7 de maio de 2021

Como tornar Manaus sustentável

Em homenagem aos 117 anos do JC-AM, este artigo relembra algumas boas práticas de inovação e de desenvolvimento sustentável que foram publicadas neste Jornal e em artigo científico.

Estou quase na meia idade, lembro dos bons tempos que vivi nos anos 80, como menino da periferia, lembro de quando jogava bola no campo da Arena e depois pulava com os amigos nas águas do igarapé do segundo, os quais eram localizados um ao lado do outro em Petrópolis. Naquela época, gostava de soltar papagaio, jogar bola, vôlei, bolinha, ping pong, cemitério, pega-pega, patinete, subir em árvores, fazer casinha e no final da tarde, amava observar às nuvens de pássaros bailando ao redor das árvores, bem-te-vis, tesourinhas, os japiins, os sanhaços azuis, os sabias, os gaviões, as pipiras, no que parecia ser uma festa no céu antes de irem dormir. 

O(a) nobre leitor(a) também tem sua história na comunidade, você lembra dos saudosos banhos do Parque 10, do Tarumã ou da Ponte da Bolívia?

Você também lembra daquela telenovela chamada “Meu pé de laranja Lima”? Nossa, não perdia um capítulo, um romance escrito por Ivani Robeiro e dirigido por Edson Braga, em que mostra a vida do pequeno Zezé, menino pobre que diariamente dialogava com o pé de laranja lima e com o seu Portuga, um senhor português, cuja amizade o fez considerar como um pai. 

Essa telenovela me ensinou que não é preciso ter muito para ser feliz, ensinou também a criar uma estreita relação de amizade com uma goiabeira do quintal de casa, todos os dias, após o retorno da escola, costumava subir para conversar com ela, abraçá-la, comer as goiabas e observar o que acontecia na comunidade. Confesso que chorei muito quando a goiabeira morreu de velhice, foram longos anos de amizade. Em síntese, o contato diário com pessoas, com as árvores, com a telenovela, despertaram um respeito profundo pelo coletivo, pelo meio ambiente.

Passados quase 40 anos desde o término do Meu Pé de Laranja Lima, esses banhos já não existem, os igarapés que outrora eram gelados, limpos, locais de inúmeros encontros de amigos e das famílias, hoje são fétidos, poluídos, quase mortos, ora rodeados por casebres, ora por grandes construções, os quais diariamente continuam poluindo. Os pés de goiabeiras, azeitoneiras, tucumãs, castanholeiras, cajazeiros, pupunhas, cajueiros, azeitonas pretas, pitombas, mangueiras, jambos, jaqueiras já não existem mais, as novas gerações não correm mais entre os quintais, não sobem em árvores, não observam a beleza dos pássaros e cada vez mais perdem muito em termo de qualidade de vida por conta da longa ausência de um planejamento sustentável em nossa região. 

Então o que poderíamos fazer para mudar essa triste realidade? Não há uma resposta simples, tendo em vista  a complexidade de saber conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação do meio ambiente. No entanto, no Brasil e em diversos países há boas práticas que poderiam inspirar a população do Amazonas. 

Vejamos algumas que foram publicadas ao longo do tempo no JC-AM e em artigo científico.

1) Como tornar a cidade mais amigável à inovação sustentável

No final de dez/11 e março/12, publicamos uma série de artigos no JC-AM com propostas para tornar a cidade mais amigável à inovação.

Foram apresentadas estatísticas que apontavam a defasagem intelectual (número de pesquisadores) de Manaus em relação a outras cidades do país. Apresentou-se também os seguintes gargalos: baixo nível de interação entre universidades, governo e empresas, excesso de burocracia, investimento baixo em C&T quando comparado com padrão internacional, baixa qualidade da mão de obra qualificada, pouca aplicabilidade dos conhecimentos descobertos, professores com baixo compromisso com as Universidades, investimento insuficiente para geral capital intelectual em áreas chaves da Engenharia, infraestrutura logística precária etc. 

E por fim, propostas para enfrentar os 3 primeiros problemas citados, com base em experiências bem-sucedidas no Japão, na Finlândia, União Europeia e Cingapura. Algumas das propostas foram: formular planejamento participativo de longo prazo, reduzir burocracia para criar empresas, bem como implementar projetos inovadores no Amazonas, aumentar gradativamente os investimentos em C&T, dar autonomia para a FAPEAM.

Quando se trata de inovação sustentável, nós temos perdido muito tempo e dinheiro ao ignorar as oportunidades de captação de recursos internacionais amplamente disponíveis para desenvolver pesquisas e/ou projetos amigáveis ao meio ambiente. 

Por exemplo, em Paris e na Holanda, vários modelos de bicicletas elétricas estão fazendo sucesso, gerando emprego e renda, bem como reduzindo a poluição do ar. Em Tóquio, em Berlim, em San Francisco, em Nova Iorque, em Paris, em Los Angeles, em Londres, em Amsterdã, em Shenzen, em San José, em Estocolmo, em Manchester, veículos elétricos já são realidade. São cidades que contam com um planejamento estratégico com metas de longo prazo para produção de veículos elétricos. Amsterdã tem a meta de até 2025, ter veículos com emissão zero, Londres espera ter até 2025, 250 mil veículos com baixa emissão, etc. Estive por 7 meses em Manchester (Reino Unido) e pude testemunhar a frotas de ônibus verdes elétricos com Wifi dentro e que roda pela cidade. 

O que dizer de Taiwan <https://bit.ly/3gUnCDt  –  https://bit.ly/3r5Nn8v> que em pleno ano de pandemia continua subsidiando MPE e pessoa física a trocar seu  caminhão a diesel por caminhões menos poluentes? E o que dizer de Singapura que incentiva à construção dos jardins suspensos nas casas e prédios? E os investimentos que têm feito na Fusionópolis e na Biopolis, cujos projetos tiveram início quase na mesma época do Centro de Biotecnologia da Amazônia, com a diferença de que lá, o estado é gerenciado de forma profissional e sabe fazer parcerias com as empresas, os institutos de pesquisa, resultando em centenas de patentes, atração de talentosos cientistas e pesquisadores.

2) Boas práticas de arborização urbana

Publicamos no JC-AM pelo menos sete artigos sobre as boas práticas de arborização urbana, identificadas em cidades modelos, como BH, Campinas, Goiânia, Curitiba e Porto Alegre. Neste link, o(a) leitor tem acesso ao artigo científico com as boas práticas e propostas para Manaus <https://bit.ly/2WBFhGm>.

3) Combate aos desperdícios

Manaus é uma cidade com alto desperdício de energia, água e alimentos, sendo que nos meses de abril e maio de 2017, publicamos artigos apontando propostas para enfrentar esses problemas. 

Finalmente, há tanto o que fazer, só temos um planeta, só essa casa, todos estamos conectados, precisamos buscar meios de crescer sem deixar de cuidar dele. Então, aproveito o ensejo para agradecer ao leitor, parabenizar o JC-AM pelos 117 anos e agradecer ao grande amigo Ronaldo Bomfin (em memória), o qual me apresentou no final de 2010 para o Sr. Adalberto dos Santos e equipe do jornal, sou grato a todos pela oportunidade de contribuir, em 10 anos como voluntário, foram quase 300 artigos escritos, dos quais, pelo menos 30 apresentam diagnósticos, boas práticas e recomendações para tornar Manaus uma cidade inteligente, inovadora e sustentável. 

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