20 de abril de 2021

Comércio exterior prepara ano atípico para 2021

A balança comercial do Amazonas inverteu a tendência, em novembro. Depois da elevação de outubro, as exportações sofreram uma leve queda, no mês seguinte, embora os manufaturados do PIM tenham se mantido em destaque. Majoritárias, as importações voltaram a emergir, após empate de setembro e o tombo de outubro, puxando a corrente de comércio exterior do Estado para cima, após meses de queda. É o que revelam os dados do governo federal disponibilizados pelo portal Comex Stat.

Em novembro, as vendas externas do Amazonas totalizaram US$ 86.22 milhões e foram 1,04% melhores do que as de outubro (US$ 85.33 milhões), mas ficaram 1,12% abaixo do registro de exatos 12 meses atrás (US$ 87.20 milhões). O Estado ainda conseguiu sustentar uma alta de 4,90% no acumulado dos dez meses iniciais do ano (US$ 704.81 milhões), frente ao patamar do mesmo período de 2019 (US$ 671.86 milhões).

As compras do Estado no estrangeiro, por outro lado, contabilizaram US$ 891.90 milhões no mês passado, correspondendo a um acréscimo de 5,54% frente a outubro do mesmo ano (US$ 845.06 milhões). O confronto com novembro de 2019 (US$ 678.36 milhões) foi ainda mais positivo (+31,48%). Os valores, entretanto, se mantiveram no vermelho no aglutinado do ano, ao passarem de US$ 9.47 bilhões (2019) para US$ 8.87 bilhões (2020), uma diferença de 6,33%. 

Insumos em alta

As importações do Amazonas foram encabeçadas por circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (US$ 147.29 milhões), partes e peças para televisores e decodificadores (US$ 120.60 milhões), platina em formas brutas ou semimanufaturadas (US$ 63.11 milhões), celulares (US$ 53.63 milhões) e polímeros de etileno (US$ 44.56 milhões). Todos os itens citados tiveram números melhores do que os de 12 meses atrás. 

A China (US$ 406.80 milhões) voltou a liderar a lista de países fornecedores para o Amazonas, no mês passado, com aumento de 36,07% frente a outubro de 2019 (US$ 298.97 milhões). A lista incluiu ainda Estados Unidos (US$ 103.68 milhões), Taiwan (US$ 52.40 milhões), Coreia do Sul (US$ 52.94 milhões) e Vietnã (US$ 48.39 milhões), entre outros – com quedas para os dois últimos, na mesma comparação.

Indagado sobre o repique nas importações em um período que tradicionalmente a indústria incentivada de Manaus já atendeu a maior parte da demanda do comércio para as festas de fim de ano, e já começa a desaquecer as turbinas, o gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Marcelo Lima, observa que a pandemia fez o PIM trocar o fornecimento em tempo rela pela adoção de um calendário atípico. 

“Costuma haver uma tendência de aumento, na passagem do terceiro para o quarto trimestre, especialmente de eletroeletrônicos, o que só ocorreu em novembro. Por um lado, isso se deve à pressão do aumento do dólar no câmbio e nos custos para o importador. Por outro, muitas fábricas do PIM entraram no período de flexibilização econômica com o estoque alto de insumos, mas este foi acabando rapidamente, com o aquecimento e a demanda reprimida. Mas, podemos dizer que, neste período de pandemia, as oscilações não foram tão significativas”, minimizou.

Concentrados e soja

Preparações alimentícias/concentrados (US$ 18.49 milhões) voltaram a encabeçar a lista de exportações do Estado, embora com retração de 21,69% sobre o desempenho de novembro de 2019 (mais de R$ 23.61 milhões). Soja (mais de R$ 12 milhões) caiu para a segunda posição, e foi seguida por motocicletas (R$ 11.84 milhões), veículos aéreos (R$ 7.10 milhões) – adquiridos exclusivamente pela França – e ferro-ligas (US$ 4.44 milhões) – sendo que apensas este item teve vendas inferiores às de novembro do ano passado.

A Venezuela (US$ 14.15 milhões) renovou a liderança na lista de destinos das vendas externas amazonenses, embora tenha recuado 23,60% sobre novembro de 2019 (US$ 18.52 milhões). Foi seguida por Rússia (mais de US$ 12 milhões) e Argentina (US$ 9.88 milhões), que também apresentaram desempenhos positivos, no mesmo confronto. França (US$ 7.32 milhões) e Equador (US$ 6.73 milhões) subiram ao pódio pela primeira vez, passando Estados Unidos, Colômbia e China. O país europeu comprou principalmente veículos aéreos e madeira, enquanto a nação vizinha adquiriu especialmente concentrados, aparelhos de barbear e canetas.

Marcelo Lima reforça que as oscilações da Argentina se devem à longa crise vivida pelo país vizinho, agravada pela pandemia. Acrescenta ainda que a Venezuela vem liderando a lista de exportações do Amazonas, em função do desabastecimento por lá, mas os produtos mais adquiridos – como açúcares, maltes e óleo de soja – não são fabricados no PIM. O gerente executivo do CIN/Fieam observa que, parte da soja vendida pelo Amazonas – desta vez, à Rússia – vem de outras partes do país para ser exportado via Itacoatiara, e que a China continua adquirindo prioritariamente minérios. Equador, por outro lado, vem se destacando como importador de manufaturados do Polo.

“Só não sei dizer de onde veio essa exportação de equipamentos aéreos para a França, já que não produzimos os veículos por aqui. De uma forma geral, não houve solução de continuidade para as exportações, também. Em novembro, emitimos 150 certificados de origem e outubro, 142. As operações devem ser interrompidas pelas festas de fim de ano, na próxima semana, para serem retomadas na primeira quinzena de janeiro. Devemos ter uma pequena queda na corrente do comércio, no primeiro trimestre, em virtude da sazonalidade. Mas, 2021 será um ano atípico para o comércio exterior, sem o Carnaval e com a posse de Joe Biden, na presidência dos Estados Unidos”, concluiu. 

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