18 de abril de 2021
A explosão do avião em Con­gonhas, nos dias posteriores, ficou no centro de uma inacreditável mistura de omissão e ausência dos responsáveis pela segu­rança aérea do país

Nos últimos meses, dois grandes eventos dividiram as manchetes da imprensa no Brasil e em dezenas de outros países. Numa lamentável tradução dos chamados “dois Brasis” ou do sempre citado “país de contrastes”, um desses fatos foi a tragédia do Airbus da TAM, que causou duas centenas de vítimas, e o outro foi o belíssimo espetáculo do Pan 2007, que transformou o Rio de Janeiro em palco para o me­lhor do esporte das três Américas.
A explosão do avião em Con­gonhas, nos dias posteriores, ficou no centro de uma inacreditável mistura de omissão e ausência dos responsáveis pela segu­rança aérea do país que, por palavras e atos, se mantiveram olimpicamente distantes do desastre; de uma teia de suspeitas, acusações, denúncias e pro­tes­tos nem sempre lastreados em conhe­cimentos técnicos; e do clima de estupefação e indignação de toda uma população que se sentiu abandonada à própria sorte. No meio disso tudo, poucas provas de solidariedade e espírito público: uma delas, a ação dos bombeiros que, até sob risco de vida, se mostraram incansáveis no resgate dos corpos das vítimas; outra, o atendimento rápido e discreto dos médicos, tanto no cuidado aos sobreviventes quanto na identificação dos corpos.

As provas do Pan valeram por expressivos exemplos dos efeitos benéficos da disciplina, do respeito às regras, do treinamento rigoroso e adequado, do ímpeto de superar limites para atingir metas, da competição leal e ética entre os concorrentes, do desenvolvimento de diferenciais positivos e da correção das deficiências ou falhas sob a orientação de treinadores mais experientes, da aceitação dos valores do esporte. Os jovens que brilharam no Pan 2007, com ou sem conquista de meda­lhas, são referências de posturas saudáveis. Talvez a mais significativa delas tenha sido a atitude de Diego Hipólito, a grande estrela da ginástica artística brasileira, ao pedir às arquibancadas que calassem as vaias com que receberam a equipe dos Estados Unidos. Mais do que um gesto de elogiável civilidade, Diego manifestou ética pessoal, ao deixar cla­­ro que não é recomendável mistu­rar as coisas (no caso, esporte e po­­lítica) ou de menosprezar os adversários (que não são inimigos mas, sim, pessoas que lutam pelos mesmos objetivos e, portanto, merecedoras de respeito).

Destes dois grandes fatos é possível extrair boas lições e aplicá-las na vida profissional e (por que não?) pessoal. Primeiro, não importa qual a causa da tragédia do Airbus, é impossível negar que, desde o acidente com o jato Legacy e o avião da Gol no ano passado, abriu-se a caixa de Pandora do sistema aéreo nacional e vieram a público denúncias de deficiências na capacitação dos profissionais que atuam em segurança de vôos, de falhas na manutenção e operação de equipamentos de controle, de falta de preparo técnico de autoridades do setor, entre várias outras.

Passada a perplexidade, avulta uma pergunta que não quer se calar: por que a aviação comercial deveria ser diferente de praticamente quase todas as outras áreas de atuação, nas quais são recorrentes as queixas sobre a rare­feita oferta de profissionais com alta qualificação, que é a resultante das deficiências do nosso sistema de ensino e das poucas oportunidades de capacitação prática oferecidas aos novos talentos. É preciso também lembrar da falta de atrativos, num mercado de trabalho acha­tado por pífias taxas de cres­­ci­­men­to, para “segurar” profissionais mais bem gabaritados que, numa economia globalizada, saltam fronteiras nacionais na busca por me­lhores salários e condições de trabalho – no final da semana, vários analistas já citavam a revoada de muitos de nossos mais experientes pilotos para o sudeste asiático e a China.

Já nas pistas e quadras do Pan, o que se vê é um punhado de jovens que se emocionam às lágrimas ao ouvir o hino nacional, enquanto a bandeira verde-amarela sobe ao vento, e assim demonstram seu orgulho de elevar o Brasil a uma posição no topo do ran­king dos melhores do continente. Ah, se os r

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