Comércio exterior alcança arrecadação de US$ 6.4 bilhões

O volume de mercadorias do exterior pelo modal marítimo/fluvial no Amazonas durante os nove primeiros meses respondeu pela movimentação de US$ 6.49 bi­lhões FOB (Free On Board), expansão de 61,46% em relação ao mesmo período do ano passado, quando as importações fecharam em US$ 4.02 bilhões FOB.
As informações, divulgadas pela Alfândega do Porto de Manaus na manhã de ontem, apontam ainda que, no contexto de 10,47% de crescimento, o número de despachos aduaneiros correspondentes à economia dos importados saltou das 67,32 mil DIs (Declarações de Importação) observadas entre janeiro e setembro do ano passado para 74,37 mil em igual período deste ano.
Apesar das expectativas de que a disparada do dólar em função do desenrolar da crise financeira internacional pudesse ter efeito negativo sobre o comércio exterior local, as empresas que atuam no PIM (Pólo Industrial de Manaus) mantiveram o nível de aquisição de insumos e componentes fazendo a arrecadação da Alfândega do Porto saltar de R$ 406,79 milhões nos nove primeiros meses para os atuais R$ 736,30 milhões no mesmo período, incremento de 81%.
O inspetor substituto da Alfândega da Receita Federal, José Ferreira do Vale, disse que esse aumento significativo na expansão da atividade econômica se deve ao incremento de importações com recolhimento integral de tributos do comércio exterior (imposto de importação e do IPI – imposto sobre produtos industrializados).
O executivo explicou ainda que nesse contexto de expansão, os volumes relevantes na pauta das importações foram novamente os insumos para os setores da indústria de celulares, eletroeletrônicos e duas rodas, oriundos dos países asiáticos e Estados Unidos.
“O imposto de importação apresentou aumento de 54,95% e o IPI de mais 141%. O maior peso dessa arrecadação é proporcionado pela Nokia, que vem testando o mercado nacional com modelos cada vez mais sofisticados à proporção que negocia com o governo a implantação de linhas para fabricação dos referidos aparelhos”, considerou.
Com relação às exportações, apesar do volume atual de despachos (3.920) terem fechado em queda de 6,71% em relação ao ano passado (4.202), a soma do valor dos produtos exportados atingiu US$ 1.85 bilhão entre janeiro e setembro, um avanço de 93,61% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o Estado enviou US$ 957.07 mi­lhões em mercadorias.
Sobre o baixo desempenho das exportações e a possibilidade de a crise nos mercados internacionais ter influência negativa para o Amazonas, DoVale disse que duas das medidas do ‘mini-pacote’ cambial anunciado pelo governo federal poderão ter leve repercussão na capital amazonense. É o caso da eliminação da alíquota de 0,38% do IOF (Imposto de Operações Financeiras) cobrado nas exportações e do fim da cobertura cambial. “O governo decidiu dar força às exportações depois de constatar que a queda no saldo da balança comercial pode se transformar, no futuro, em um ponto de vulnerabilidade externa do país. Mas, no caso do Amazonas, não podemos impedir as importações que estão acontecendo para aumentar a capacidade produtiva da economia local, basicamente importadora”, frisou.

Crise deve ser vista com precaução

Crises e casos à parte, o coordenador-geral de estudos econômicos e empresariais da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), José Alberto Machado, em recente en­trevista à Agência Reuters, ponderou que a disparada da moeda norte-americana e a crise nos mercados internacionais deve ser vista com precaução, mas sem o sentimento de desastre iminente.
Na opinião expressa para a agência, o executivo teria dito que as oscilações da moeda estadunidense poderão encarecer a compra dos insumos importados, mas favorecer a competitividade do produto final produzido no PIM. “Uma coisa compensa a outra. A média de nacionalização dos produtos fabricados em Manaus é de 55%, o que equivale dizer que apenas 45% dos insumos são comprados fora e ficam à mercê da alta recente do dólar”, disse na ocasião.
Mas na avaliação da ana­lista financeira Maria de Jesus Grana Cruz, o comércio exterior na região como um todo poderá acumular quedas sucessivas de até seis pontos percentuais a partir deste mês.
Segundo a especialista, os temores causados pelos sinais de propagação da desaceleração norte-americana para as economias da Europa e da Ásia voltaram a dominar os mercados globais e deram suporte à manutenção da alta do dólar nos mercados internacionais de moedas.
Segundo Maria de Jesus, no mercado brasileiro, as sucessivas altas da cotação da moeda estadunidense ‘tem sobressaltado as empresas locais, o que poderá influenciar em certa retração na demanda’.
A analista acrescentou ainda que “a cautela dos investidores com o impacto negativo da desvalorização das matérias-primas (commodities) sobre a balança comercial deverá ser outro agravante.
Com isso, o comércio com outros países poderá não se tornar um grande negócio ainda neste terceiro quadrimestre”.

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