25 de junho de 2022

Comerciantes reforçam a segurança com onda de violência em Manaus

Lojistas decidiram contratar mais agentes de segurança devido à onda de violência que explode em Manaus, principalmente nos bairros periféricos, onde os assaltantes se sentem mais confortáveis para atacar as vítimas. Só nos últimos dias, mais de 50 pessoas morreram na capital, envolvendo assaltos e confrontos entre facções criminosas e com a própria polícia.

Muitos comércios passaram a atender com grades fixadas nas portas como medidas para frear a ação dos bandidos, mas ninguém está livre de levar um tiro. O recurso sempre deixa brechas para um eventual disparo que pode atingir os comerciantes.

“Já fui mais de três vezes assaltado.  Fiz boletim de ocorrência, mas infelizmente não deu em nada”, lamenta o comerciante Damasceno Silva, que mantém um mercadinho no bairro Mutirão, zona Leste de Manaus. “Eles (os assaltantes) escolhem a melhor hora para atacar, sempre no horário em que os policiais se afastam para fiscalizar outras áreas”, acrescenta ele.

Ao contrário, o lojista Eduardo Matias decidiu suspender temporariamente os negócios. Sua mercearia na Betânia, zona Sul da cidade, já foi assaltada por pelo menos oito vezes. “Não vou continuar trabalhando para manter bandido.  Infelizmente, a polícia nunca chega na hora certa, protesta ele.

No centro da cidade, os bandidos também agem. Mas, em tese, a presença de mais policiais, principalmente nas horas de maior movimento, intimida mais os assaltantes. Mesmo assim, os lojistas não estão livres de sofrer qualquer ataque.

Consultadas, a CDL-Manaus (Câmara de Diretores Lojistas de Manaus) e a Fecomércio-AM (Federação do Comércio do Amazonas) têm orientado os lojistas a reforçarem a segurança dos estabelecimentos. Os maiores riscos para os comerciantes são os dias  que antecedem datas comemorativas, principalmente agora no Dia das Mães, além do Natal e Ano Novo.

A CDL-Manaus e a Fecomércio encaminham sempre solicitações para os órgãos de segurança reforçarem o policiamento na área central de Manaus. Os problemas se agravam com o alto desemprego que atinge o Amazonas e o resto do país.

Segundo analistas, as estatísticas sobre a violência que cresce assustadoramente nem sempre refletem a realidade. “Em geral, esses dados são subnotificados. Muita coisa acontece na periferia sem que essas ocorrências sejam incluídas nos mapas oficiais”, diz o assistente social Dário Veiga Lima, que acompanha famílias em situação de vulnerabilidade nos bairros periféricos de Manaus.

Celulares

Nas ruas, os celulares são os maiores alvos dos assaltantes. Produto de glamour e de grande consumo, os aparelhos podem ser trocados por ninharias junto aos receptadores, que incentivam os delitos, segundo a polícia. “Eu já saio de casa escondendo o telefone na cueca, temendo ser assaltado”, conta o estudante Guilherme Silva, que cursa veterinária em uma faculdade de Manaus.

Porém, nem todas as pessoas têm esses cuidados. Ainda se vê muita gente manipulando os celulares em ruas, paradas de ônibus e em outras áreas de grande circulação, abrindo precedentes para a ação dos bandidos.

A morte do cabo PM Isaías Filho também aumentou a apreensão da população de Manaus. O policial foi encontrado morto em casa, no bairro Tarumã, zona Norte, onde morava. Outras três pessoas também foram mortas, crimes atribuídos a ‘Feroz’, um dos líderes do CV (Comando Vermelho) na capital.

O assassinato de Isaías Filho, que antes de ser morto foi torturado, desencadeou uma caça às bruxas em Manaus. Pelo menos 45 agentes de elite e mais os efetivos tradicionais reforçaram o policiamento na capital. A Polícia Militar do Amazonas deflagrou uma operação para tentar capturar ‘Feroz’, que teria se refugiado numa área de mata no bairro Tarumã.

O governador do Amazonas, Wilson Lima (UB), exigiu empenho da PM para capturar o suspeito do crime. “Ou ele (criminoso) vem ou pé ou deitado”, informou a corporação, referindo-se à operação para capturar ‘Feroz’.

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