Comércio exterior tem importações como destaque

A aceleração das importações foi o grande destaque dos números do comércio exterior em setembro. Tanto na série com ajuste sazonal, como na comparação com o mesmo mês do ano anterior, as compras externas intensificaram seu ritmo de expansão no mês passado. Essa aceleração somada às expectativas empresariais favoráveis, captadas pelos indicadores recentemente divulgados pela FGV (Fundação Getulio Vargas), indica que a atividade econômica persistirá aquecida nos últimos meses do ano, como já destacado nessa análise.
Em setembro último, frente ao mesmo mês de 2006, as compras externas cresceram 31,9%, como reflexo de taxas significativas de expansão das quatro principais categorias de uso: em ordem decrescente, combustíveis e lubrificantes (+52%); bens de capital (+41,5%); bens de consumo (+25,6%) e matérias-primas e intermediários (+23,6%).

Ou seja, as importações de bens de consumo cresceram, mas num ritmo inferior ao das importações de combustíveis e lubrificantes (pressionadas pela alta da cotação do petróleo no mercado internacional) e de bens de capital, cujo crescimento reflete o aumento das quantidades importadas, induzido pelas decisões de investir dos empresários.

De acordo com a Funcex, no período janeiro a agosto, frente ao mesmo período do ano anterior, os preços dos bens de capital importados caíram 4%.

Ademais, em termos de contribuição ao crescimento das importações, o peso das compras externas de bens de consumo foi pequeno, de 11% (dos quais 3,4% de bens não-duráveis e 7,6% de duráveis), já que respondem por somente 13% do total.

Já as importações de matérias-primas e intermediários tiveram uma contribuição de 37,6% ao crescimento, reflexo da sua elevada participação na pauta (50,8%), bem como da taxa de crescimento expressiva (superior a 20%). Essa taxa reflete, principalmente, a expansão das quantidades importadas, impulsionadas pelo crescimento econômico, além do barateamento dos importados em função da valorização do real.

Vale citar novamente os dados da Funcex, disponíveis para o acumulado do ano até agosto: o crescimento do quantum importado de bens intermediários foi responsável por 76% da expansão do valor das importações desses bens (de 28% nesse período, frente ao mesmo período de 2006).

Assim, os dados mais desagregados das importações indicam que a sua aceleração em setembro reflete não somente o crescimento do consumo doméstico, mas também (e principalmente) o maior dinamismo da produção, especialmente da indústria e dos investimentos, que tem impulsio-nado as importações de matérias-primas, bens intermediários e bens de capital.

O avanço dessas importações tem contribuído para que o maior dinamismo da demanda interna não se traduza em pressões inflacionárias –constituindo mais um indicador de que o Copom ainda tem espaço para reduzir a meta da taxa Selic.

A mesma conclusão se aplica para uma análise dos resultados acumulados no ano até setembro. Na evolução das importações no período de 28,3% frente a 2007, a taxa de crescimento das importações de bens de consumo (31,8%) foi um pouco maior do que as registradas nas demais categorias de uso, mas que também foram elevadas (matérias-primas e intermediários, 28,6%; bens de capital, 29,7%; combustíveis e lubrificantes, 23,3%).

Nessa base de comparação, a contribuição ao crescimento das compras externas de bens de consumo também foi relativamente pequena (14,3%), superando somente aquela de combustíveis e lubrificantes (13,8%). Já as importações de Matérias-primas e bens intermediários contribuíram com 50,2% e as de bens de capital com 21,7%, tendo sido responsáveis, conjuntamente, por mais de 70% da evolução das compras externas.

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