Comércio fecha ano com Natal magro, segundo dados do IBGE

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Receita nominal foi 5,8% menor na passagem de novembro para dezembro, no nono pior resultado em todo o país

O varejo do Amazonas perdeu força em dezembro de 2018, apesar de ter conseguido encerrar o ano com saldo positivo. O volume de vendas caiu 6,2% em relação a novembro e 0,4%, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Em ambos os casos, o resultado foi inferior à média nacional – queda de 2,2% e alta de 0,6%, respectivamente. A variação mensal foi a sétima pior entre as 27 unidades federativas do país.

No acumulado, as vendas avançaram 4,4% diante de 2017, acima da média brasileira do setor (+2,3%), e com desempenho positivo em nove dos 12 meses de 2018. Com isso, o comércio do Amazonas ficou na 11ª posição do ranking nacional, atrás do Acre (+7,6%) e do Pará (+6,9%). A liderança ficou com Santa Catarina (+8,1%). Os dados foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nesta quarta (13).

Já a receita nominal foi 5,8% menor na passagem de novembro para dezembro, no nono pior resultado em todo o país. No confronto com igual mês de 2017, houve alta de 1,4%. Os números voltaram a ficar abaixo da média nacional (-3,4% e +3,9%, respectivamente). No acumulado, houve crescimento de 5,1%, em comparação ao ano anterior – contra +4,8% da média brasileira.

“O acumulado do volume de vendas ficou bem abaixo do aumento de 7,7%, ocorrido em 2017. Porém, o resultado daquele ano foi comparado com o desempenho de 2016, que havia apresentado queda de 10,6%. Já o número de 2018 é um crescimento sobre o bom desempenho de 2017”, analisou o supervisor de Disseminação de Informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, no texto distribuído à imprensa.

O presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antônio Filho avalia que os números foram positivos e que o setor só desacelerou em dezembro, em virtude da Black Friday de 2018. Para ele, as promoções e a duração atípica do evento teriam alavancado novembro, canibalizando os resultados do mês posterior.

“Muita gente aproveitou e adiantou as compras. Creio que o Black Friday deveria se limitar a um dia e não se estender por uma semana. De qualquer maneira, os números apontam para crescimento. As perspectivas são boas para 2019, dependendo das medidas do governo”, ponderou o presidente da ACA.  

“Demos uma crescida. Temos visto que o empresário está mais otimista e o Distrito Industrial vem se recuperando, o que pode contribuir para a reação do comércio. Mas, o desemprego, a inadimplência e o custo do dinheiro ainda estão altos. O governo sinalizou propor aos bancos uma redução dos juros. Aguardamos”, emendou o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota.

Confiança e crédito

O volume de vendas do varejo ampliado – que agrega veículos e material de construção – também teve queda em relação a novembro (-2,9%), a quinta verificada nesse indicador, que pontuou -1,7% em nível nacional. Já na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a variação foi positiva em 3,4% e superou a média dos Estados brasileiros (+1,8%). No acumulado, o saldo foi positivo em 9,6% – contra a alta de 5% no restante do Brasil.

“Isso demonstra que as vendas de veículos e de material de construção tiveram desempenho superior ao chamado comércio normal. Com isso, o Amazonas ficou com o quinto melhor desempenho do ano, em nível de país”, pontuou o supervisor de Disseminação de Informações do IBGE-AM.

O presidente da ACA considera que a performance diferenciada do varejo ampliado, quando comparada ao restante do setor, aponta para maior acesso ao crédito e confiança do amazonense. “Vejo aí uma maior disposição do consumidor em adquirir bens duráveis com financiamento de longo prazo, além de uma recuperação da construção civil”, opinou.

Já o presidente da Fecomercio-AM vê na alta do varejo de material de construção efeitos da sazonalidade do setor de construção civil no Amazonas. Em nível regional, salienta Aderson Frota, a atividade costuma “perder substância” no primeiro semestre e aquecer no segundo.

“No caso dos veículos, vimos um esforço das concessionarias reduzirem estoque, por meio de preços congelados, vendas sem entrada e até aceitando receber carro usado como parte do pagamento. Há também a possibilidade de que o desemprego e a informalidade tenham contribuído para isso. Muitos pais de família estão trabalhando como motoristas de aplicativos para completar ou conseguir alguma renda”, finalizou.

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