piorou muito” (32,1%), “melhorou um pouco” (25,6%) e – de longe – pelos que garantem que “melhorou muito” (0,5%). A percepção majoritária também indica que as condições atuais do setor e da empresa “piorou um pouco” (44,1% e 44,3%, na ordem). Em ambos os casos, a percepção é mais negativa nas empresas com mais de 50 empregados e que vendem bens duráveis.

O ceticismo é maior sobre as expectativas para a economia: a maioria majoritária ainda é de que vai “melhorar um pouco” (72,8%), seguida pelos que acreditam que vai “piorar um pouco” (10%). Há mais otimismo em relação ao setor, onde se espera que melhore “um pouco” (77,2%) e “muito” (10,9%), e sobre a empresa (77,6% e 10,5%, respectivamente) – com destaque para as companhias de menor porte e atuantes em duráveis, para ambas as situações.

A maioria absoluta ainda diz que o contingente de trabalhadores deve “aumentar pouco” (49,3%), seguida pelos que avaliam que pode “reduzir pouco” (36,9%). Em contrapartida, a projeção majoritária para investimentos nas empresas passou a ser “um pouco menor” (46%), enquanto 25,6% consideram que será “um pouco maior” e 24,6%, que será “muito menor”. O otimismo predomina entre as empresas maiores e que trabalham com produtos não duráveis.

“Onda de otimismo”

O presidente em exercício da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, destaca que as restrições ao funcionamento do varejo de Norte a Sul explicam o recuo do indicador no cenário nacional. O dirigente lembra que, após encerrar 2020 com portas fechadas e passar seu pior momento no primeiro bimestre de 2021, o setor teve sua confiança fortemente abalada em Manaus e enfrentou dificuldades para repor estoques, mas considera que o otimismo está se restabelecendo gradualmente.

“É natural que os empresários não estejam mais tão otimistas como estavam na segunda metade de 2020. Mas é importante verificar que, dado nosso patamar de satisfação [de 99,6 pontos], nosso comércio não está tão pessimista, não obstante todos os problemas que aconteceram. Tivemos dificuldades para o Dia das Mães, mas já houve uma sensível melhora nas vendas da data. Há uma onda de otimismo paulatina e contínua entre os empresários de Manaus. Estamos saindo do inverno para o verão e o segundo semestre é o melhor período para vendas. A confiança está se expandindo e os investimentos estão dando sinais de melhoria”, afiançou.  

Liquidez e restrições 

Em texto distribuído pela assessoria de imprensa da CNC, o economista responsável pela pesquisa do Icec, Antonio Everton, pontuou que a melhora no otimismo dos comerciantes foi a única explicação responsável pela suavização na queda do indicador de confiança empresarial, no âmbito brasileiro. O especialista atribuiu a mudanca de percepção do empresariado do setor à aguardada injeção de liquidez no mercado.

“Além do contexto favorável do aumento das vendas, também se observa interesse do comércio com a entrada em circulação da concessão dos benefícios de transferência de renda, como o auxílio emergencial, que chegará a R$ 44 bilhões no total, e a antecipação do pagamento do 13º salário do INSS, cuja estimativa é disponibilizar R$ 52,7 bilhões para consumo, poupança e pagamento de dívidas. Foi importante ter havido algum otimismo nas expectativas para mitigar o decréscimo do índice no mês”, frisou.

No mesmo texto, o presidente da entidade, José Roberto Tadros, explica que os efeitos das medidas de restrição às atividades de comércio e de serviços podem ainda ser percebidos sobre o setor, em paralelo com o ritmo da vacinação. Para o dirigente, isso pode prejudicado as compras presenciais, que ainda é o meio preferencial de muitos clientes. “Mesmo com os incentivos do governo, como a nova rodada do auxílio emergencial, estamos falando de uma conjuntura econômica ainda complexa por causa da inflação e do desemprego, o que afeta decisões e expectativas dos empresários”, finalizou.

Foto/Destaque: Divulgação

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