Comércio do Amazonas interrompeu uma sequência de três meses de queda para atingir alta de 1,5% ante novembro

O varejo do Amazonas acelerou na reta final de 2023 e conseguiu fechar o ano com quase o dobro do crescimento da média nacional, a despeito dos impactos da crise da vazante. Em dezembro, em sintonia com a chegada do Natal, o setor interrompeu uma sequência de três meses de queda para atingir alta de 1,5% ante novembro – que teve um dia útil a menos. O confronto com o mesmo período do exercício anterior confirmou expansão de 3,2% nas vendas dos comerciantes amazonenses. No ano, o saldo ficou positivo em 3,1%. É o que revela a Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE, divulgada nesta quarta (7).

A aceleração do Amazonas veio na direção contrária da média nacional, que recuou 1,3%, após dois meses de estabilidade. Somente os segmentos de combustíveis e supermercados conseguiram vender mais, nesse tipo de comparação. Os lojistas brasileiros, no entanto, conseguiram crescer 1,3% sobre dezembro de 2022, sendo auxiliados também pelos subsetores de vestuário, calçados e drogarias. Com isso, o setor conseguiu fechar 2023 com incremento de 1,7% em todo o país, com altas disseminadas em sete das 11 atividades pesquisadas. O resultado ficou um pouco acima da estimativa da CNC (+1,6%), que já havia revisado seus números para baixo.

O varejo avançou em apenas 14 das 27 unidades federativas, entre novembro e dezembro. Com elevação de 1,5%, o Amazonas subiu da 13ª para a sétima posição. O melhor dado veio de Alagoas (+3,5%) e o pior, do Espírito Santo (-14,30%). O incremento de 3,2% no comparativo com o mesmo mês de 2022 foi o décimo melhor resultado do país, nesse tipo de comparação, em uma lista encabeçada pelo Maranhão (+9,7%) e encerrada pela Paraíba (-13,6%). No acumulado dos 12 meses de 2023 (+3,1%), o Estado se manteve na oitava posição, com Tocantins (+11,6%) e Paraíba (-9,3%) nos extremos.

Inflação e crédito

O ritmo menos ameno do IPCA de dezembro (+0,56%) manteve o descolamento na receita nominal – que não leva em conta a inflação do período. A variação mensal da receita nominal do varejo amazonense subiu 1,8%, em desempenho superior ao de novembro (+1%). O confronto com dezembro de 2022 indicou uma escalada de 6,2%, enquanto o acumulado do ano (+4,6%) também pontuou elevação mais robusta. As respectivas médias nacionais (+0,1%, +3,9% e +4,1%) foram todas mais baixas.

Em razão do tamanho da amostragem, o IBGE ainda não segmenta o desempenho do comércio no Amazonas. Sabe-se apenas que os subsetores de veículos e material de construção, desta vez, tiveram saldo negativo, levando o varejo ampliado a um declínio mensal de 0,3%, em sentido contrário ao resultado de novembro (+1,4%). Mas, houve elevação de 4% frente ao mesmo mês do ano anterior, segurando o crescimento de janeiro a dezembro em 3,4%. O Estado bateu a média nacional (-1,1%, 0% e +2,4%) em todas as comparações.

O comércio brasileiro registrou um mês negativo em seis dos oito segmentos investigados pelo IBGE. Principalmente para equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (+13,1%); e móveis e eletrodomésticos (-7%). Artigos de uso pessoal e doméstico (-3,8%); tecidos, vestuário e calçados (-3,5%); livros, jornais, revistas e papelaria (-2,3%); e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-0,5%) também encolheram. As altas se restringiram às divisões de combustíveis e lubrificantes (+1,5%); e de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (+0,8%).

Efeito Black Friday

O chefe de disseminação de informações do IBGE-AM, Luan da Silva Rezende, considerou que os números foram positivos para o varejo amazonense. “O resultado [do ano] foi maior do que o ocorrido em 2022, que registrou aumento de 2,2%. O comércio ampliado, que agrega veículos, peças e materiais de construção, cresceu 3,4% em 2023, indicando melhor performance que o comércio local. A média móvel trimestral terminou o ano positiva, embora com uma variação pequena. Mesmo assim, indica boa perspectiva para as vendas dos próximos meses”, ponderou.

Em texto postado no site da Agência de Notícias IBGE, o gerente da pesquisa, Cristiano Santos, assinala que a desaceleração mensal da média nacional foi impactada pela base comparativa mais forte da Black Friday – que praticamente não ocorreu no Amazonas. Na análise por categorias, a queda de vendas nos artigos de uso pessoal e doméstico estaria “ligada à questão da crise contábil de grandes marcas do setor de lojas de departamento”. Já tecidos, vestuário e calçados estaria sofrendo com uma tendência de mudança de comportamento de consumo iniciada com a pandemia.

O pesquisador salienta, entretanto, que o acumulado do ano foi positivo para o varejo brasileiro. “No ano anterior, o resultado havia sido de 1% de crescimento. Portanto, observamos um resultado maior, mantendo a tendência de seis anos consecutivos de aumento. Também setorialmente, observamos uma disseminação de resultados positivos, com apenas 4 das 11 categorias no campo negativo”, amenizou.

“Meses fracos”

O presidente da FCDL-AM, Ezra Azury, considera que os números positivos de dezembro consistem apenas em uma recuperação dos “meses fracos” de outubro e novembro. “Ou seja, em algum momento o mercado voltaria a vender. Mesmo assim, vários segmentos não tiveram boas vendas, como material de construção, óticas, etc. A crise logística foi, sem dúvida, um dos motivos para o desempenho abaixo do esperado, com escassez de produtos e aumento de preços, afugentando os consumidores, que adiaram as compras”, frisou.

Indagado sobre as expectativas do setor em relação as vendas do começo do ano, o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas aponta que os resultados alcançados até o momento não dão margem a muito otimismo. “Janeiro ficou abaixo do esperado para vários segmentos, como confecção e calçados, assim como alimentação fora do lar. E fevereiro, com o Carnaval no meio do mês, também se torna um período difícil de prever”, apontou.

O vice-presidente da ACA, Paulo Couto, avaliou que os resultados do setor comercial no Amazonas deixaram a desejar na maior parte do ano passado, além de registrar prejuízos operacionais em decorrência da vazante histórica. “As receitas foram insuficientes para cobrir as despesas. Grandes e Médias redes de lojas recuperaram parte dos prejuízos com o faturamento de dezembro, que representa quatro vezes o faturamento médio de janeiro a novembro, mas não conseguiram fechar a conta positivamente. Não temos boas perspectivas para este início de ano, salvo as lojas que trabalham com material escolar”, concluiu.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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