Comércio contabiliza perdas com greve

A greve do transporte público que atingiu Manaus na manhã de ontem teve reflexos negativos no comércio de Manaus, que registrou um grande número de faltas por parte dos funcionários das lojas. Segundo o presidente da CDLM (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag, o número de ausências chegou a 30% e os trabalhadores acabaram sendo dispensados durante o resto do dia. Além disso, também foi constatada uma diminuição de 25% no número de clientes nas lojas. “Pegou a gente de surpresa. Não temos os valores do prejuízo, mas com certeza houve. Sabemos que a diminuição foi de 25% na movimentação dos clientes”.
Segundo Ralph as lojas já preparam um logística diferenciada para esta terça-feira caso a greve permaneça. “Solicitamos aos funcionários que venham de moto-táxis, de lotação e também há carros de empresas que passarão em rota para tentar buscar os funcionários que dependem do serviço público. Mas esperamos que a normalidade volte rapidamente por causa da multa da desembargadora”.
A greve deve gerar prejuízo diário de R$ 1 milhão para o transporte público da cidade, segundo afirmou o prefeito Arthur Neto e o Sinetram (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas). Cerca de 1.500 ônibus ficaram parados no início desta segunda-feira.
Os trabalhadores reivindicam aumento salarial, dissídio coletivo, depósito do FGTS, participação de lucros e resultados e taxa de insalubridade para a categoria. Porém, segundo o Sinetram, já há prazo estabelecido para que a decisão a respeito do tema saia até dia 1º de maio e acusa a manifestação de ser ilegal. “Não há essa urgência que justifique a greve. Nós temos a expectativa de resolver isso até 1º de maio. Vínhamos dialogando com a categoria. Por isso consideramos a greve ilegal”, afirma o assessor jurídico do Sinetram, Fernando Borges.
Na tarde do sábado o TRT (Tribunal Regional do Trabalho) havia determinado que pelo menos 70% da frota operasse normalmente durante os horários de pico, pela manhã, de 6h às 9h, e à tarde, no intervalo de 17h às 20h. Para os demais horários, o órgão estabeleceu um percentual de 40%, em que os trabalhadores devem cumprir em escala de rodízio. Em caso de descumprimento da liminar, o Sindicato dos Rodoviários poderia ser multado em R$ 100 mil por dia de paralisação. A decisão foi da desembargadora plantonista do Trabalho da 11º Região, Ormy da Conceição Dias Bentes. Durante a tarde de ontem, o Sinetram informou que 50% da frota esta ativa.
No entanto, o sindicato só recebeu a informação na segunda-feira, tendo mantido 100% da frota parada nas primeiras horas do dia. O movimento grevista teve início às 5h30min. O prefeito Arthur Neto, acusou o sindicato de ter atitude eleitoreira e ressaltou os prejuízos gerados pela paralisação. “O sindicato foi irresponsável e esbofeteou a decisão do TRT, que autorizou a paralisação de apenas 30% da frota. Essa paralisação causa um prejuízo de R$ 1 milhão por dia ao transporte coletivo. Mas as pessoas que utilizam o transporte coletivo são os mais prejudicados: o aluno que quer ir à aula; a mulher que quer ir ao médico; o empresário que quer abrir seu comércio e não pode”, lamentou.
Estima-se que apenas na zona Leste, 300 mil pessoas não puderam se locomover. O prefeito anunciou que iria cobrar na Justiça punições ao sindicato e afirmou que o STTRM (Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus) está usando a greve para tentar eleger um deputado nas próximas eleições; “A verdade é que eles tem dinheiro a receber do Sinetram e esse dinheiro é depositado, não vai pro sindicato, vai para pagar as multas que eles têm por inadimplência e outras. Essa irresponsabilidade sai caro. Multas foram feitas para ser pagas. Eles querem colocar alguém do sindicato como deputado. Não caiam nessa”, comentou.
O presidente do STTRM, Givancir Oliveira, afirma que o sindicato cumpriu a liminar, mas muitos rodoviários ficaram com medo de saírem às ruas por conta de depredações. “Os portões estão abertos em todas garagens. Se o trabalhador se recusa a trabalhar, quem vai obrigar? Estamos amparados pela lei de greve. Comuniquei com 72 horas, como manda a lei. Está legítima, está legal e vai continuar”, comenta.
Givancir também garantiu que não seria candidato. “Fui eleito com 87% dos votos dos rodoviários para fazer isso aqui. Não sou candidato a nada”, conclui.

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