Comércio movimenta R$ 12 bilhões em produtos incentivados no AM

O Amazonas registrou entrada de R$ 12 bilhões em produtos incentivados, de janeiro a maio, conforme dados do SIMNAC (Sistema de Mercadoria Nacional) da Suframa. Metade (R$ 6 bilhões) veio para repor estoques no comércio, enquanto o restante foi para indústria e serviços. O valor global já representa metade do movimentado em mercadorias ‘suframadas’, em todo o ano passado (R$ 24 bilhões) e, mantido o ritmo, chegará ao fim do ano com R$ 28,8 bilhões, com alta de 20%. A fatia do comércio, por outro lado, já representa um salto de 30,43% em relação ao mesmo acumulado de 2020 (R$ 4,6 bilhões).

Embasada no SIMNAC, e nos indicadores mais recentes de vendas e empregos no setor, a Suframa estima que o desempenho do comércio local é crescente e deve contribuir para maior arrecadação interna nas operações de circulação de mercadorias no Estado. Embora confirmem otimismo para as vendas do semestre, lideranças do setor não arriscam nenhuma projeção, dado o cenário de pandemia. E relativizam os números da autarquia, ao apontar o peso dos segmentos essenciais e os impactos inflacionários nos resultados.  

Os comerciantes lembram ainda que a atividade vem de um período de desarticulação de estoques, em decorrência dos meses iniciais da segunda onda de covid e de um novo fechamento compulsório e provisório das lojas. O entrave demorou a ser amenizado, em meio ao gradual processo de flexibilização do isolamento social, que coincidiu com a corrida para repor mercadorias para atender o Dia das Mães e o Dia dos Namorados. As entidades ressaltam ainda que o problema não foi inteiramente contornado e que há uma diferença entre repor estoques e efetivamente vender.

Os dados do IBGE referentes ao intervalo assinalado pela Suframa confirmam números robustos para o varejo amazonense, embora em menor escala. O setor acumula crescimentos de 10,4% de janeiro a maio, e de 12,6%, na base anualizada dos 12 meses. O resultado se deve aos incrementos nas variações mensais de fevereiro (+15,7%), março (+14,9%), abril (+7,2%) e maio (+4,4%), após o mergulho de janeiro (-30,5%). A expansão foi de 36,2% em relação a maio do ano passado, mas as lideranças ressaltam que a base de comparação foi enfraquecida pelo fato de muitos segmentos comerciais ainda estarem de portas fechadas no período.  

“Força e pujança”

Texto divulgado pela assessoria de imprensa da Suframa informa que, conforme legislações relacionadas ao modelo Zona Franca de Manaus, o comércio pode adquirir do mercado nacional produtos com suspensão e isenção de IPI para produtos nacionalizados – e também para ICMS, se o produto for inteiramente nacional. Os incentivos fiscais abrangem a área de atuação da autarquia com destino ao consumo interno, à comercialização e à industrialização.

A autarquia lembra ainda que a mais recente edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE, aponta que o comércio respondeu por 19,6% da mão de obra do Estado (305 mil empregos diretos e 915 mil indiretos), no primeiro trimestre de 2021. O ‘Novo Caged’ informa que, no mês do Dia das Mães, o setor veio em segundo lugar na criação de vagas com carteira assinada (+1.196) e a maior variação proporcional (+1,18%).

“A Zona Franca de Manaus tem no comércio uma grande força de expressão econômica, em toda a sua área de abrangência. Em 2020, nossos sistemas apontam que ingressaram, na Amazônia Ocidental e no Estado do Amapá, um montante de R$ 38 bilhões em mercadorias incentivadas. Isso dá uma dimensão da pujança deste setor e explica porque a atividade também tem sido priorizada nas ações da Suframa visando ao desenvolvimento regional”, frisou o titular da Suframa, Algacir Polsin, lembrando que a atividade foi que mais sofreu com a segunda onda.

Inflação e desabastecimento

Para o presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Azury, é “muito difícil” estabelecer o tamanho da aposta do varejo para os próximos meses a partir dos dados divulgados pela Suframa. O dirigente conjectura que boa parte do montante pode ter sido destinado a mercadorias essenciais, como alimentação, medicamentos e material hospitalar, que sofreram majorações de preços consideráveis neste ano, além de outros fatores.

“Alguns setores cresceram neste ano e isso é visível até mesmo pelos dados de arrecadação. Junho já apontou números um pouco acima, mas você tem que ver que nem todos os segmentos estavam abertos no ano passado, o que dificulta a comparação. Mas, o segmento de alimentos e de supermercados vem apresentando queda, por causa da inflação, o leva o consumidor a comprar menos e substituir produtos por similares mais baratos”, ponderou.  

Azury não arrisca números, mas lembra que o segundo semestre tende a ser historicamente melhor do que o primeiro. De acordo com o presidente da FCDL-AM, julho foi “razoavelmente bom” para o varejo do Amazonas, apesar dos impactos da cheia, um problema “já está superado”, conforme o dirigente. No caso dos estoques, os entraves logísticos foram amenizados, mas desabastecimentos pontuais ainda limitam a margem de escolha dos lojistas: “Você quer uma camisa amarela, mas eles só têm branca, aí você compra o que tem”, exemplificou.

“Otimismo geral”

Já o presidente da ACA (Associação Comercial do Estado do Amazonas), Jorge de Souza Lima, concorda que o setor ainda enfrenta problemas decorrentes do rescaldo das cheias, mas avalia que as perspectivas são positivas para o segundo semestre, tanto por fatores sazonais, quanto pela renovação do auxílio emergencial, e pela melhora no quadro local da pandemia com o aumento no ritmo de vacinação – fator que daria maior confiança ao consumidor para, pelo menos, visitar as lojas presecialmente.

“Está todo mundo esperando que as vendas melhorem com a descida das águas e com o avanço do processo de vacinação. O Centro já melhorou muito em relação aos dias de cheia, com maior fluxo de pessoas. E os números da covid-19 também estão caindo, como resultado da vacinação, que já chegou aos 18 anos. É claro que a situação é diferente por segmento. Enquanto o de veículos não vende mais porque está sem produto, a situação não é tão boa para outros. Mas já dá para ver um aumento de abertura de lojas, tanto na capital, quanto no interior. O otimismo é geral”, arrematou.     

Foto/Destaque: Fernando Frazão/Agência Brasil

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