Comércio trabalha com estoque alto

As vendas promocionais, principalmente ao longo do mês de janeiro, foram o jeito encontrado pelo varejo local para acompanhar o ritmo de produção imposto pela indústria e reduzir o risco de encalhe. Em 2009, de acordo com os números da Fecomercio/AM (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), 11 dos 21 segmentos varejistas amargaram variação percentual negativa na desova, apesar das vendas brutas em Manaus terem avançado 4,41% sobre o ano anterior, com destaque para o comércio dos bens semiduráveis que apresentou crescimento de 17,88%.
Na opinião do presidente da FCDL (Federação das Câmaras dos Dirigentes Lojistas), Ralph Assayag, uma das formas de reduzir o volume de estoques é manter constantemente promoções de grande vulto em períodos cíclicos de baixo consumo, como acontece no primeiro semestre em Manaus. De acordo com o executivo, os empresários foram avisados antecipadamente que o Liquida Manaus iria ocorrer até a primeira metade deste ano, o que proporcionou mais de 2.000 lojas a fazerem estoque para oferecer mais itens e melhores preços.
Assayag afirmou ainda que os lojistas vêm seguidamente ditando ‘queimas’ programados de até 70% de desconto para atrair consumidores, embora muitas lojas estejam segurando os descontos mais agressivos para este mês. “O setor de vestuário é o que promete as melhores ofertas neste mês, já que precisa zerar o estoque para a chegada das novas coleções”, asseverou.
O diretor de Relações Institucionais da Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping), Luís Augusto Ildefonso da Silva, compreende que janeiro já não é mais sinônimo de ‘queima’ no setor de vestuário, uma vez que as ofertas alcançam também segmentos de eletroeletrônicos, calçados e até serviços. Em entrevista ao Jornal do Commercio, o executivo assegurou que todos os setores da economia são beneficiados com as promoções do início do ano, mas o mais privilegiado nas liquidações é mesmo o comércio ligado à moda. “Para o empresário, é importante eliminar estoques, pois a cada dia novos produtos são lançados e é preciso acompanhar as tendências. No caso, o mais rotativo é o setor de confecções”, considerou Silva.

Meta das empresas é obter giro de capital

A empresária Luciana Maria Freire, proprietária da loja de acessórios e roupas La Bottica, no Vieralves, zonas centro-sul, afirmou que o lucro não é o grande objetivo das liquidações, mas uma forma de manter as vendas aquecidas nesta época do ano. “As peças vão ficando ultrapassadas e é preciso girar o estoque de produtos. As promoções são uma maneira extra de girar o capital no primeiro trimestre, que é um período fraco”, assegurou.
O baixo desempenho nas vendas e o problema de estoque fazem até mesmo grandes redes varejistas buscarem melhorar o desempenho na primeira metade do ano. Para atender cada vez mais e melhor às necessidades e aos novos hábitos do consumidor, acostumado a usar os canais de compra virtual, o Grupo Carrefour Brasil, por exemplo, anunciou, no início da semana, uma plataforma de negócios via internet. A rede de varejo, que já atua em hiper, super, atacado e serviços (cartões, seguros, drogarias, turismo), tecnicamente vai reduzir o problema com estoque a percentuais cômodos.
O diretor-superintendente do Carrefour Brasil, Jean-Marc Pueyo, afirmou por sua assessoria de imprensa que, na prática, a rede varejista dará ao consumidor ofertas de serviços de todas as bandeiras do grupo. “Nossa meta é criar sinergias entre os diferentes canais por meio do e-commerce, construindo uma relação mais estreita com os nossos clientes, e permitindo a ampliação na oferta de soluções e serviços”, finalizou o presidente.

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