Surgido na Califórnia, na década de 1960, idealizado pelos surfistas que, em época de maré baixa, não podiam pegar ondas no oceano, o skate evoluiu até adquirir o status de esporte e ganhar o mundo. Atualmente são tantas as manobras que se pode fazer sobre a tábua com quatro rodinhas, que fica difícil listá-las – kickflip, heelflip, hardflip, casper, darkslide – são apenas uma amostra delas.
Em Manaus, mais que uma diversão, quase 50 anos depois do surgimento do skate, a brincadeira está se transformando numa terapia através do projeto “Neuro funcional”, desenvolvido pelo professor Ney Maciel, no Centro de Convivência da Família Magdalena Arce Daou, no Santo Antônio, na pista inaugurada há menos de dois anos.
Ney Maciel é o presidente da Federação Amazonense de Skate e contou que, em todo o Amazonas existem mais de 1.500 federados. “A finalidade da Federação é divulgar, desenvolver, difundir e organizar o esporte no Estado, como esse trabalho realizado aqui no Centro de Convivência”, ressaltou.
Ney explicou que uma criança, a partir dos quatro anos de idade, que já tenha noção de equilíbrio, pode começar a aprender andar de skate. “Já o limite de idade, não existe. Enquanto a pessoa conseguir se equilibrar sobre o skate, ela pode praticar o esporte”, ensinou.
Sobre o projeto “Neuro funcional”, Ney contou que há cerca de um ano uma criança, um menino de dez anos, com sérios problemas motores tanto nos braços quanto nas pernas, foi levado pelo pai ao Centro de Convivência para que ele praticasse algum esporte a fim de solucionar seus problemas de mobilidade. Ney teve a ideia de colocar o garoto para aprender skate, imaginando que a necessidade de se equilibrar sobre o shape, faria o menino desenvolver habilidades latentes. Estava certo. Atualmente os problemas das pernas do menino praticamente desapareceram e o dos braços foram reduzidos ao mínimo. “O pai hoje comemora o sucesso do filho, que já consegue fazer manobras radicais na pista do Centro de Convivência”, riu.

O principal é o equilíbrio
Ítala Rodrigues, supervisora técnica do Centro de Convivência, falou que atualmente cerca de 150 crianças e jovens, de 4 a 18 anos, utilizam diariamente a pista do local para a prática do skate. “Quem tiver o seu próprio skate pode utilizá-lo a hora que quiser. Para quem não tem, nós disponibilizamos, mas se for de menor, só pode ir para a pista com a supervisão do professor. Das 18h às 22h o espaço é liberado para os adultos”, adiantou.
Ney disse que logo na primeira aula é ensinado ao aluno o princípio do equilibrio sobre o skate, a propriocepção, que é a capacidade em reconhecer a localização espacial do corpo, sua posição e orientação, a força exercida pelos músculos e a posição de cada parte do corpo em relação às demais, sem utilizar a visão. Este tipo específico de percepção permite a manutenção do equilíbrio postural e a realização de diversas atividades práticas. “A partir de quando o aluno domina o equilíbrio, ele já está apto para começar a fazer as manobras que, com o tempo e a habilidade de cada um, vão se tornando mais radicais. O ideal é que se use sempre os utensílios de segurança: capacete, cotoveleira e joelheira, mas à medida que o aluno vai ganhando confiança, ele passa a deixar de lado esses protetores.”
Anne,11; Alison, 11; e Vinícius, 10, são alguns dos alunos de Ney. Há apenas um ano tendo aulas com o professor, as crianças já têm pleno domínio sobre o skate e frequentam o Centro de Convivência quase diariamente. “Como eles, são dezenas os outros que preferem vir para cá se divertir e praticar um esporte a seguir por caminhos errados, inclusive melhorando seu desempenho na escola e na vida”, comemorou.

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