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Conab reduz estimativa para produção de cana-de-açúcar para a safra 2024/2025 no Estado  

A Conab prevê que a safra de cana-de-açúcar 2024/2025 do Amazonas terá um desempenho mais modesto do que no período anterior. Em seu primeiro levantamento do ano, divulgado no final de abril, a Companhia Nacional de Abastecimento cravou que a produção não passará de 292.900 mil toneladas. Caso a estimativa se materialize, o Estado terá recuado 3,7% ante a safra 2023/2024 (304.000 toneladas), que já havia sido um ano de recuperação. São esperadas retrações também na área de plantio (-0,5% e 3.800 hectares) e no índice de produtividade (-3,2% e 76.245 quilogramas por hectare).

No mapa da estatal, o Amazonas aparece com uma das 11 taxas brasileiras de queda de safra de cana-de-açúcar para a presente safra, sendo o quinto pior resultado em um total de 19 unidades administrativas. Não ficou muito diferente da média nacional, que sinaliza queda de 3,8% e mais de 685,86 milhões de toneladas colhidas, para uma área total de 8,67 milhões de hectares (+4,1%) e produtividade de 79.079 quilogramas por hectare (-7,6%). O Estado também está ligeiramente acima da região Norte em produção (-4,1% e 3,78 milhões de toneladas) e produtividade (-5,2% e 76.458 kg/ha), mas não em área (+1,1% e 49.500 ha).

O Amazonas teve a sétima maior taxa de recuo de produtividade no país e a quarta mais significativa diminuição de área. Segue minoritário na cultura, respondendo por 0,04% da produção nacional. Mas, a concretização do prognóstico da estatal indicaria um mergulho da primeira para a 15ª posição do ranking de altas de produção. A cana de açúcar vem de uma escalada de 39,4% na safra de 2023/2024, após o tombo de 28,8% na safra de 2022/2023 (218.000 toneladas), e o ciclo virtuoso dos cinco anos anteriores. O recuo ocorreu em paralelo com o impacto local das mudanças climáticas. 

Os números do IBGE, que levam em conta o “ano cheio” e não a safra, são ainda piores do que a projeção da Conab. O Instituto Brasileiro de Geografia Estatística calcula que a safra de cana-de-açúcar do Amazonas deve despencar 54,4%, entre 2023 (65.932 toneladas) e 2024 (29.967 toneladas). Os prognósticos do órgão federal de pesquisa são negativos também para as áreas plantada (-26,8% e 832 ha) e colhida (-33,1% e 760 ha), assim como para o rendimento médio da atividade (-32,1% e 39.430 kg/ha).

ATR e etanol

O desempenho estadual em valores de ATR (açúcar total recuperável) total, que é a soma total dos açucares contidos na cana efetivamente aproveitados para a indústria sucroalcooleira, aponta para uma perda de 13,8%, na comparação da safra 2024/2025 (32.125 toneladas) com a de 2023/2024 (37.255 toneladas). A performance aguardada contrasta com as decolagens de 2023/2024 (+57,1%) e 2022/2023 (+24,9%), ficando aquém também do patamar de 2021/2022 (32.377 toneladas). Já o ATR médio da presente safra deve encolher 10,5%, ao passar de 122,6 para 109,7 quilogramas por tonelada.

O percentual de aproveitamento da cana cultivada no Amazonas ainda é melhor para a produção do açúcar, embora também negativo. Segundo o levantamento, o Estado deve somar 18.000 toneladas para este fim, 11,8% a menos do que na safra de 2023/2024 (20.400 toneladas). O prognóstico também é negativo para o álcool hidratado, que deve não deve passar de 6,934 milhões de litros, ficando 11,2% aquém do patamar anterior (7,80 milhões de litros). A produção amazonense de etanol ainda é exclusivamente de álcool hidratado, não havendo dados sobre álcool anidro.  

“No Amazonas, a área colhida deverá ser levemente reduzida em relação à safra passada, devido à não renovação de áreas. Os baixos índices pluviométricos consolidaram uma quantidade de chuva menor que a média de 2023, impactando também a produtividade”, assinalou a Conab, no texto da pesquisa, acrescentando que a produção de açúcar da região Norte está limitada ao Estado e ao Pará.

A Conab reafirma que a maior parte da colheita de cana-de-açúcar na região Norte ocorre entre agosto e março. Acrescenta também que, tanto pelo relevo acidentado, quanto pela disponibilidade de mão de obra, o percentual de colheita manual (74%) supera o mecanizado (26%), nos Estados nortistas. O Amazonas surge como um ponto fora da curva também nesse cenário, já que conta com 100% de sua colheita mecanizada desde a safra de 2015/2016. 

“Questão climática”

Em entrevistas recentes à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, informou que a produção de cana-de-açúcar no Amazonas atravessou dificuldades significativas a partir da crise da covid-19, culminando em 2022. A lista de entraves inclui, entre outros fatores, os impactos climáticos e a pressão da escalada dos custos – em decorrência da guerra na Ucrânia. Mas, ressalvou que a cultura não deixou de contar com um mercado promissor e sinalizar números melhores nos levantamentos posteriores.

Em nova entrevista, o dirigente lembrou que o mercado é crescente para subprodutos da cana-de-açúcar, principalmente para açúcar. Mas, confirmou que as mudanças climáticas são o maior entrave para a atividade. “Esses números, com previsão de pequena redução da safra, já eram esperados, diante do impacto da forte estiagem do ano passado, cujos efeitos ainda se refletem nas atividades agropecuárias. Esperamos melhora nas próximas previsões, mais isso dependerá muito de como transcorrerá o verão deste ano. A questão climática está cada vez mais sendo questão importante na tomada de decisões de investimentos privados”, alertou.

Em entrevistas anteriores à reportagem do Jornal do Commercio, o ex-superintendente da Conab, administrador com especialização na gestão de informação ao agronegócio familiar e empresarial, e colaborador do Jornal do Commercio, Thomaz Meirelles, informou que a produção de cana-de-açúcar se concentra em Presidente Figueiredo, e mais exatamente na Agropecuária Jayoro. Para o especialista, esse seria mais um potencial do Amazonas “travado por questões ambientais”. 

“Isso, mesmo com a clara demonstração de que o uso da tecnologia viabiliza a convivência harmônica entre produção e meio ambiente. Infelizmente, e lamentavelmente, a pobreza vem vencendo a batalha com a geração de renda digna, saúde, educação e segurança. Se não mudar os interlocutores da área ambiental, e colocar doutores da UFAM, UEA e dos próprios sistemas Sema e Sepror, para comandar essa área, com total respeito ao código ambiental, mas pensando no ser humano, o futuro do Amazonas será muito triste”, encerrou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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