Conab prevê queda na safra de grãos no Amazonas

A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) projeta um tombo de 13,9% para a safra de grãos 2020/2021 do Amazonas. A expectativa é que o rendimento global das culturas locais de arroz, feijão, milho e soja some 35,9 mil toneladas no período – contra as 41,7 mil toneladas da safra 2019/2020. Caso o quadro se confirme, a queda deve reverter os ganhos globais de 7,8%, registrados neste ano. Os dados foram divulgados pela estatal, nesta quinta (8).

Assim como o volume de produção, a área de plantio total no Amazonas também deve ir para trás – e com mais força –, segundo a Conab. Em termos de extensão, o decréscimo esperado é de 14,4% para as culturas, de 18,7 mil hectares (2019/2020) para 16 mil hectares (2020/2021). Em contraste, a produtividade sinaliza uma pequena alta. A relação quilograma/hectare deve subir 0,6% em relação ao intervalo anterior, passando de 2.230 kg/ha para 2.244 kg/ha.

Vale notar que, diferente do ocorrido no levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) – que considera a produção dos 12 meses do ano –, a sondagem da estatal federal leva em conta o calendário de safra, que começa em julho e termina junho do ano seguinte. E a diferença de metodologia pode explicar possíveis discrepâncias entre um e outro.

Três das quatro culturas que compõem a cesta amazonense de grãos aparecem com projeções no vermelho e apenas uma concentra estimativa positiva. A boa notícia é que o único crescimento aguardado pela Conab para o Amazonas vem da safra de arroz (5.700 toneladas), que sinaliza incremento de 5,6% sobre o período anterior (5.400 toneladas). Como seria de se esperar, a expansão ficou mais modesta do que a registrada neste ano (+100%). 

Na outra ponta, entretanto, o milho (23,2 mil toneladas) desponta com o pior índice de desempenho da lista, ao figurar com recuo de 18,3% sobre 2019/2020 (28,4 mil toneladas). Com estimativa de 4.600 toneladas, a soja comparece com o segundo maior percentual de redução (-13,2%) em relação à safra anterior (5.300 toneladas). Já o feijão (2.600) deve emendar o segundo ano seguido com produção menor (-7,7%), com 2.400 (2020/2021) contra 2.600 (2020/2021) toneladas. Os respectivos desempenhos anteriores foram +3,3%, 0% e 18,8%.

Área e produtividade

A estimativa para a área de plantio do arroz (2.500 hectares) é 4,2% maior do que a apresentada um ano antes (2.300 hectares) e a única a ser maior do que a da safra anterior. O milho foi o produto que sofreu o maior tombo entre 2019/2020 (11,2 hectares) e 2020/2021 (8,9 hectares). Na sequência, vieram a soja (2.000 hectares) e feijão (2.600 hectares), cujas áreas devem sofrer 13% e 7,1%, respectivamente em relação ao intervalo anterior (2.300 e 2.800, na ordem). 

O contrário pode ser dito sobre a produtividade, onde nenhuma cultura aparece com desempenho menor. O melhor número de crescimento (+2,8%) aparece no milho (2.607 kg/ha), seguido pelo arroz (+1,3% e 2.269 kg/ha). Na safra de 2019/2020, os índices de crescimento foram +1,4% e -0,5%. Soja (2.300 kg/ha) e feijão (921 kg/ha), por outro lado vez, sinalizam estabilidade, entre uma safra e outra. 

Segundo a Conab, a produção de milho do Amazonas se concentra principalmente em Manacapuru e Boca do Acre, onde está o maior plantel animal, já que entre 60% e 70% da produção é destinada à ração. A soja vem de Humaitá (a 591 quilômetros de Manaus), na Fazenda Santa Rita. O arroz tem destaque nos municípios do rio Juruá, principalmente Eirunepé e Envira. O feijão, por outro lado, é cultivado na calha do rio Purus – em especial, Lábrea e Boca do Acre.

Efeito pandemia

Para o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, a pandemia foi o fator preponderante para as quedas de produção de grãos no Amazonas aguardadas pela Conab. A expectativa do dirigente é que os números sofram melhoras graduais, nos próximos levantamentos, e na medida em que a economia se encaminhar para uma retomada. Ele não descarta, contudo, fatores de mercado para influencia  os próximos números.

“Acreditamos que, pelo menos no caso do milho, pode ser que essa estimativa de redução não venha a se confirmar, pois já temos percebido ampliação dessa cultura, no Sul do Estado. No caso da soja, também vemos interesse de ampliação por parte dos produtores, mas será mais preciso termos um referencial, daqui a alguns meses. Já o crescimento da produção de arroz tem relação com o preço valorizado do produto no mercado nacional, o que estimula o investimento dos produtores”, explicou.

Expectativa de correção

Na mesma linha, o titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrúcio Magalhães Júnior, ressalta que a Conab considera o ano agrícola e que a presente projeção é apenas a primeira de uma série, que deve sofrer correções, ao longo dos meses, em paralelo com a aproximação da safra a ser colhida em 2021. O secretário estadual salienta ainda que o resultado positivo conquistado pela produção de grãos do Amazonas neste ano também sofreu correções. Por isso, diz esperar performance semelhante para o próximo.

“O importante é que a própria Conab confirmou o crescimento na produção de grãos em 2020, na ordem de 7,8%. Portanto, essa primeira avaliação para a safra do ano que vem precisa ser revista, pois o que sabemos e acompanhamos, a título de exemplo, é o crescimento na produção de soja, milho e arroz para 2021, e não redução. Ontem [quinta, 8], fiquei sabendo do início do preparo de área e plantação de soja no interior do Amazonas. Então, penso que no segundo levantamento, essa previsão da Conab será positiva”, encerrou.

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