Pesquisa realizada pelo projeto ‘ConVid – Pesquisa de Comportamento’, da Fiocruz, para analisar o comportamento de pessoas com idade de 18 a 29 anos, durante o isolamento social, mostrou que o consumo de doces teve um aumento significativo. Enquanto os congelados tiveram um crescimento de 4%, os embutidos e hambúrgueres 5%; os chocolates e doces chegaram a 6%. Talvez, por isso, a doceria Doce da Ioio tenha feito tanto sucesso, em tão pouco tempo de existência, aqui em Manaus. E olha que seus proprietários, os irmãos Marcelo e Anderson Figueiredo, apenas gostavam de consumir doces, e jamais tinham pego numa forma para fazê-los.

“Eu tenho uma empresa de eventos e meu irmão uma empresa de modulados. Com a pandemia e a paralisação de tudo, nossos negócios cerraram as portas”, lembrou Marcelo.

Naqueles dias difíceis, de abril e maio, para vencer o ostracismo, os irmãos ficaram pensando em como montar um novo empreendimento, ainda que tudo estivesse parado. Primeiro teria que ser algo na área da gastronomia; segundo, que o delivery fosse fácil.

Pesquisa realizada pela Mobills, startup de gestão de finanças pessoais, mostrou que o delivery no país cresceu quase 100% entre janeiro e maio deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado. Em abril, em comparação com março, o aumento foi de 60,67%; e em maio, em comparação com abril, o aumento foi de 39,58%. Quando as pessoas perceberam que estava sobrando dinheiro, não gastos com transporte e lazer, resolveram comprar mais comidas.

Uma pequena cozinha    

“Não foi difícil escolher o segmento de doces, pois eu e meu irmão temos o hábito de nos reunir com amigos e clientes em cafeterias e docerias. Conversamos com amigos de três segmentos para levar adiante o projeto: doceiras, para preparar o cardápio; marqueteiros, para elaborar a forma de divulgação da empresa e do produto; e digital influencers, para divulgá-los”, contou.

No dia 1º de junho a Doce da Ioio foi inaugurada numa pequena cozinha, com espaço suficiente para uma doceira. O nome da nova empresa surgiu de uma lembrança da infância dos irmãos.

“Temos uma amiga que se chama Iolanda, mas também queríamos um nome que lembrasse a avó. Quem, na infância, comeu os doces preparados pela avó sabe que essa é uma lembrança que fica pelo resto da vida, assim como queremos que aconteça com a Doce da Ioio”, disse.

Tão logo começou a divulgação da doceria apenas no Instagram, os pedidos se iniciaram. Pra completar, o Dia dos Namorados estava próximo, o que ajudou nas vendas. As canoas de sushi viraram canoas de docinhos, o bolo Vulcão, as coxinhas de leite Ninho com recheio de morango, o bolo com chocolate cremoso, ou em formato de coração, foram apenas alguns dos itens disponibilizados de imediato.

“Não esperávamos aquele resultado positivo tão rápido. Com apenas nove dias já havíamos entregue 200 pedidos e, à medida que se aproximava o Dia dos Namorados eles foram crescendo até não termos mais condições de atendê-los. Tivemos que recusar cerca de 500 entregas”, lamentou.

Atualmente com onze mil seguidores no Instagram, a Doce da Ioio já se recuperou da avalanche de pedidos e agora consegue atender a todos.

“Fazemos do famoso bolo caseiro ao sofisticado bolo de casamento, ou de aniversário. Não tenho idéia de quantos sabores temos, porque o tempo todo as doceiras estão criando coisas novas, mas procuramos atender ao desejo dos clientes”, afirmou.

Toque ‘caseiro’

Segundo o Sebrae, o segmento de confeitarias, lojas de bolo e docerias está em crescimento no país com receitas de doces tradicionais ganhando novas versões, principalmente gourmetizadas. O delivery, durante o isolamento social, tem sido o responsável por uma alta ainda maior.

Ainda de acordo com o Sebrae, um dos grandes diferenciais do segmento é oferecer produtos artesanais, ou seja, que não são produzidos em larga escala e se destacam pelo sabor diferenciado, menos industrializado. Neste contexto, as pequenas empresas, como a Doce da Ioio, saem na frente, já que podem explorar esse nicho e conquistar os clientes pelo toque ‘caseiro’ e uso de ingredientes de alta qualidade.

Dados da Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados), mostram que a produção de chocolate tradicional cresce 10% por ano, enquanto a média do mercado gourmet gira em torno de 20%.

A cozinha pequena inicial da Doce da Ioio logo foi substituída por uma maior, que conseguiu atender às demandas das festas juninas e do Dia dos Pais. Ainda que o delivery tenha sido, e continue sendo, muito bom, o próximo passo de Marcelo e Anderson será abrir uma loja física. A previsão é meados de setembro.

“É importante ter uma loja com vitrines para expor nossos produtos e onde o cliente possa ir para sentar e passar bons momentos degustando nossos doces, ou mesmo apenas pegar o seu pedido e nos conhecer. Aquelas pessoas de mais idade, como as vovós, e que não tem acesso à internet, precisam de lugares como esses. Pensamos este espaço principalmente para estes clientes”, concluiu.

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