Commodities ganham destaque no mundo

Importante determinante da produção doméstica brasileira e do comércio exterior do país, as commodities vêm tendo também destacado papel na aceleração inflacionária, não só no Brasil, como em todo mundo, já que seus preços cresceram rapidamente com uma enorme aceleração desde o início do ano. Mas após atingir níveis recordes em meados do mês de julho, os preços de importantes commodities – em particular, petróleo, mas também milho e soja – registraram queda nos mercados à vista e futuro, na esteira da divulgação de vários indicadores econômicos desfavoráveis nos países avançados. Porém, o movimento de queda pode não representar uma reversão da tendência de alta. Há sinais de aumento da volatilidade e persistência dos preços elevados nesse movimento, ainda que inferiores aos níveis recordes atingidos no início do mês de julho, em razão das incertezas quanto às perspectivas de crescimento da economia global e dos problemas no sistema financeiro americano e europeu.

Desaceleração da economia

Se, de um lado, a forte desaceleração da economia norte-americana – que já se reflete no fraco desempenho da zona do euro e do Reino Unido e na retração das exportações japonesas – contribui, sem dúvida, para descompressão do preço do petróleo, com repercussão sobre os preços das commodities agrícolas, de outro lado, também atua como elemento de dissuasão para aumentos futuros das taxas básicas de juros pelos bancos centrais dos Estados Unidos e da Área do Euro, realimentando as apostas dos fundos de hedge e outros investidores institucionais nos mercados futuros de commodities.
Além da especulação financeira, há várias pressões altistas sobre os preços das commodities que não devem se reduzir de forma significativa no futuro próximo. Dentre as quais se destacam: a forte demanda dos países da chamada Ásia em desenvolvimento – em particular, da China e Índia, que crescem a taxas bem superiores ao da média da economia mundial; a debilidade do dólar, moeda na qual os preços das commodities internacionais são cotados; e as restrições de oferta, sobretudo, do petróleo.
Mesmo a recente aprovação pelo Congresso norte-americano do pacote governamental de apoio ao setor hipotecário – que certamente contribuirá para reduzir as preocupações dos investidores com a “saúde” das instituições financeira – não irá alterar esse cenário de forma significativa.

Cenário atual

O cenário atual parece dar razão aos que esperam pela maior volatilidade dos preços das commodities. Igualmente há vários elementos que dão sustentação à previsão de que os preços das commodities permanecerão em patamares elevados, ainda que possam permanecer abaixo dos níveis recordes atingidos no início de julho.
Um deles é a forte demanda das economias em desenvolvimento, em particular, dos países da chamada Ásia em desenvolvimento, com destaque para China e Índia, que, mesmo com a desaceleração da economia mundial, continuam crescendo em ritmo forte. Nas estimativas revistas do FMI em meados de julho, enquanto a economia mundial deverá crescer 4,1% em 2008 e 3,9% em 2009, o conjunto dos países em desenvolvimento deverá registrar aumento real do PIB da ordem de 6,9% em 2008 (6,7% em 2009). Para os países da chamada Ásia em desenvolvimento, sob a liderança da China (9,7%), o crescimento esperado é mais do que o dobro da global: 8,4% em 2008 e em 2009.

Expansãoda oferta

Do lado da oferta, em particular, no caso do petróleo, por exemplo, os analistas acreditam que a expansão da oferta global não se dá no mesmo ritmo do aumento da demanda. Além do desinteresse dos países da OPEP em ampliar a produção, a construção de capacidade de distribuição e a exploração de novas fontes fora da área do cartel é um processo demorado que envolve investimentos pesados e soluções tecnológicas. A persistência dos altos preços do petróleo pressiona os preços das commodities agrícolas de dois modos: pelo custo dos fertilizantes e de transporte e pelo incentivo à utilização de milho e óleo vegetal na produção de biocombustíveis.
A especulação financeira nos mercados de commodities também vem contribuindo para a alta dos preços tanto do petróleo como dos alimentos. Em um cenário de dólar fraco, forte desaceleração da economia americana e persistentes turbulências dos mercados financeiros das economias centrais, as commodities deverão manter sua atratividade como forma alternativa de valorização da riqueza frente à menor rentabilidade dos ativos financeiros.
Há ainda outros fatores que favorecem as intensas oscilações de preços das commodities. No caso do petróleo, é a instabilidade geopolítica em regiões produtoras. Tensões e violência na Nigéria e ameaças de ataque de Israel ao Irã alimentam a espiral de preços e a especulação. Já no caso das commodities agrícolas, são as condições climáticas que afetam as safras de grãos.

Pressões sobre o preço

Essas pressões altistas sobre os preços das commodities não devem se reduzir de forma significativa no futuro próximo.
É provável que a recente aprovação pelo congresso norte-americano do pacote governamental de apoio ao setor hipotecário reduza as preocupações dos investidores com a “saúde” das instituições financeiras e favoreça aplicações em ativos mais tradicionais, reduzindo, portanto, a importância do componente financeiro da elevação dos preços das commodities. Contudo, as restrições de oferta e a vigorosa demanda dos países asiáticos em desenvolvimento continuarão atuando no sentido oposto, sustentando, assim, os preços em patamares elevados.

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