Comércio prevê retração de 40% nas vendas da Páscoa em 2020

Com vendas em queda livre e portas fechadas em seus segmentos não essenciais, o comércio varejista da capital amazonense já espera passar uma Páscoa mais amarga neste ano, conforme noticiado pelo Jornal do Commercio. Segundo a Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado do Amazonas), alguns lojistas já sentem retração de 40% nas vendas de produtos ligados à data.

A decisão da Prefeitura da Manaus de endurecer no combate ao alastramento do Covid-19 na cidade, contudo, pode tornar a Páscoa intragável para os lojistas. O prefeito Arthur Virgílio Neto anunciou, neste domingo (5), em redes sociais, que a administração municipal vai cassar alvarás de funcionamento de comerciantes não inclusos nos serviços essenciais e que insistem em desrespeitar as determinações de isolamento social anti-pandemia.

O foco principal é o Decreto 42.106, que prevê a liberação para supermercados, atacadistas, padarias. Oficinas mecânicas, petshops, distribuidoras de água e gás de cozinha, lojas de peças automotivas e de materiais elétricos e de construção também, preferencialmente delivery. Restaurantes estão limitados aos serviços de entregas. Bancos, cooperativas de crédito e loterias devem usar protocolo de segurança para evitar a aglomeração de pessoas nas áreas interna e externa do estabelecimento.

O que se viu nos últimos dias, contudo, foi a aglomeração em bancos, supermercados e outros segmentos essenciais previstos no decreto estadual, bem como a simples abertura de estabelecimentos não contemplados pela medida do governo – especialmente em bairros das zonas Oeste e Leste de Manaus. 

“Tomamos a decisão de cassar alvarás provisoriamente, enquanto durar essa crise, de comerciantes que estão insistindo em aglomerar pessoas e não compreendendo o mal que estão fazendo para sua própria saúde, para seus fregueses e para a cidade. O decreto sai amanhã [segunda, 6] e nesse momento a nossa prioridade é cuidar da saúde”, explicou o prefeito, em vídeo divulgado em suas redes sociais.

Conscientização e informação

Em conversa com o Jornal do Commercio, o presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, concorda que o poder público deve tomar as medidas necessárias para salvar vidas e disse que ainda não tem registros de penalidades com empresas associados. Ele destaca que a entidade já tomou todas as precauções para informar e conscientizar os lojistas da importância da medida para o combate à pandemia e evitar possíveis transgressões – voluntárias ou não. 

“Estamos fazendo todas as recomendações possíveis a nossos associados, por meio das redes sociais. Seria muito difícil fazer esse contato direto com as empresas, pois são milhares e não temos dados das linhas de produtos de cada uma”, afiançou o dirigente, que integra a subcomissão de “Comércio de Rua”, no Gabinete de Crise montado pelos governos estadual e municipais, em colaboração com órgãos públicos e entidades de classe. 

Contrato social

Integrante da mesma subcomissão, o presidente da ACA (Associação Comercial do Estado do Amazonas), Ataliba David Antonio Filho, concorda que as medidas são necessárias para evitar o colapso da rede de saúde local. O dirigente salientou, entretanto, sua preocupação ao Jornal do Commercio em relação a eventuais injustiças que possam ocorrer no processo, com a penalização também de lojistas do segmento essencial.

“A orientação prevista para cumprir o Decreto 42.106 é que o policial ou bombeiro peça do comerciante o contrato social da loja. Mas, acredito que muitas empresas estão irregulares e podem não contar com esse documento, especialmente nos bairros mais novos da cidade, como os da zona Leste. Alguns comerciantes já estão se queixando conosco, mas ainda não tivemos nenhum que tenha sofrido a perda do Alvará. Acredito que as autoridades vão alertar e penalizar apenas os reincidentes”, ponderou.

Ambas as lideranças concordam que as vendas para a Páscoa levarão um tombo considerável, embora não arrisquem medir o tamanho da queda. Segundo Aderson Frota, o comércio está fazendo todas as promoções e parcelamentos possíveis, no limite da margem de lucro. Mas, o estrangulamento dos pontos de oferta, bem como a retração da demanda em um ambiente de crise já instalada, comprometem o alcance da iniciativa. 

Fonte: Marco Dassori

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