27 de fevereiro de 2021

Confiança da indústria cresce no fim de ano

O otimismo voltou a aumentar na indústria nacional, em novembro, e já está disseminado em todos os 30 segmentos analisados mensalmente pela pesquisa do ICEI (Índice de Confiança do Empresário Industrial), da CNI (Confederação Nacional da Indústria). O levantamento indica ainda que houve aumento de confiança em pelo menos 18 subsetores, na comparação com novembro, sendo que a maioria deles está presente no parque fabril da Zona Franca de Manaus.

Segmentos fortes no PIM, como os de metalurgia, de produtos químicos e de máquinas e equipamentos (condicionadores de ar e terminais bancários) estão entre os mais confiantes, embora a pontuação ainda esteja relativamente baixa para a série histórica. Em linhas gerais, o placar dos indicadores variou de 57 pontos (obras de infraestrutura) a 67,7 pontos (metalurgia). O ICEI varia de 0 a 100 pontos e valores acima da linha divisória dos 50 pontos indicam confiança.

Outros subsetores de peso na indústria incentivada de Manaus, como “outros equipamentos de transporte” (o polo de duas rodas) e equipamentos de informática e produtos eletroeletrônicos (+ 2,9 p.p.) estiveram entre os que mais cresceram em otimismo e registraram acréscimos de 3,1 e de 2,9 pontos percentuais a suas respectivas variações mensais, registrando 63,7 e 64 pontos, na ordem. Ficaram atrás apenas do segmento de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (+5,5 p.p. para 60 pontos).

Outras linhas de produção importantes para a manufatura incentivada da capital amazonense, no entanto, reduziram a proporção do otimismo, embora tenham se mantido confiantes. É o caso da indústria de material plástico, que recuo de 65,4 pontos para 64,1 pontos, entre outubro e novembro, e que já vinha de uma queda em relação a setembro (68,2 pontos). O mesmo se deu em bebidas, que retrocedeu de 62,6 para 59,2 pontos, na mesma comparação e também seguiu abaixo de setembro (61,7 pontos). Impressão e reprodução de gravações (fabricação discos digitais) apresentou um dos menores escores (57,7 pontos). 

“Perfil diferente”

Indagado sobre a percepção do empresariado dos polos de químico e de bebidas do PIM, diante do fim da novela das alíquotas de IPI e do atual cenário econômico, o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva, destaca que ambos os segmentos contam com perfil diferenciado na capital amazonense. O dirigente, que também preside o Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas de Manaus, lembra que o subsetor químico conta com fabricantes de concentrados, que são componentes para as linhas de produção da manufatura de bebidas, e considera que ambos estão otimistas.   

“Nosso perfil é um pouco diferente do nacional. Com relação à percepção do empresariado local, todos aqueles com quem me relaciono, têm demonstrado confiança em tempos melhores para os negócios na ZFM, embora todos também reconheçam que, se não forem efetuadas as reformas necessárias – Administrativa e Tributária –, teremos dificuldades. Na verdade, vivemos na dependência do ‘se’. Se tudo transcorrer como esperamos, 2021 será de progresso e satisfação. Fazemos votos que realmente os nossos desejos se concretizem”, afiançou.

Desabastecimento e otimismo

Na mesma linha, o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus, Nelson Azevedo, ressalta que o momento ainda é de recuperação para o segmento metalúrgico, a despeito do aquecimento da demanda nas linhas de produção de motocicletas, bicicletas e equipamentos de ginástica, entre outras. O dirigente, que também é vice-presidente da Fieam, lembra que um dos maiores entraves vem do desabastecimento de partes e peças, mas salienta que segue confiante. 

“Temos esses problemas agravados pela logística e pelo fato de que o contêiner só vem cheio, e tem que partir daqui cheio, também. Mas, acredito que é um problema que tende a ser resolvido ainda no começo do ano. E, se você conversar com qualquer empresário do setor, vai constatar que é difícil encontrar algum que não esteja otimista. Temos esperança de que 2021 seja um ano de crescimento e de que políticas para reduzir a burocracia e os custos das empresas continuem a ser implementadas”, ponderou. 

Alento e diálogo

Em texto postado no site da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), o presidente da entidade, José Jorge do Nascimento Junior, que o segmento vem vivendo algum alento, desde a reabertura gradual do varejo nas grandes cidades brasileiras, a partir de junho, e depois de ter sido “afetado de forma singular”, em abril e maio. Embora a indústria eletroeletrônica tenha encerrado o primeiro semestre de 2020 com quedas de 4% nas linhas branca (-31%), marrom (-4%), e de eletroportáteis (-19%), o dirigente reforça que o desempenho teria sido pior, sem as políticas anticíclicas federais.

De acordo com José Jorge do Nascimento Junior, a variação anual de junho apontou para alta acima dos 30% nas vendas, e o segmento se manteve em “excelente performance”, em julho e agosto, entrando confiante na reta final da Black Friday e do Natal. O dirigente acrescenta que o crescimento em ambas as datas seria uma forma de os fabricantes minimizarem as perdas da crise da covid-19 e desfrutarem de alguma estabilidade no encerramento do “turbulento 2020”, mas ressalva que o próximo ano chega com incertezas.

“Preocupa-nos, no entanto, saber se esse ritmo irá se manter ao longo de 2021. Este é nosso próximo desafio, o que torna necessário o diálogo e a cooperação entre a indústria e o poder público para que, juntos construamos soluções e alternativas eficazes para estimular a nossa economia no próximo ano, com foco no emprego e na renda, dois dos principais motores do aquecimento econômico, por meio do consumo. Só assim, para nos mantermos no bom caminho em direção a tempos melhores para nossa indústria e para toda sociedade brasileira”, arrematou.

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