Comércio vive clima desanimador

Apesar de ter registrado um incremento de 5,9% no volume de vendas no mês de julho, o desempenho do comércio local neste início de segundo semestre é considerado desanimador, segundo representantes do segmento.
De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados na quinta-feira (13), a expansão das vendas vem ‘minguando’ desde março, quando o crescimento anotado foi de 12,7%. Em seguida, a variação positiva regrediu para 9,8% em abril, 9,6% em maio, 7,8% em junho até chegar ao mês de julho, com incremento abaixo dos 6%.
A receita nominal que, em maio chegou alcançar expansão de 12,6% frente a igual período do ano passado, também terminou julho com acréscimo de 9%.
Para o presidente da CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag, o desempenho foi ainda pior do que mostrou a pesquisa.
“Seria ótimo se tivéssemos crescido 6% nas vendas, mas não foi o que ocorreu. Nossa expectativa inicial era de crescimento de pelo menos 3% em cada mês, mas ficamos bem abaixo desse resultado”, contrapôs.
Conforme a apuração da entidade, no primeiro semestre, o comércio local cresceu 3,5%. Em julho o crescimento foi de apenas 1,8% e em agosto, de 1,9% sobre o mesmo período do ano passado. A estimativa do dirigente da CDL-Manaus é de que este trimestre (julho, agosto e setembro) seja encerrado com crescimento entre 2,5% e 2,7%, no máximo.
“Toda a conjuntura da economia nacional e internacional, a desaceleração do ritmo de produção do Distrito Industrial, a grande quantidade de demissões de trabalhadores desse segmento, o aperto para liberação de financiamentos bancários e a inadimplência, ainda com o índice elevado, contribuíram para o quadro”, avaliou.
O economista e vice-presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Francisco de Assis Mourão Junior, explica que a diferença dos resultados entre os dados das duas entidades se baseia na metodologia e amostragem adotadas por cada uma. “Mas, independente dos percentuais anotados, nos dois casos é possível verificar um desaquecimento contínuo. O governo tem se esforçado, mas não dá mais para evitar os efeitos da crise. A China, que foi o país que ‘segurou’ o Brasil, passa agora por uma crise séria e diminuiu drasticamente seus investimentos”, explanou.
Para ele, medidas governamentais como reduções do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para alguns segmentos específicos e corte no preço da energia elétrica são paliativas.
“O que precisamos é de reforma tributária, desoneração do custo Brasil e investimento em logística”, criticou.
Já o disseminador de informações do IBGE no Amazonas, Adjalma Nogueira, considerou o resultado positivo na comparação com a maioria dos Estados brasileiros.
“Nesse momento, o consumidor está mais precavido ou com sua capacidade de compra mais restrita. Assim, ele opta por consumir apenas o essencial na alimentação e nos serviços, deixando de lado as compras de bens duráveis e de supérfluos. Entretanto, dado às circunstâncias, o comércio local ainda tem apresentado números positivos, mesmo com a pisada de freio da indústria, e a cautela daqueles trabalhadores que têm sua renda vinculada às atividades da indústria local”, amenizou.
Segundo Mourão Junior, a expectativa para o próximo trimestre é de estabilidade nas vendas, “mas, não esperamos grandes incrementos. O consumidor deve continuar com o comportamento de quitar dívidas e o 13º salário deve ser direcionado nesse sentido. O que nós seguimos sugerindo, além da regularização dos débitos, é que o consumidor se planeje e evite compras a longo prazo para que 2013 seja um ano mais equilibrado para o setor e para o próprio consumidor”, concluiu.

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