Comerciários de Manaus fecham acordo por reajuste salarial

A crise da Covid-19 voltou a pautar as negociações entre patrões e empregados do comércio do Amazonas, nas convenções salariais deste ano. Uma das quatro categorias laborais envolvidas na negociação, contudo, já bateu o martelo. O Sindicato dos Empregados no Comércio de Manaus fechou acordo com o Sindivarejista (Sindicato do Comércio Varejista no Estado do Amazonas), na semana passada, com reajuste correspondente à metade da inflação estimada para a data-base. Pesou na decisão, a fragilidade das empresas do setor, após seis meses de inatividade impostos pela pandemia.

A data-base já é em 1º de setembro, mas as negociações das demais seguem na fase inicial. Os comerciários do interior já enviaram uma contraproposta às entidades patronais, mas os profissionais representados pelo Sindicargas-AM (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes de Cargas do Estado do Amazonas), ainda não. Já os trabalhadores vinculados ao SINDECVARGAM (Sindicato dos Empregados no Comércio Varejista, Atacadista e Representantes de Gêneros Alimentícios de Manaus) devem ter proposta analisada em assembleia patronal, marcada para o próximo dia 18. 

Assinada nesta quinta (5), a convenção dos comerciários de Manaus para 2020/2021 estabeleceu piso de R$ 1.210 para a categoria, o que equivale a um aumento de 4,76% em relação ao patamar anterior (R$ 1.155). O mesmo índice de reajuste foi concedido aos trabalhadores que recebem acima do valor estipulado para a profissão. O vale alimentação foi fixado em R$ 13,30, tendo sido majorado em um patamar mais elevado do que as outras remunerações (+8,13%), quando comparado ao patamar anterior (R$ 12,30). 

Os valores entram em vigor a partir de 1º de setembro de 2021 –data base das categorias – e são válidos até 31 agosto de 2022, quando uma nova convenção deve atualizar os números. “O empregado somente fará jus ao piso salarial após o contrato de experiência e sua efetiva admissão na empresa”, salienta o parágrafo único da cláusula terceira da Convenção Coletiva de Trabalho 2021/2023.

“Portas fechadas”

Em sua proposta inicial de aditivo, o Sindicato dos Empregados no Comércio de Manaus havia pedido correção salarial geral acima de 8%, a título de reposição parcial da inflação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) –que já acumulava 9,22% anualizados, em junho. Os índices seriam tanto para o piso, quanto para os vencimentos mensais de quem já ganhava mais. Mas, segundo o presidente do Sindivarejista, Teófilo Gomes da Silva Neto, o sindicato laboral foi convencido pelos argumentos dos lojistas.

“Gostaria de registrar a grande compreensão da presidente dos laborais, que aceitou cláusulas econômicas com reajuste menor que a inflação, considerando que o comércio varejista ficou longo tempo fechado, prejudicando enormemente a saúde financeira das empresas. Entre 2020 e 2021, o varejo ficou de portas fechadas por 182 dias. Agindo assim, [o sindicato dos trabalhadores] estará preservando emprego e renda”, destacou.

Segundo o presidente do Sindivarejista, depois de passar dois períodos intercalados de portas fechadas, que acumularam mais de seis meses dentro de um espaço de um ano, as empresas varejistas da capital amazonense há estariam com as finanças tão fragilizadas, que não teriam caixa suficiente para bancar propostas salariais mais robustas. 

“Tivemos uma longa reunião onde procuramos mostrar à presidente [do sindicato] Ana Marlene [Aires Arguelles] as imensas dificuldades que o varejo sofreu em 2020 e 2021, quando inúmeras empresas ficaram totalmente descapitalizadas pelo longo tempo fechadas, mas ainda arcando vários custos, como salários, encargos, aluguéis, alguns tributos, etc. Preocupada com o emprego e renda dos comerciários, ela concordou com nossas argumentações, mas solicitou que no item vale refeição fosse concedido pelo percentual cheio da inflação. Agradecemos sinceramente a compreensão”, afiançou.

Vale notar que o documento firmado entre patrões e empregados do comércio varejista de Manaus assinala que as empresas que fornecerem alimentação, bem como aquelas que dispensam o trabalhador para comer em casa – fornecendo intervalo de uma a duas horas de intervalo e vale transporte – ficam desobrigadas de conceder o benefício.

“Negociação técnica”

Indagado se os atuais termos da negociação da Convenção Coletiva de Trabalho 2021/2023 encontravam eco em acordos firmados em anos anteriores, especialmente aqueles marcados por crises econômicas, Teófilo Gomes da Silva Neto, avaliou que o ineditismo do perfil do presente desarranjo econômico do setor, assim como o grau e aprofundamento das dificuldades vividas pelas empresas levou ao entendimento.

“Acredito que o foco principal é ter a grandeza de entender o momento difícil que atravessa o varejo, procurando sobreviver nesse reinício de atividades, e precisando recompor o caixa, ao mesmo tempo que mantém os empregos. Acredito que foi uma negociação altamente técnica, em que prevaleceu a compreensão dos negociadores patronais e laborais. E foi calcada numa realidade atual: crise igual a que ainda atravessamos não tenho recordação”, encerrou.

Procurada pelo Jornal do Commercio, a presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Manaus, Ana Marlene Aires Arguelles, não respondeu até o encerramento desta reportagem.

Foto/Destaque: Divulgação

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