Como Taiwan salva vidas e economia – Parte 3

O artigo aborda sobre a experiência de Taiwan com a SARs2003 e como o Governo Federal identificou a ameaça em 2019, tomou medidas rápidas e integradas contra a Covid-19, incluindo exemplos de medidas para evitar a falta de EPIs nos hospitais e para a população.

1) A experiência de Taiwan com a SARs-CoV 2003

Segundo a OMS (2016 p. 5), entre nov/02 e 31/07/03, a SARS-Cov contagiou 8096 pessoas em 29 países, com 774 mortos (9.56%), maioria na Ásia: China (349 mortos), HK (299 mortos), Taiwan (37 mortos), e Cingapura (33 mortos), com uma perda total do PIB em 2003 para estes países, de 13 bi de dólares <https://bit.ly/2LHyqcF>. 

Para Chung <http://bit.ly/3bLFbEY> Taiwan foi devastado durante o surto da SARS-CoV 2003, com profissionais de saúde adoecendo enquanto atendiam os pacientes. Hospitais e escolas foram fechados e mais de 151 mil pessoas ficaram de quarentena em casa. Na época, não havia sistema para receber informações rápidas sobre o vírus e Taiwan dependeu da ajuda de profissionais do Centro de Controle de Doenças dos EUA.

Desde 2003, várias medidas foram adotadas pelo Governo Federal para melhorar sua capacidade de preparar e controlar pandemias, entre as quais: participação de especialistas nas conferências da OMS sobre SARS; criou em 2004 o National Health Command Center (NHCC); promulgou e/ou melhorou as leis para empoderar o poder público durante epidemias/pandemias; em 2005 aprovou o Plano Nacional de Preparação e Resposta à Pandemia Influenza; entre 2007 e 2010 aprovou o Planejamento Estratégico para Pandemia de Influenza; em 2007 criou estoque pré-pandêmico de vacina A/H1N1; criou o plano de preparação de 3 níveis com esforços dos governos nacional e local com instituições de saúde para manter estoque de 30 dias de EPIs; em 2020 desenvolveu o Plano de Preparação e de Contingência em resposta à Covid-19.

2) Identificação da ameaça vinda de Wuhan (China)

Gestores do Centro de Controle de Doenças de Taiwan (TCDC) acompanharam uma discussão iniciada as 2h21min19 do dia 31/12/19, em uma plataforma antiga (25 anos) do país chamada PTT Bulletin Board System. Neste link <http://bit.ly/2XOpzbz> há os primeiros momentos angustiantes dos membros da plataforma, os quais compartilharam documentos oficiais e links que apontavam a existência em Wuhan (China) de 7 casos de pacientes doentes de uma pneumonia atípica, desconhecida.

Entre as preocupações estavam: o possível retorno da SARS, a necessidade de preparar máscaras, alta transmissão por meio do retorno de empresários a Taiwan que faziam negócios em Wuhan, a necessidade de alertar o Ministro da Saúde, a explosão de casos, a vinda de 130 mil para participar de Festival da Primavera, etc.

3) Primeiras medidas de prevenção e controle

No dia 31/12/19, gestores do TCDC entraram em contato com a OMS sobre o assunto, usando o Internacional Health Regulation Mechanism, e após o feedback, eles deduziram que havia uma forte chance de ocorrer transmissão humana do vírus a partir de Wuhan, razão pela qual começaram a tomar medidas legais, operacionais, preventivas e financeira.

O Quadro 1 apresentado por Gomes da Silva (2020 – https://bit.ly/2Xz3sGd) mostra cerca de 33 medidas tomadas pelo Governo Federal de Taiwan, bem antes da OMS declarar a Covid-19 uma pandemia no dia 11/03/20. Entre as medidas pode-se citar:

1) 31/12/19 e 23/01/20: implementou inspeção de quarentena dentro dos voos vindos de Wuhan, e promoveu medidas de prevenção entre os viajantes;

2) a partir de 02/01/20: estabeleceu o time do Centro de Controle de Doenças para responder à doença misteriosa de Wuhan; realizou vigilância e diagnósticos laboratoriais para identificar pessoas com febre, tosse ou outros problemas respiratórios; melhorou a capacidade de fazer diagnósticos nos laboratórios, saltando de 12 laboratórios (520 testes/dia) para 50 laboratórios (6000 testes/dia); 

3) 15/01/20: classificou o vírus como categoria 5 e baseado na lei de Controle de Doenças Transmissíveis fortaleceu o sistema de vigilância a orientou as facilidades médicas a relatar a doença e tomar medidas para reduzir o risco de contaminação;

4) 20/01/20 em diante: com base legal, estabeleceu o Centro de Comando Central Epidêmico (CCCE) para centralizar as ações, decidir o nível, o comandante e outras medidas;

5) 21/01/20: primeiro caso da Covid-19 é registrado;

6) 23/01/20: nível 2 é estabelecido com nomeação do Ministro da Saúde para liderar o CCCE, mobilizar recursos, integrar ministérios e atores privados para lutar contra a pandemia;

7) 24/3 a 31/05/20: exportação de máscaras é banida;

8) 30/01/20: a PhD e Presidente Tsai, em cadeia nacional, explicou o impacto econômico do novo vírus e apresentou as medidas de contingência para enfrentar o vírus como se o Estado estivesse em guerra;

Vale ressaltar a liderança exemplar da Doutora Tsai, Presidente de Taiwan, do Dr. Chen Chien, então vice-ministro, o PhD em Genética Humana e Epidemiologia, e demais Ministros do Governo Federal, cuja atuação rápida e capacidade de integração com vários atores de Taiwan, salvou milhares de vidas. 

Um exemplo de medida integrada para não faltar insumos ou EPIs críticos em Taiwan foi liderado pelo Ministro de Assuntos Econômicos, chamado de Time Nacional de Máscaras, iniciado em 06/02/20 em parceria com a Taiwan Machine Tool & Accessory Builders` Association. O time foi criado em apenas 5 dias, o Governo Federal destinou 6,6 milhões de dólares para as empresas montarem 60 linhas de produção de máscaras. A meta foi alcançada bem antes do prazo, em 25 dias, aumentando a produção nacional de 1,9 milhão de máscaras/dia na metade de mar/20 para 19 milhões de unidades/dia até meados de abril/20. Participaram 140 colaboradores de 29 empresas com experiência média de 10 anos.

O próximo artigo trará mais medidas de preparação, prevenção e controle à Covid-19 adotados em Taiwan. Até lá, que tal comparar as ações da Presidente e Ministros de Taiwan <https://bit.ly/2Xz3sGd)> com as praticadas pelo Capitão Bolsonaro e seus Ministros? Se o fizer com seriedade, perceberás que as diferenças são abismais, entenderas os motivos pelos quais a pandemia segue descontrolada no Brasil, com centenas de mortes diárias, os motivos da falta máscaras, seringas, oxigênio, enquanto sobram desperdício com cloroquina, desespero, fake-news, incompetência e práticas de negacionismo, como forma de negar a realidade desconfortável.

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