Comércio com a China apresenta melhora

As indústrias amazonenses fecharam com saldo positivo de 59,32% de negócios com os chineses durante os primeiros cinco meses deste ano na comparação a igual período de 2008. Com vendas de US$ 53.43 milhões e importações de US$ 62.51 milhões, os bons ventos são resultado da recuperação, principalmente dos setores componentistas e de duas rodas, após o fraco desempenho do fim de 2008, que se seguiu à eclosão da crise financeira internacional. Pelo menos é o que apontou, nesta quinta-feira, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) sobre o desempenho industrial entre os dois parceiros comerciais.
De acordo com a CNI, a participação da China no total das exportações do PIM (Polo Industrial de Manaus) subiu de 8,65% para 12,64% nos 12 meses encerrados em maio deste ano. Do Estado, os chineses deram preferência para a importação de produtos semimanufaturados (pastas de açaí, cupuaçu e patauá, além de pélas de borracha natural) que atingiram 41%, enquanto produtos básicos (cabos elétricos e acessórios em plásticos) representaram 32%, e manufaturados em geral (18%), entre outros. “Os itens comuns mais vendidos para os chineses continuam sendo artigos eletroeletrônicos e de telefonia celular, seguidos das sementes e polpas de frutos regionais, como castanha-da-Amazônia e guaraná”, diz o estudo.

Mais negócios

O crescimento dos negócios com a China já era esperado pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), que apontou dados não tão diferentes da CNI para a “Terra da Grande Muralha”, enquanto principal destino dos produtos ‘made in Amazonas’. Entre janeiro e junho deste ano, de acordo com a autarquia, os chineses ampliaram de 8,17% para 14,95% as exportações na comparação a igual período do ano passado, a despeito da crise financeira mundial.
Sobre as vendas de produtos de transformação de plásticos para os chineses, o presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), Merheg Cachum, disse em entrevista ao Jornal do Commercio que as indústrias internas, incluindo a amazonense, possui uma grande preocupação com a responsabilidade social e preservação do meio ambiente, razão pela qual tem grande poder de barganha junto às empresas multinacionais.
“Como grande parte das chinesas quer obter participação em mercados que exigem produtos politicamente corretos, a produção interna é reconhecida como grande atrativo”, explicou.

Polo de Manaus mantém atração à indústria de moto

De acordo com a Suframa, durante o primeiro semestre, o nível de exportações da China superou as compras efetivadas pelos Estados Unidos na comparação com o mesmo período de 2008, disparando 66,7%, enquanto aquelas para os EUA, atingidas pela crise, encolheram 34,5%.
Parte desse sucesso com a China se deve à atração cada vez maior que o PIM exerce sobre as indústrias de duas rodas. Pelo menos no entendimento do presidente da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), Paulo Shuiti Takeuchi, que apontou a evolução de 7% nas vendas de motocicletas no segundo trimestre de 2009, em comparação com os três primeiros meses do ano, mas que a chegada de novas marcas chinesas no segundo semestre pode acelerar essa evolução.
Sobre as exportações, Takeuchi explicou que antes da crise a produção das fábricas do setor de duas rodas estava bastante alta, batendo na casa das duzentas mil unidades por mês. Com muito estoque e a queda nas vendas, as fábricas reduziram a montagem que tiveram no acumulado do semestre, uma queda de 38% em comparação com o mesmo período do ano passado. Considerando-se apenas a produção de maio, segundo o executivo, os números indicam uma queda de apenas 3,4% sobre junho. “As exportações foram as mais afetadas. No acumulado do semestre, as vendas para o mercado externo apresentaram queda de 50%, em comparação com os seis primeiros meses de 2008 – de 57.467 unidades para 28.539. No comparativo mês a mês, as exportações tiveram ligeiro aumento em junho: 3,7% a mais do que em maio”, asseverou.
Segundo o diretor comercial e de marketing da CR Zongshen, Rogério Scialo, investir na capital amazonense buscando o mercado externo é uma das metas mais cobiçadas pelas montadoras chinesas atualmente, principalmente pela visão de indústria preocupada com o meio ambiente. “Não é apenas a questão dos incentivos fiscais, mas qualquer empresa de porte internacional quer ampliar mercados com imagem de politicamente correta. Essa foi uma das principais razões pela produção aqui no Amazonas”, revelou.
A CR Zongshen do Brasil, nova empresa amazonense do segmento de motocicletas, vai investir no primeiro ano US$ 80 milhões na fábrica de motocicletas, motores de popa e motores estacionários em Manaus. A unidade fabril funcionará na Torquato Tapajós, de onde partirão modelos destinados principalmente aos mercados europeu e chinês.

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