Com custo maior, lucro aumenta nos supermercados

A região Norte apresentou variação negativa -0,02% no preço da cesta básica em agosto, com o valor de R$ 609,58 apesar do maior preço do país, houve diferença de centavos, antes era de R$ 609,68.  Até agosto os supermercados brasileiros acumularam crescimento real (deflacionado pelo IPCA/IBGE) de 3,94% na comparação com o mesmo período de 2019, de acordo com o Índice Nacional de Vendas da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), apurado pelo Departamento de Economia e Pesquisa da entidade. No mês, a alta foi de 2,56% em relação a julho, e de 4,44% na comparação com agosto do ano anterior.

A Amase (Associação Amazonense dos Supermercados), entidade que representa o setor em Manaus, mostra um parâmetro em relação ao aumento nos ítens. De junho a agosto houve um acréscimo de 30% no óleo de soja, no feijão 40% e no arroz 25%. O vice-presidente da associação, Ralph Assayag, justifica que a alta em relação aos grãos como feijão, arroz e farinha está relacionada a escassez destes itens no mercado, além do calor excessivo atrelado a diminuição da safra. “O percentual que atrapalhou muito e com isso os preços sobem. Houve uma necessidade também do óleo de soja que com saída do produto para China diminuiu a estação do produto”.

O presidente da Abras, João Sanzovo Neto explica que o funcionamento do setor durante  durante a pandemia, por ser tratar de atividade essencial, os resultados têm se mantido próximos da projeção da entidade divulgada no início do ano, de 3,9% de crescimento para 2020. “O pagamento do auxílio emergencial e outros programas de estímulo do governo federal ajudaram a evitar uma queda mais abrupta da economia. As restrições mais brandas em muitas localidades do Brasil, devido ao controle da disseminação da covid-19, queda no número de casos da doença e de mortes, tem impulsionado a volta gradual do consumo e a melhora em diversas atividades econômicas. Seguiremos com os nossos rígidos protocolos e trabalhando para manter a segurança dos nossos clientes e colaboradores, e com a esperança de que o pior tenha ficado para trás”, destaca 

Ao avaliar a tendência do aumento contínuo nos itens da cesta básica que seguem pesando no bolso do consumidor, o economista Sostenes Farias reforça que não podemos deixar de levar em consideração alguns fatores como checar a lista completa dos componentes da cesta básica local. Pensando ainda se o período, local, é de fácil abastecimento nesta época. Além disso, observar se os itens que estão vindos de fora, estão chegando regularmente. Outro detalhe considerado por ele é se safra nacional, tem ajudado no abastecimento. E, se há alguma sazonalidade de algum produto da cesta, local ou nacional. “Poderíamos estender mais essas questões, mas podemos chegar  à conclusão sem muitas dificuldades. Maior número de pessoas se alimentando, mas, nem sempre com mais qualidade. Isso explica, ou é um dos fatores que têm grande peso na formação do preço da cesta”. Para o economista, estes gastos com alimentação neste patamar provavelmente devem causar uma retenção do consumo. “ É a chamada Lei de Mercado, da Oferta e da Procura, na prática.O que deve manter-se no mínimo até passar os efeitos da pandemia. Coisa pra mais seis meses. Pelo menos o governo federal está com as contas públicas sob controle, o que alivia sobre a pressão inflacionária. Mas tudo passa, como tudo nessa vida”.

Pesquisa local 

A CDC-Aleam (Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas) apontou uma variação de 70% no valor da cesta básica praticado nos supermercados de Manaus. Divulgado nesta quinta-feira (15), o levantamento foi realizado no período de 6 a 9 de outubro em dez supermercados localizados nas Zonas Norte, Leste e Centro-Sul da cidade.

A pesquisa buscou identificar as variações nos preços de 26 itens que compõem a cesta básica do consumidor na capital, considerados produtos essenciais da cesta, ou seja, não considerando a marca do produto em si, apenas o preço, independentemente do estabelecimento pesquisado.

De acordo com o levantamento feito, a diferença dos valores na cesta básica constatada em dez estabelecimentos em Manaus, foi de R$ 35,62, sendo R$ 209,70 a mais barata e R$ 245,32 a mais cara.

A pesquisa ainda apontou que na composição da cesta básica, os itens que mais pesaram foram a linguiça, com 17,14%, o leite com 8,98% e o arroz, com 8,48%. Juntando tudo, os produtos corresponderam a 34,6% (R$ 75,93) do valor total da cesta básica.

Também pesaram na cesta básica, constatado com variação elevada de preço nos supermercados, os itens indispensáveis à higiene pessoal como: creme dental (207,34%, variando de R$ 1,09 a R$ 3,35), água sanitária com 141,41% (variando de R$ 0,99 a R$ 2,39) e o sabão em pó com 140,69% (variando de R$ 1,45 a R$ 3,49).

Para o deputado estadual e presidente da Comissão, a pesquisa tem como objetivo auxiliar e informar a sociedade e o trabalhador do estado, acerca das variações nos preços durante a compra. E ainda destacou que a pesquisa apontou, apesar da pouca diferença de valor entre um item e outro, que a melhor opção é controlar os gastos na ponta do lápis, pesquisar e comprar apenas o necessário, evitando os itens excessivos que encarece ainda mais as compras do mês.

A pesquisa da CDC/Aleam da cesta básica é realizada mensalmente nos supermercados de Manaus.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email